A questão da saúde dentro do processo de desenvolvimento do Estado, também é um capítulo a ser analisado. Segundo a professora da faculdade de Medicina da UFC, Raquel Rigotto, é necessário um diálogo
19/07/2008 14:13

"O desenvolvimento tem que estar voltado para a superação das desigualdades regionais. A economia não tem sentido se não for para isso", diz Raquel Rigotto, professora da faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC). Raquel pesquisa a saúde dentro do processo de desenvolvimento do Ceará. No caso do setor calçadista, o resultado da pesquisa iniciada em 2004 e finalizada em 2007 foi preocupante. "Verificamos qual o nível da população local nesses empregos, a saúde no trabalho e a maneira como as pessoas são tratadas", explica. Raquel complementa que através de depoimentos de trabalhadores do setor calçadista percebeu que as relações de trabalho são marcadas por assédio moral, humilhação e exigências "descabidas", principalmente para os que sofrem algum tipo de acidente de trabalho.
A médica pontua que a dimensão da saúde nos grandes empreendimentos previstos para o Estado não se dará apenas dentro do trabalho. "A exposição dos trabalhadores ao carvão, a gases tóxicos, ruídos elevados, tudo preocupa. As comunidades dos entorno sentirão os efeitos", diz.
Na semana passada, Raquel foi convidada a dar palestra para moradores das comunidades do entorno do Porto do Pecém. "As comunidades precisam é de garantia do acesso a terra, políticas públicas de saúde e educação. Não precisam desses empreendimentos para serem mais felizes. A siderúrgica, por exemplo, vai está voltada para produzir chapa de aço, o que não tem nada a ver com as necessidades do povo cearense. Não há diálogo entre desenvolvimento e as comunidades", finaliza. (DP)
EMAIS
Em obras
- A termelétrica MPX já está em obras. A promotoria da comarca de São Gonçalo havia conseguido uma liminar para barrar o início das obras alegando que o uso do carvão seria prejudicial, mas liminar caiu na seqüência. A equipe de reportagem não foi autorizada a entrar no local exato da obra, que está cercada por seguranças particulares.
- No local onde deve se instalar a siderúrgica, homens já começam a trabalhar no local. Na quarta-feira, 16, cerca de oito homens trabalhavam no local.
- A população local teme que lagoas sejam aterradas e a vegetação sofra no processo de desapropriação.
- Do alto do viaduto na CE-085, que passa por cima da CE-442 que segue rumo ao Porto, já dá para avistar as obras do canal da integração, que promete garantir água para os empreendimentos.
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