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Economia

ALERTA

Sem investimento, Brasil poderá perder riquezas do pré-sal

Wânia Caldas
da Redação

A entrada de divisas e a geração de empregos no Brasil com a exploração do petróleo na camada pré-sal podem ficar comprometidas caso o País não invista na indústria naval


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05/09/2008 00:56

Para pesqusiador, Brasil tem que acelerar o processo da construção dos navios e agregar tecnologia (Foto: DIVULGAÇÃO PETROBRAS)
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Para pesqusiador, Brasil tem que acelerar o processo da construção dos navios e agregar tecnologia (Foto: DIVULGAÇÃO PETROBRAS)

Parte significativa das riquezas e dos empregos que serão gerados com a exploração e a produção de petróleo na camada pré-sal da costa brasileira, cuja descoberta vem gerando tanta expectativa, podem simplesmente migrar para outros países. Isso caso o País não decida investir em pesquisas e no fortalecimento da indústria de transporte e de equipamentos. O alerta é do professor de Estruturas Oceânicas e chefe do Laboratório de Tecnologia Submarina do Coppe, da Universidade Federal do Rio do Janeiro (UFRJ), Segen Estefen.

“O Brasil tem que pensar seriamente em aproveitar este desafio do pré-sal para aumentar a base industrial e de fornecimento de equipamentos para a indústria do petróleo. O País só vai ter um grande benefício com essa descoberta se desenvolver uma indústria naval e de equipamentos que possa atender à demanda ou, então, isso vai ser transferido para outros países junto com os empregos”, afirma.

Para ilustrar estas perdas, o chefe do Laboratório de Tecnologia Submarina do Coppe diz que uma sonda usada na perfuração custa US$ 500 mil por dia. Mas isso no caso dos poços que são perfurados hoje, que não ultrapassam os quatro mil metros. “Para perfurar a camada pré-sal, como a profundidade é de pelo menos seis mil metros e as condições do mar são mais agressivas por causa da distância da costa (de cerca de 300 km, no caso da Bacia de Santos, onde há a maior reserva descoberta), triplica o tempo de uso da sonda e há a necessidade de uma manutenção mais cuidadosa”.

O caminho para o desenvolvimento da indústria nacional, para Segen Estefen, passa pela capacitação de profissionais e pela parceria entre empresas, universidades e centros de pesquisa. “A indústria não está pronta para o volume da demanda. Muita coisa já existe no Brasil mas vamos ter que fazer um esforço enorme para que tenhamos uma forte indústria naval e de fornecimento de equipamentos porque os estaleiros do mundo todo estão ocupados. O Brasil tem que procurar ser um pólo, mas tem que acelerar o processo da construção dos navios e tem que agregar tecnologia. É preciso lançar mão do que há de mais avançado, não adianta repetir o procedimento de 20 anos atrás”, analisa.


E-Mais

Dificuldades para exploração e produção do petróleo do pré-sal

A profundidade da camada pré-sal é de pelo menos seis mil metros a partir do nível do mar;

A pressão de fora para dentro das tubulações é muito maior do que a apresentada nos poços atuais, que não ultrapassam quatro mil metros;

É preciso testar equipamentos em laboratório para verificar a eficiência e a resistência;

É necessário criar “poços inteligentes”, cuja produção, vazão, temperatura e pressão são monitorados por sensores;

A camada pré-sal fica abaixo de 2,5 mil metros de água, o que implica em dutos mais robustos para suportar a pressão, mas que não podem ser pesados;

Como o petróleo e o gás estão abaixo de uma camada de sal, cuja consistência é pastosa, há dificuldade para mudar a direção do poço, caso seja necessário;

Tem que haver uma logística eficiente entre os novos campos, que estão a 300 km da costa;

Construção de embarcações, plataformas, sondas e dutos significam mais investimento, o que torna a exploração do petróleo do pré-sal mais cara.

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