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Economia

SUSTENTÁVEL?

Impasses sobre empregos e questão ambiental

A geração de empregos provoca ansiedade e esperança quando se pensa em desenvolvimento. O meio ambiente, por sua vez, é a temática da vez em sociedades cada vez mais preocupadas com o futuro do planeta


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19/07/2008 14:13


Os recursos naturais são a base do desenvolvimento econômico. Para a construção de grandes empreendimentos, a questão ambiental é pensada desde cedo e envolve a sociedade civil como um todo. No olho do furacão, os muitos empregos que podem ser gerados. Isso faz com que a preocupação com o meio ambiente caminhe lado a lado com as propostas de desenvolvimento econômico pensados para uma região.

"A situação é de procura por um falso desenvolvimento, puramente econômico, pois beneficia grupos pequenos de empresários. A sociedade não ganha com isso", defende Vanda Claudino, professora do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Ceará (UFC) e doutora em Meio Ambiente. Para Vanda, a quantidade de emprego gerados é reduzida tendo em vista os problemas ambientais que proporcionam. "Os grandes empreendimentos previstos para o Ceará não resolvem a vida da maioria da população. Para os que moram no entorno é péssimo. Vai desde o aumento do custo de vida até a degradação ambiental. Significa expulsão da população de baixa renda", diz. Vanda se diz defensora de um desenvolvimento que de fato envolva as populações mais simples. "A riqueza que estimam que será gerada só serve para colocar o Ceará em relatórios, em rankings, mas não traz desenvolvimento social".

A engenheira de pesca mestre em Gestão Costeira, Soraia Tupinambá afirma que a idéia de que o desenvolvimento vai gerar empregos tem um forte apelo junto à população. "A população não tem idéia do que está se passando. As comunidades do entorno do Pecém têm características rurais e de pesca, o que já é uma questão agravante quando se pensa em grandes empreendimentos", diz, complementando que nesse caso, "a pobreza e a falta de uma organização social são potencializadas.

O outro lado
O economista Alcântara Macedo pensa diferente. "Sem investimentos desse porte não tem o que fazer. Sem investimentos não tem emprego", diz. Ele acredita que a siderúrgica, a termelétrica e a refinaria - ainda tratada como hipótese, pelo governador Cid Gomes - servirão para potencializar todo o entorno da região, com a atração de novas empresas, melhorando inclusive as pequenas e médias iniciativas comerciais do lugar. "Não apoiar esses empreendimentos é uma estupidez e falta de amor às próximas gerações", diz, complementando que o potencial do Porto do Pecém vai se mostrar ainda mais com a chegada desses empreendimentos.


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Comentários

O desenvolvimento sustentável, que está bem descrito no Documento da Agenda 21 (RIO, 1992), aponta para a solução do impasse. O emprego em projetos que tenham sustentabilidade é a saida. As termelétricas à carvão geram emprego "sujo", mas geram doenças, ambientes insalubres e impacto ambiental grave. A geração de energia solar gera emprego sem agredir a natureza. A agroecologia gera muito mais emprego do que a agricultura baseada em agrotóxico e alto consumo de insumos. A reforma agrária gera muito mais empregos do que projetos do agronegócio.

Francisco Mendes

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