Ir para a página sobre a Publicidade

O POVO Online

Economia

RENDA

O lugar de lixo é na reciclagem

Milhões de reais de faturamento e geração de 1.800 empregos na Região Metropolitana de Fortaleza. Esse é o universo dos empresários que investiram na transformação do lixo em riquezas

Wânia Caldas
da Redação

28 Jul 2008 - 00h12min

A+ A- Mudar tamanho

Marcos Augusto Albuquerque, do Sindverde: baldes feitos de plástico reciclado (Foto: Evilázio Bezerra)
A transformação do lixo gerado pela empresa e pelas famílias dos funcionários em renda extra ou em bem-estar no local de trabalho. Assim funciona o projeto criado pelo Sindicato das Empresas de Reciclagem de Resíduos Sólidos Domésticos e Industriais do Estado do Ceará (Sindverde), já aplicado em algumas empresas do ramo no Estado. A idéia é contribuir para preservação do meio ambiente, gerar renda e auxiliar os poderes públicos a implementar a coleta seletiva, como explica o presidente Marcos Augusto Albuquerque.

"Estamos tentando implementar esse projeto nas indústrias de todos os ramos. Podemos fazer de duas formas: recolher o que a empresa produz e juntar com o lixo trazido de casa pelos funcionários para vender. O dinheiro arrecadado pode ser pago a cada trabalhador, dependendo da quantidade trazida por mês, ou ser aplicado em um projeto social dentro ou fora da empresa. Fazendo isso a gente fecha o ciclo porque damos a destinação certa para o lixo, geramos renda e alimentamos as indústrias recicladoras", esclarece o presidente do Sindverde.

O projeto, segundo ele, vem ganhando adeptos principalmente entre os 85 filiados ao Sindicato, que vêem o mercado da reciclagem crescendo ano a ano. "Há cinco anos, o mercado era muito limitado, só tínhamos no Estado cerca de cinco recicladores de plástico, duas ou três de papel e papelão e grandes como Durametal, Gerdau e Aço Cearense no ferro. Hoje existem 85 só no Sindverde mas tem muitas outras empresas menores e um universo de empresas informais", lembra Marcos Augusto.

Ele, que tem uma empresa que transforma plástico reciclado em cadeiras, mesas, baldes e bacias, explica como é o processo de transformação do lixo em um novo produto. De acordo com o empresário, o plástico coletado pelos catadores é vendido aos pequenos sucateiros por R$ 0,20 ou R$ 0,30 o quilo, e chega ao reciclador/transformador por R$ 0,60 o quilo que, por sua vez, vende o produto final por R$ 1,80 o quilo, no caso de baldes e bacias feitos com 100% de material reciclado. Já no caso de cadeiras e mesas de plástico, o quilo do material chega à indústria a R$ 1,50 e o produto final chega aos atacadistas por R$ 3,10.

"O plástico, quando chega aos recicladores, é moído, lavado e enviado para uma máquina aglutinadora que dá consistência e melhora a produtividade. Por último, o material é granulado e vendido para as empresas que transformam os grãos de plástico em produtos prontos", detalha o presidente do Sindverde. O POVO apurou que cada máquina que faz baldes e bacias custa cerca de R$ 400 mil, enquanto as máquinas que fazem mesas e cadeiras custam até R$ 1,5 milhão.

O lucro no negócio da reciclagem é certo e chega à casa dos milhões para os grandes empresários - Marcos Augusto e os demais empresários consultados por O POVO não escondem -, mas eles não poupam críticas à falta de incentivo governamental e à desorganização do sistema de coleta de lixo. "O problema da coleta é muito sério. O lixo está indo para o local errado, por isso só reciclamos 25% do plástico que circula. Se o lixo fosse separado, os catadores teriam mais renda, condições melhores de trabalho e teríamos um número enorme de empresas recicladoras que gerariam emprego no Estado", reforça o presidente do Sindverde.

Fale com a gente
economia@opovo.com.br

A série
Ontem você viu que 5% do lixo coletado se transforma em dinheiro para toda a cadeia da reciclagem.


EMAIS

- As empresas recicladoras de plástico do Ceará recebem todo mês 5 mil toneladas de matéria-prima retiradas do lixo.

- As 85 empresas filiadas ao Sindverde geram 1.800 empregos diretos.

- A Companhia de Gás do Ceará (Cegás) está estudando o reaproveitamento dos gases produzidos pelo lixo orgânico. A idéia é tratar o biogás para transformá-lo em gás natural. Na Bahia, já foi anunciada a construção de uma termelétrica que será alimentada pelo gás metano produzido pelo lixo. O gás, que provoca o efeito estufa, vai produzir energia suficiente para abastecer uma cidade de 200 mil habitantes naquele estado.

Dê sua nota clicando nas estrelas

Leia mais sobre esse assunto

Espaço dos leitores:

Comentar esta notícia

Seu nome:

Seu e-mail:

Sua cidade:

Comentário:

Importante: Os comentários publicados são de exclusiva responsabilidade de seus autores e as conseqüências derivadas deles podem ser passíveis de sanções legais. O usuário que incluir em suas mensagens algum comentário que viole o regulamento será eliminado e inabilitado para voltar a comentar.

Botao para a página sobre a Publicidade

Indique esta notícia

Seu nome:

Seu e-mail:

Nome do destinatário:

E-mail do destinatário:

Ir para a página sobre a Publicidade

Charge

Ir para a página sobre a Publicidade

© 2008 O POVO - Todos os direitos reservados