Henriette de Salvi
Enviada ao Pecém
Foi celebrado o início das obras de instalação da Usina Termelétrica Porto do Pecém. A construção da usina estava embargada por questões ambientais, mas foi liberada no fim de junho
05/07/2008 00:39

"Dia 4 de julho de 2008 deve entrar para a história do desenvolvimento do Ceará". A frase de efeito dita pelo governador Cid Gomes refere-se à diferença entre importar 100% da energia elétrica que o Estado necessita e ser auto-suficiente, podendo chegar a exportar. Essa é a expectativa apontada ontem durante a cerimônia de celebração do início das obras para instalação da Usina Termelétrica Porto do Pecém.
O equipamento, fruto de uma parceria entre a Energias do Brasil (holding do Grupo Energias de Portugal) e a MPX Energia (empresa do grupo EBX - do empresário Eike Batista), terá capacidade instalada de 720 megawatts e exigirá um investimento total de cerca de US$ 1,2 bilhão. A promessa é de geração de 4.500 empregos diretos e indiretos na construção.
"Com os 720 megawatts daqui mais os 500 do parque eólico que será instalado ao longo do litoral - e será o maior da América Latina, perdendo apenas para o da Califórnia - somados aos 50 megawatts do parque de energia solar que será instalado em Tauá, teremos um total de 1.270 megawatts, ou seja, mais do que os 1.250 que o Ceará precisa para iluminar suas casas e alimentar suas indústrias", discursou Cid afirmando que depois de suprir as próprias necessidades o Estado passará a exportar energia.
O governador também fez questão de falar que conhecia todo o processo que será implantado para geração de energia na usina. Ele garantiu que os meios de produção, que utilizará o carvão vegetal como principal insumo, é o mesmo utilizado na termelétrica de Sines, em Portugal, onde esteve visitando. "A União Européia tem critérios muito rigorosos com as questões do meio ambiente e os mesmo critérios serão aplicados aqui", disse.
Para o presidente da MPX, Eduardo Karrer, nem mesmo as questões jurídicas envolvendo os possíveis impactos ambientais ao ecossistema da região serão impedimentos. "Eu acho que o Brasil é uma democracia e faz parte da democracia você ter questionamentos, perguntas, dúvidas. A nossa tranqüilidade é que usamos o que há de mais moderno em termos tecnológicos e cumprimos todas as normas e requisitos exigidos e por isso temos absoluta tranqüilidade que no final do dia o empreendimento vai ser vitorioso por conta dessa excelência ambiental e tecnológica", declarou.
O presidente do Tribunal de Justiça do Ceará (TJ-CE), desembargador, Fernando Luiz Ximenes Rocha, suspendeu no final de junho a liminar do juiz da comarca de São Gonçalo do Amarante, José Cavalcante Júnior que, desde o fim de maio, proibia o início das obras da termelétrica.
Ainda segundo Cid Gomes o prazo para o início da geração é o segundo semestre de 2011. Ele chegou a brincar com o prefeito de São Gonçalo de Amarante, município onde se situa a Usina, que o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) do local seria ampliado em pelo menos cinco vezes.
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