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Economia

AULA DE INFORMÁTICA

Cárcere digital

Luiz Henrique Campos
da Redação

Desde maio os 81 presos da cadeia pública de Maracanaú tem tido a oportunidade de fazer cursos e oficinas de informática, mudando a rotina dos detentos. Eles participam do projeto Se Liga, criado pelo Instituto para o Desenvolvimento Tecnológico e Social (Idear)


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09/08/2008 01:04

O acesso à informática mudou a rotina dos detentos da Cadeia Pública de Maracanaú. Dos 81 presos, 62 já participaram do projeto Se Liga (Foto: Alex Costa)
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O acesso à informática mudou a rotina dos detentos da Cadeia Pública de Maracanaú. Dos 81 presos, 62 já participaram do projeto Se Liga (Foto: Alex Costa)

Os presos da Cadeia Pública de Maracanaú, na região metropolitana de Fortaleza, estão com a rotina diferente desde o mês de maio. Através do projeto Se Liga, desenvolvido pelo Instituto para o Desenvolvimento Tecnológico e Social (Idear), com o apoio da prefeitura do município, eles estão tendo a possibilidade de se familiarizarem com a informática, seja por meio da realização de cursos e oficinas, ou utilizando os 12 equipamentos disponíveis em horas determinadas pela direção do presídio.

O Se Liga foi criado para promover a inclusão digital em Maracanaú e já conta com 18 telecentros espalhados em vários pontos do município, com média de 10 a 15 computadores por imóvel. Um dos locais é a Cadeia Pública. Ali, dos 81 presos, 62 já passaram por algum curso ou oficina. Cada oficina dura em média três horas, tratando de temas como iniciação à informática, navegação na Internet, formatação de textos, elaboração de currículo e elaboração de orçamento. Já os cursos abordam diversos assuntos ligados às áreas de empreendedorismo, trabalho, educação e inclusão digital.

Segundo o monitor Júlio César Pimenta, 20, os presos tem demonstrado interesse nas aulas, mas muitos enfrentam dificuldade por não saberem ler. Ele diz que é uma situação que precisa ser avaliada pelos coordenadores para que haja melhor aproveitamento do conteúdo. É o caso de um detento de 25 anos, que cumpre pena de oito anos por roubo. Pai de cinco filhos, ele estudou pouco e, apesar de mostrar interesse nas aulas, tem tido dificuldade em aprender.

Todavia, ele ressalta que as aulas têm despertado nele a possibilidade de vir a conhecer situações novas quando deixar a prisão, fato que deve acontecer em breve devido ao cumprimento de um terço da pena. "Quando sair daqui, primeiro vou deixar Maracanaú para sempre. Depois vou procurar uma profissão em que eu possa ganhar o sustento de forma digna", diz ele, que preferiu não se identificar. Antes de ser preso, o detento trabalhava com serviços gerais.

O espaço com computadores na Cadeia Pública tem servido para Cleilson Alves, 28, como local para passar o tempo. Formado em Enfermagem, mas tendo como profissão torneiro mecânico, ele já tinha familiaridade com informática e está aproveitando o telecentro para escrever textos "sobre a vida". Segundo Cleilson, parte desse material estaria sendo guardado para a montagem de um livro. Natural de Pernambuco, ele está na cadeia de Maracanaú sob a acusação de assalto.

Cleilson, porém, reclama das restrições quanto à utilização dos computadores. De acordo com as regras dos telecentros, não é possível acessas Orkut ou o MSN (bate-papo pela Internet), por exemplo. Na cadeia de Maracanaú, outro problema é que o acesso à Internet está impossibilitado no momento por motivos técnicos. Para usar os computadores também é necessário o agendamento, já que o número de máquinas é limitado e exige o acompanhamento dos presos pela direção do presídio.


ENTENDA A SÉRIE

- A Série Caminhos Digitais, iniciada no último domingo, foi pensada para discutir as possibilidades que surgem no Ceará a partir da implantação da rede de fibras ópticas denominada de Cinturão Digital. No primeiro dia foi detalhado o aspecto técnico do Cinturão, que visa cobrir com acesso banda larga 82% da área urbana do Estado. O POVO mostrou, ainda, a experiência da inclusão digital em Tauá.

- Na edição de segunda-feira, 4, a série apresentou o Projeto Leste Digital, desenvolvido no litoral do Ceará. A idéia é estreitar laços com cidades digitais de Portugal e ampliar a possibilidade de intercâmbio em várias áreas do conhecimento.

- Na última terça-feira, 5, O POVO mostrou um projeto do Sebrae voltado para a formação de novos empresários do setor no Interior do Estado.

- Na edição de quarta-feira, 6, a série informou que o Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) pretende implantar 500 Centros de Inclusão Digital (CIDs) na zona rural do País.

- Ontem, o tema abordado foi o projeto Idear, que leva a inclusão digital aos detentos da Cadeia Pública de Maracanaú.

LEIA SEGUNDA-FEIRA
Nas Páginas Azuis, a professora australiana Ilana Snyder fala sobre a importância da inclusão digital na educação dos jovens.

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