05/09/2008 00:56
A necessidade de retomada da indústria naval brasileira vem sendo acalentada pelo Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef), da Transpetro (Petrobras Transporte S.A.), e, hoje, o primeiro dos 49 navios do começa a sair do papel. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva estará às 9h, no Porto de Suape, em Pernambuco, para fazer o primeiro corte do aço, que marca o início da construção dos 10 navios encomendados ao estaleiro pela Transpetro. Na cerimônia, também está previsto o primeiro corte do aço para a construção da Plataforma P-55, da Petrobras, que vai atuar em Roncador, na Bacia de Campos.
Os 10 navios fazem parte da primeira fase do Promef, que tiveram encomendas de 26 unidades ao custo total de US$ 2,5 bilhões. Deste total, US$ 1,2 bilhão vão para o Estaleiro Atlântico Sul, que ficou com 10 navios Suezmax. Para a segunda fase, está prevista a construção de mais 23 navios, totalizando 49 embarcações. No total, serão consumidos 2,7 milhões de toneladas de porte bruto, sendo que na primeira etapa estão previstas 440 mil toneladas de chapas grossas de aço para a construção dos 10 navios Suezmax, cinco Aframax, quatro Panamax, quatro navios de produtos e três navios para transporte de gás liquefeito de petróleo (GLP).
Em entrevista concedida em Recife, o diretor de Transporte Marítimo da Transpetro, Agenor Junqueira, disse que o impacto que o programa terá na Balança de Pagamentos da Transpetro será de US$ 600 milhões - US$ 330 milhões na primeira fase e US$ 270 milhões na segunda. "Assim, o Promef vai ajudar a restituir a nossa soberania no setor do transporte marítimo, que representa um gasto anual de USS 10 bilhões para o País", destaca Junqueira. Deste total, menos de 4% são pagos a armadores brasileiros.
(Wânia Caldas com agências)
EMAIS
Dificuldades para exploração e produção do petróleo do pré-sal
- A profundidade da camada pré-sal é de pelo menos seis mil metros a partir do nível do mar;
- No local onde foram encontrados petróleo e gás a pressão de fora para dentro das tubulações é muito maior do que a apresentada nos poços atuais, que não ultrapassam os quatro mil metros;
- É preciso testar os equipamentos em laboratório para verificar a eficiência e a resistência;
- É necessário criar "poços inteligentes", cuja produção, vazão, temperatura e pressão são monitorados por sensores;
- A camada pré-sal fica abaixo de 2,5 mil metros de água, o que implica em dutos mais robustos para suportar a pressão, mas que não podem ser pesados;
- Como o petróleo e o gás estão abaixo de uma camada de sal, cuja consistência é pastosa, há dificuldade para mudar a direção do poço, caso seja necessário;
- Tem que haver uma logística eficiente entre os novos campos, já que eles estão a cerca de 300 km da costa;
- Construção de embarcações, plataformas, sondas e dutos significam em mais investimento, o que torna a exploração do petróleo do pré-sal mais cara.
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