Economia
PECÉM
Construção da siderúrgica só em 2009
A siderúrgica do Pecém é irreversível. É o que afirma o presidente da Adece, Antônio Balhmann, sobre o projeto da Dongkuk Steel em parceria com a Vale. As duas empresas já assinaram termo de entendimento e o licenciamento ambiental já começa a ser preparado
Artumira Dutra
da Redação
01 Mar 2008 - 00h55min
Balhmann diz que o Governo está admitindo o ano de 2008 como de definição de projetos de engenharia. A construção fica para 2009. "A meta audaciosa é implantar a usina até o final de 2010 e, no mais tardar, no primeiro semestre de 2011". Ele diz que o momento é de sondagem, de alimentar o projeto com informações, identificar a posição do auto-forno, por exemplo, e manter contatos com as empresas coreanas para formar um cluster ao redor da siderúrgica e estimular a vinda de outros investimentos. Adianta que, em abril, visita a Coréia. É de lá que virão os equipamentos. "Mas estamos trabalhando para que o que puder seja produzido e adquirido aqui para dar mais impacto na economia", comenta.
Ele também destaca que a termelétrica Genpower reservou área para duas usinas. Uma de 700 MW vai usar coque de petróleo (um tipo de carvão) e outra de 600 MW vai usar óleo combustível. A MPX Energia, do empresário Eike Batista, anunciou a obtenção de um empréstimo-ponte equivalente a US$ 270 milhões para financiar parte da implementação do projeto UTE (usina termelétrica)Porto do Pecém. Ela está autorizada pelo Governo Federal e começa a ser construída este ano. E existe a possibilidade de instalação de outras pequenas térmicas movidas a óleo combustível.
Os contratos de empréstimo-ponte da MPX, no montante equivalente a US$ 270 milhões, foram celebrados com o Citibank, como banco líder, e com um sindicato de bancos formado por Banco do Brasil, Banco Espírito Santo, Grupo Banco Comercial Português, ING Bank, e West LB. Deverá ser quitado com os recursos provenientes dos contratos de financiamento de longo prazo que serão celebrados com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que já declararam o projeto UTE Porto do Pecém como elegível ao financiamento.
Balhmann ainda espera mais uma termelétrica, provavelmente da Vale, a carvão mineral. Segundo ele, no segundo semestre deverão ser realizados um dos leilões de energia. A previsão é de empreendimentos de 2GW. "Caso isso ocorra, a metade vem para o Ceará", comenta. Ressalta que a expectativa é que em 2008 se defina, para implantação até 2010 de 1 GW de eólica para ser produzido no Ceará e Rio Grande do Norte. "Desses, pelo menos 500 MW virão para o Ceará, o que significa mais US$ 1 bilhão", diz, considerando que já em 2008 o Estado terá energia além do que consome. Até dezembro de 2008 serão implantadas os projetos de eólica aprovados em 2007 e que vão gerar 500MW.
Procurada pela reportagem, a Vale, sugeriu, por meio de sua assessoria de imprensa, contatar o Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS), para falar sobre os impactos (ambientais, de criação de empregos etc) de um projeto siderúrgico a carvão mineral. Argumentou que a Vale é minoritária no projeto e que a sua área é mineração. A participação da empresa em projetos siderúrgicos é sempre minoritária, para incentivar a vinda dos grandes grupos siderúrgicos e a produção.
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