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R$ 1,7 bi para ampliar consumo de peixe

Sílvio Mauro
da Redação

O Ministério da Pesca e da Aqüicultura quer estimular o consumo de pescados. O brasileiro consome, em média, sete quilos de peixe por ano, menos que o mínimo recomendado pela Organização Mundial de Saúde (12 quilos)


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05/09/2008 00:56

Com um litoral generoso de aproximadamente oito mil quilômetros e muitos rios e reservatórios de água doce, o Brasil poderia ter o peixe como um dos principais alimentos da população. Apesar disso, o consumo médio do brasileiro por ano é de sete quilos, cinco a menos do que o recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Para tentar mudar esse quadro, o Ministério da Pesca e Aqüicultura (MPA) irá investir, entre 2008 e 2011, R$ 1,7 bilhão em ações de incentivo ao pescado. A meta é aumentar a produção anual de 1,05 milhão de toneladas para 1,43 milhão. E subir a média de consumo para nove quilos anuais por habitante.

Os valores foram anunciados pelo ministro Altemir Gregolin, titular do MPA, que veio a Fortaleza para lançar oficialmente a 5ª edição da Semana do Peixe na cidade. O evento começou no dia 25 do mês passado e vai até o próximo dia 7 com o objetivo de incentivar o consumo de pescado em todo o Brasil. Durante o período, o MPA, junto com a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) e Associação Nacional dos Restaurantes (ANR), irá coordenar promoções e festivais gastronômicos.

Segundo Gregolin, as ações do ministério irão se concentrar em três eixos principais: a própria Semana do Peixe, a estruturação da cadeia produtiva dos pescados e inclusão deles na alimentação escolar do País. "São servidas 37 milhões de refeições escolares por dia no Brasil. Queremos colocar o peixe pelo menos dois dias por semana nos colégios", afirma.

Entre as iniciativas previstas para reordenar melhor a cadeia produtiva, ele cita o investimento na criação de mais mercados e feiras de peixe onde os produtores possam chegar diretamente aos consumidores. Para isso, o ministério está distribuindo kits de venda para os pescadores, para facilitar a conservação e a comercialização do produto. Foram entregues 400 kits em 2007 e outros 300 devem ser doados esse ano. "Existe uma grande intermediação na cadeia produtiva, hoje. Queremos reduzi-la e com isso conseguir um preço menor", explica o ministro.

Com as ações, ele acredita ser possível fazer com que os pescados passem por um fenômeno semelhante ao do frango, no Brasil. "Na década de 1970, o consumo de frango era de quatro quilos por habitante. Hoje, é de 37 kg", lembra. Pelo menos durante a Semana do Peixe, a expectativa do MPA é aumentar em 40% o consumo do produto em todo o País.


E-Mais

Um dos principais parceiros do Ministério da Pesca e Aqüicultura (MPA) na Semana do Peixe, o grupo Pão de Açúcar informa que realizou negociações para obter uma redução de cerca de 25% nos preços dos produtos. De acordo com Wilson Toledo, diretor regional do Pão de Açúcar Nordeste, a expectativa é de aumento de 30% no consumo durante o período. Ele acrescenta, ainda que graças às iniciativas dos anos anteriores, o consumo de pescado mais que dobrou nas 540 lojas do grupo.

A procura por peixe também é baixa entre os clientes que saem de casa em busca de comida pronta. De acordo com Augusto Mesquita, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), os pescados representam apenas 30% do total consumido nos estabelecimentos. Ele atribui o problema a uma série de fatores: pouca produção, principalmente de peixes mais nobres, preço alto e falta de cultura por parte dos clientes. "Mas estamos tentando incentivar", afirma.

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