O município sente na pele os efeitos do desenvolvimento. Jaguaribara, ainda vai completar sete anos de vida em sua nova fase
19/07/2008 14:13

O dia 25 de setembro de 2001 ficou marcado na história de Jaguaribara. A data simboliza a inauguração da nova sede do município, localizado no Médio Jaguaribe, enquanto a velha era definitivamente alagada pelas águas do açude Castanhão. A primeira cidade planejada do Ceará cresceu - em relação à antiga - e se modernizou. A estrutura é boa e a população gosta. “As casas são ótimas, a escola é boa, o transporte escolar pega e traz as crianças e a saúde funciona”, diz a dona de casa Fernanda de Souza, 38. Mas Jaguaribara está longe de ser um “mar de rosas”. O desenvolvimento chegou, só que esqueceu de trazer com ele algo muito importante: o emprego. Não existe trabalho para a maior parte dos moradores da cidade.
De acordo com a prefeita Maria Emília Diógenes (PRB), cerca de 80% da população da cidade está desempregada. “Esse é o nosso grande problema. Só temos a prefeitura e o comércio local como geradores de emprego. É muito pouco”. A solução, segundo ela, seria a instalação de uma indústria no município. “Estamos conversando com algumas empresas que estão querendo vir para cá. Acredito que a cidade ainda vai deslanchar”, afirma Maria Emília, que é candidata à reeleição.
Não é difícil confirmar os dados da prefeita. Às 10h30min da última terça-feira, por exemplo, a praça central da cidade estava cheia. Amigos jogavam conversa fora, outros preferiam um joguinho de apostas. Quase todos desempregados. “Eu gosto daqui. Gostaria de ficar na cidade, mas está muito difícil. Vou ter que sair se aparecer uma oportunidade de emprego”, afirma Aline Maia, 20, que estava acompanhada de três amigas da mesma idade.
Para quem não tem trabalho, o jeito é viver fazendo “bicos” para levantar algum dinheiro. “Trabalho com transporte, mas não é sempre que aparece alguma coisa. A gente se vira como pode”, diz Nivaldo Araújo, de 49 anos. Ele afirma que, não fosse a falta de emprego, Jaguaribara seria “uma das melhores cidades do Ceará para se morar”.
Para os comerciantes da cidade, porém, a nova Jaguaribara é muito mais rentável. “Aqui é 100% melhor, em tudo. Temos uma ótima estrutura”, afirma Raimundo Salgado, 58, proprietário de uma barraca de frutas na praça central do município. Como ele já era dono do comércio na Jaguaribara antiga, recebeu um novo ponto na cidade. Raimundo conta que, em sete anos, já tem cinco casas - antes da mudança só tinha uma.
Contas
Mas o desenvolvimento cobra um preço, tanto para o Poder Público como para a população. E não é barato. Segundo a prefeita Maria Emília Diógenes, a nova sede de Jaguaribara foi projetada para receber cerca de 75 mil habitantes, mas a população não chega a 10 mil. “É muito caro manter a cidade. Não há arrecadação suficiente”, afirma. Jaguaribara recebe R$ 900 mil por mês do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), considerados insuficientes pela Prefeita, além de um convênio com o Governo do Estado.
Os moradores também sentem na pele os efeitos do desenvolvimento. As contas de luz e água aumentaram. Muitos nem pagavam pela água, já que moravam na beira do açude. “Eu pagava R$ 4 de água. Agora, pago R$ 48. A conta de luz também subiu muito”, afirma Marcelo Pereira, 51. “Minhas contas triplicaram. Mas para ter um bom serviço vale a pena”, diz o aposentado Raimundo Lopes, 77.
Raio-x de Jaguaribara
Distância de Fortaleza: 225 km
Vias de Acesso: BR-116 e CE-269
Localização: Médio Jaguaribe
Fundação: 25.9.2001 (nova sede)
Área: 668.291 km2
Vegetação: Caatinga
População estimada: 9.478
PIB per capita: R% 5.301,00
Prefeita: Maria Emilia Diógenes (PRB)
Fonte: Anuário do Ceará 2007/2008
E-MAIS
- O economista Alcântara Macedo cita a construção do Castanhão como uma das grandes obras realizadas no Ceará. "Se o Governo não tivesse feito o Castanhão faltaria água no Ceará. Os benefícios de uma obra dessa são maiores do que os efeitos colaterais que causam para algumas pessoas", afirma.
- De acordo com Maia Júnior, que era secretário da Infra-Estrutura na época em que o Castanhão foi inaugurado, Jaguaribara necessita da implantação de projetos produtivos para a geração de riquezas. "Falta uma agricultura de alto valor agregado. Tem que gerar riqueza por meio de projetos mais amplos", diz.
- A Agência de Desenvolvimento Econômico do Ceará (Adece) está realizando, em parceria com o Sebrae, um convênio para desenvolver um projeto de piscicultura intensiva para as regiões de grandes represas. O objetivo, segundo o presidente da Adece, Antônio Balhmann, é levar empresários para a região. "Um grupo já esteve em Jaguaribara e viu o açude para o processamento de pescado", a firma.
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