Dalviane Pires
da Redação
O Ceará ganha fôlego na expectativa da chegada de grandes empreendimentos. Nessa moeda de ouro, de um lado, a promessa de geração de empregos e o aumento da arrecadação de impostos. Do outro, incertezas sobre o tipo de desenvolvimento que queremos, precisamos ou efetivamente teremos. A dúvida é: estamos preparados para o "progresso"?
19/07/2008 14:13

"E eu tenho mais de mil perguntas
e tenho mais de mil perguntas sem respostas
estou ligada num futuro blue"
Elis Regina
O Houaiss é claro: de.sen.vol.vi.mento s.m 1. Crescimento 2. Adiantamento, progresso. Na mesma linha, desenvolvimento sustentável é definido como um "desenvolvimento planejado a fim de não esgotar ou degradar os recursos naturais". Mas qual o custo desse progresso? Quem ganha e quem perde? Ao longo da edição, você acompanha o outro lado da valiosa moeda do desenvolvimento, tendo como foco o crescimento econômico previsto para o Ceará nos próximos anos com a chegada de grandes empreendimentos como a siderúrgica, refinaria, Zona de Processamento de Exportação (ZPE) e exploração de fosfato na jazida de Itataia (próximo de Santa Quitéria). Fora a visão de futuro, O POVO traz ainda exemplos de onde o desenvolvimento passou raspando e deixou marcas, como em Nova Jaguaribara, com a construção do açude Castanhão; Icaraí, com o avanço do mar em decorrência da construção do Porto do Mucuripe; e o próprio Pecém, cuja a construção do porto marcou a vida de famílias desapropriadas na época.
"Não existe modelo ideal de desenvolvimento. Cada realidade indica opções e trajetórias específicas", afirma Tânia Bacelar, economista e professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Tânia explica que o desenvolvimento, para ser sustentável, precisa atender a exigências como a execução de uma atividade economicamente viável, uma produção organizada para chegar ao mercado consumidor, a necessidade da distribuição de renda beneficiando o maior número de pessoas possível e a não degradação do meio ambiente. "O desenvolvimento precisa ser de dentro para fora. No caso de empreendimentos como refinaria e siderúrgica é o contrário. É o que chamamos de desenvolvimento exógeno, que deixa muito pouco para o local onde está instalado", diz.
A professora destaca a importância econômica dos empreendimentos que estão previstos para o Ceará, mas complementa que os projetos de desenvolvimento não podem ficar restritos a eles. "É preciso preparar as comunidades do entorno desses empreendimentos, investir em qualificação", defende Tânia. Ela cita como exemplo o Porto de Suape, em Pernambuco. "O Suape foi construído em um dos pedaços mais bonitos do litoral de Pernambuco. O turismo saiu de lá e agora é mais forte ao sul, em Porto de Galinhas. Existe um grande hotel próximo a Suape que já passa por problemas", complementa.
O que é melhor
Para o economista Alcântara Macedo, os empreendimentos previstos para o Estado precisam ver vistos como uma forma de proporcionar melhores níveis de renda e padrão de vida para os cearenses. "Não podemos deixar de explorar nossas potencialidades", diz. Macedo defende ainda que não há desenvolvimento sem riqueza e que todo desenvolvimento tem efeitos colaterais, onde pelo menos uma minoria é penalizada. "Nós precisamos é de um pólo petroquímico (no Pecém). Precisamos produzir matérias-primas para que outras indústrias sejam atraídas para o Ceará". Macedo afirma que com os empreendimentos conquistados, significam maior arrecadação de impostos, mais infra-estrutura, mais saúde e mais escola. "É preciso transformar o desenvolvimento em benefícios para a população. Estou batendo palmas para esses empreendimentos, mas é preciso uma política séria de inclusão social", argumenta.
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LEIA AMANHÃ
Entrevista com o historiador José Miguel Couto, sobre o exemplo de Cubatão, em São Paulo.
Elogios ao que era para ser prática normal na imprensa A matéria intitulada de ?A outra face do desenvolvimento?, do Jornal O Povo (20/07/08), exibi o outro lado do mega-desenvolvimento previsto para a área entorno do porto do Pecém-CE (siderúrgica, refinaria, Zona de Processamento de exportação e a cadeia de indústrias que estes empreendimentos compõem). O Blog dos RastreadoreS de ImpurezaS já tinha questionado este desrespeito para com a população cearense de dar enfoque ao tema para apenas um dos lados, no caso, o lado positivo da economia cearense a de se igualar as maiores economias do Brasil (a destacar sempre os benefícios que esta ?revolução? da industrialização tardia poderá trazer ao estado, entre elas o mais forte argumento junto a população ? gerar empregos). O reporte Dalviane Pires, do O Povo, absorveu toda angústia de um povo sofrido que não vê sentido erguer galpões e torres ao lado ou por cima dos seus quintais. A expeculação imobiliária, as desapropriações sem nexo, a problemática dos nativos e a invasão industrial a deturpar seus costumes, suas culturas, suas vidas... + No BloG DoS RastreadoreS de ImpurezaS
Tiago Feitosa Viana