Economia
225% AO ANO
Fuja da armadilha dos juros do cartão de crédito
O cartão de crédito pode se tornar um pesadelo para quem não consegue quitar a fatura total e entra no rotativo. Um débito de R$ 1 mil mais que triplica em um ano
Artumira Dutra
da Redação
22 Mar 2008 - 00h11min
O número de cartões de crédito em circulação hoje no País é bem maior do que toda a população brasileira. São 436 milhões de plásticos no Brasil quando somadas as três categorias: cartões de crédito, de débito e de loja/rede. Assim como cresce o uso deste meio de pagamento, cada vez mais pessoas não conseguem pagar a conta no fim do mês.
Mas o que fazer para escapar dessa armadilha financeira? Especialistas afirmam que pagar a fatura total é a única solução. Vale até pedir empréstimo para quitar o débito do cartão e fugir dos juros que, com o tempo, e em pouco tempo, crescem como uma bola de neve.
Os juros do crédito rotativo, aquele em que você só paga o valor mínimo da fatura e vai empurrando a dívida, estão entre os mais altos do mercado. Segundo a Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), as operadoras cobram, em média, 10,34% ao mês. Isso dá 225,68% ao ano. Traduzindo: se a pessoa rolar uma dívida de R$ 1 mil em um ano, esse valor sobe para R$ 3.256,83 - mais do que o triplo do valor inicial. Vale lembrar que algumas administradoras cobram 12,6%, 13% e até 14% de juro.
Para o economista José Maria Porto, o consumidor paga bem mais que a taxa de juros visível. Tem o Imposto sobre Operações Financeira (IOF) que é cobrado de duas formas: 0,38% na abertura de todas as operações de crédito, exceto operações de leasing e imobiliárias, e 0,0082% ao dia no caso de pessoa física, cobradas como alíquota adicional nas parcelas dos financiamentos dos bancos, do cartão e do cheque especial.
Ele destaca que além dos juros e da cobrança do IOF tem ainda o pagamento de multa de 2% sobre o valor da fatura atrasada, mesmo que seja por um dia. "A primeira conta que a pessoa deve pagar é a fatura do cartão de crédito porque a multa é muito alta e os encargos financeiros mais ainda", comenta, ressaltando que quem não pode pagar a dívida total não deve parcelar pelo cartão. Deve buscar um empréstimo por uma instituição financeira, que cobra juros menores. "Mas atenção: o empréstimo deve ser para quitar a fatura", diz, observando que a pessoa deve evitar ficar com duas dívidas - a do cartão e a do empréstimo.
O coordenador do curso de Economia da Universidade de Fortaleza (Unifor), Marcelo Menezes, diz que o ideal é não deixar o débito crescer. Para isso, segundo ele, vale antecipar o 13º salário e a restituição do Imposto de Renda, para quem pode utilizar essas linhas de crédito. Ou até fazer um empréstimo pessoal para pagar o cartão porque o juro sai pela metade. Ele também recomenda que ninguém deve entrar no rotativo porque pode até conseguir pagar nos primeiros meses mas depois cai numa armadilha e não consegue sair dela porque os juros muito altos só elevam o valor a pagar. "Comprar no cartão de crédito só vale a pena se for para pagar à vista", conclui.
O vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel Ribeiro, diz que o juro cobrado pelas administradoras de cartão de crédito são o segundo mais caro. Ele só perde para o juro do cheque especial e acima dele tem o das financeiras. Explica que muitas vezes é preciso deixar de pagar para obter uma negociação aceitável. "Quanto mais tempo sem pagar maior o desconto", afirma. Difícil é ficar um tempo sem crédito, com o nome no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), Serasa e agüentar a pressão das cobranças.
PRÓS E CONTRA DO CARTÃO DE CRÉDITO
VANTAGENS
- Não é preciso ter dinheiro ou cheque na hora da compra
- O cliente obtém um prazo a mais para pagar a compra. Em alguns casos até 40 dias
- Dependendo do cartão, não é necessário pagar anuidade
DESVANTAGENS
- Os juros cobrados no crédito rotativo, quando a fatura não é paga integralmente, estão entre os mais altos. Segundo a Anefac, só perdem para os das financeiras. Em fevereiro, custavam, em média, 10,3%. Mas há operadoras que cobram 12%, 13% e 14%.
- Cobra multa de 2% sobre o valor quando a fatura não é paga no dia do vencimento.
SIMULAÇÕES
- Considerando os juros médios de 10,3% um débito de R$ 1 mil, rolado durante um ano, passa a valer R$ 3.256,83 - mais que o triplo do valor inicial.
- Um valor de R$ 200 não pago durante um ano passa para R$ 651,37.
