19/07/2008 14:13

Os agricultores acabaram sendo os mais prejudicados com o crescimento e o desenvolvimento de Jaguaribara. Na cidade antiga, a maioria morava na beira do açude. Eles tinham água suficiente e "solo bom" para plantar milho, batata e feijão. Alguns também criavam gado. Atualmente, eles foram deslocados para algumas localidades próximas à sede do município. No assentamento Mandacarú, por exemplo, os moradores ainda esperam por um projeto de irrigação.
"Está muito pior agora. Antes a gente plantava e criava gado. Aqui só dá para plantar no inverno", lamenta a agricultora Maria de Fátima Pereira, 42, que mora com o marido e quatro filhos. Para piorar, o inverno deste ano, segundo o agricultor Rafael Paiva, 36, foi "Muito ruim". Choveu demais. "Tirei apenas seis sacos de feijão. Antes tirava até 20", lamenta.
Enquanto o próximo inverno não vem os agricultores se viram como podem. Francisco Felício, 59, e Antônio Carlos Oliveira, 70, fazem bicos em chácaras da região. "Quando chamam a gente vem. Mas não é sempre que tem trabalho", afirma Felício. Mesmo assim, ele diz que gosta da nova Jaguaribara. "Antes a gente não tinha casa. Vivia dois ou três meses em um lugar e depois saía. Agora temos nosso próprio canto".
O tesoureiro do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Jaguaribara, Antônio Valdenez Saldanha, reclama que as famílias não podem utilizar das águas do Canal da Integração para o plantio. "O Canal não ajuda em nada o pessoal da cidade", diz. De acordo com a prefeita Maria Emília Diógenes, os três projetos de irrigação devem começar a produzir a partir do próximo ano. "O Estado já investiu R$ 20 milhões. Falta só a liberação dos recursos para realizar a obra", afirma.
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