SERVIÇO
- A Anucc tem um manual prático de orientação para a negociação de dívida com cartão de crédito www.anucc.org.br ou telefone 3104-9499 ou e-mail anucc@anucc.org.br. No guia, a principal recomendação é pedir imediatamente uma proposta de renegociação, aliada ao direito de solicitar o cancelamento do cartão de crédito no ato da comunicação.
- Abecs - Informações: www.abecs.com.br, (11) 3244-9930 e abecs@abecs.org.br.
Mas o que fazer para escapar dessa armadilha financeira? Especialistas afirmam que pagar a fatura total é a única solução. Vale até pedir empréstimo para quitar o débito do cartão e fugir dos juros que, com o tempo, e em pouco tempo, crescem como uma bola de neve.
Os juros do crédito rotativo, aquele em que você só paga o valor mínimo da fatura e vai empurrando a dívida, estão entre os mais altos do mercado. Segundo a Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), as operadoras cobram, em média, 10,34% ao mês. Isso dá 225,68% ao ano. Traduzindo: se a pessoa rolar uma dívida de R$ 1 mil em um ano, esse valor sobe para R$ 3.256,83 - mais do que o triplo do valor inicial. Vale lembrar que algumas administradoras cobram 12,6%, 13% e até 14% de juro.
Para o economista José Maria Porto, o consumidor paga bem mais que a taxa de juros visível. Tem o Imposto sobre Operações Financeira (IOF) que é cobrado de duas formas: 0,38% na abertura de todas as operações de crédito, exceto operações de leasing e imobiliárias, e 0,0082% ao dia no caso de pessoa física, cobradas como alíquota adicional nas parcelas dos financiamentos dos bancos, do cartão e do cheque especial.
Ele destaca que além dos juros e da cobrança do IOF tem ainda o pagamento de multa de 2% sobre o valor da fatura atrasada, mesmo que seja por um dia. "A primeira conta que a pessoa deve pagar é a fatura do cartão de crédito porque a multa é muito alta e os encargos financeiros mais ainda", comenta, ressaltando que quem não pode pagar a dívida total não deve parcelar pelo cartão. Deve buscar um empréstimo por uma instituição financeira, que cobra juros menores. "Mas atenção: o empréstimo deve ser para quitar a fatura", diz, observando que a pessoa deve evitar ficar com duas dívidas - a do cartão e a do empréstimo.
O coordenador do curso de Economia da Universidade de Fortaleza (Unifor), Marcelo Menezes, diz que o ideal é não deixar o débito crescer. Para isso, segundo ele, vale antecipar o 13º salário e a restituição do Imposto de Renda, para quem pode utilizar essas linhas de crédito. Ou até fazer um empréstimo pessoal para pagar o cartão porque o juro sai pela metade. Ele também recomenda que ninguém deve entrar no rotativo porque pode até conseguir pagar nos primeiros meses mas depois cai numa armadilha e não consegue sair dela porque os juros muito altos só elevam o valor a pagar. "Comprar no cartão de crédito só vale a pena se for para pagar à vista", conclui.
O vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel Ribeiro, diz que o juro cobrado pelas administradoras de cartão de crédito são o segundo mais caro. Ele só perde para o juro do cheque especial e acima dele tem o das financeiras. Explica que muitas vezes é preciso deixar de pagar para obter uma negociação aceitável. "Quanto mais tempo sem pagar maior o desconto", afirma. Difícil é ficar um tempo sem crédito, com o nome no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), Serasa e agüentar a pressão das cobranças.
PRÓS E CONTRA DO CARTÃO DE CRÉDITO
VANTAGENS
- Não é preciso ter dinheiro ou cheque na hora da compra
- O cliente obtém um prazo a mais para pagar a compra. Em alguns casos até 40 dias
- Dependendo do cartão, não é necessário pagar anuidade
DESVANTAGENS
- Os juros cobrados no crédito rotativo, quando a fatura não é paga integralmente, estão entre os mais altos. Segundo a Anefac, só perdem para os das financeiras. Em fevereiro, custavam, em média, 10,3%. Mas há operadoras que cobram 12%, 13% e 14%.
- Cobra multa de 2% sobre o valor quando a fatura não é paga no dia do vencimento.
SIMULAÇÕES
- Considerando os juros médios de 10,3% um débito de R$ 1 mil, rolado durante um ano, passa a valer R$ 3.256,83 - mais que o triplo do valor inicial.
- Um valor de R$ 200 não pago durante um ano passa para R$ 651,37.
SERVIÇO
- A Anucc tem um manual prático de orientação para a negociação de dívida com cartão de crédito www.anucc.org.br ou telefone 3104-9499 ou e-mail anucc@anucc.org.br. No guia, a principal recomendação é pedir imediatamente uma proposta de renegociação, aliada ao direito de solicitar o cancelamento do cartão de crédito no ato da comunicação.
- Abecs - Informações: www.abecs.com.br, (11) 3244-9930 e abecs@abecs.org.br.
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