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O preços dos empregos do carvão

Qual o preço que a sociedade pagará pelos empregos gerados a partir das termelétricas e da siderúrgica a carvão? Ambientalistas e alguns especialistas discutem o assunto e tentam antecipar os possíveis impactos

Artumira Dutra
da Redação

29 Fev 2008 - 01h01min

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Governo cearense já programa a instalação de quatro grandes termelétricas e uma siderúrgica a carvão no Estado, na contramão da busca mundial por energias renováveis e limpas. Especialistas temem o impacto destes projetos (Divulgação)
O mundo busca as energias renováveis e limpas. No rastro dos estudos científicos que afirmam que a humanidade é responsável pelas mudanças climáticas globais desde a Revolução Industrial, países desenvolvidos procuram mudar a matriz energética buscando energias como a eólica, a biomassa, a solar e até o biodiesel. O Brasil vai na contramão e aprova projetos a carvão mineral para termelétricas. O governo do Ceará apóia essa "mudança" e já programa a instalação de quatro grandes termelétricas e uma siderúrgica a carvão, além de outras a óleo combustível, no Complexo Industrial e Portuário do Pecém.

O POVO ouviu especialistas no assunto e ambientalistas sobre os impactos que o meio ambiente e as populações circunvizinhas ao Pecém poderão sofrer com a implantação dos empreendimentos. A maioria considera a utilização do carvão como matriz energética um retrocesso e prevêem grandes problemas ambientais e de saúde pública.

A advogada ambientalista, coordenadora do programa Eco&Ação, Ana Echevenguá, diz que "Santa Catarina conta hoje com um desastre ambiental causado pelo carvão mineral, desde a extração nas minas, o beneficiamento, o transporte até a combustão na usina termelétrica Jorge Lacerda (gera 856mw/h - de propriedade da Tractebel / Suez, localizada em Capivari de Baixo/SC), a maior termoelétrica da América Latina. Por isso, a região Sul do estado de SC foi gravada como área crítica de poluição (Decretos nº 76.389/75 e 85.206/80)".

O presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico do Ceará (Adece), Antônio Balhman, diz que o Estado está na rota definitiva para a implantação de 3 gigawatts (GW) de energia, mais que o dobro do que o Estado precisa (hoje 1,2 GW). Essa energia virá 500 MW de usinas eólicas e o restantes de quatro grandes termelétricas movidas a fontes tradicionais (carvão mineral, coque de petróleo e óleo combustível) - uma da brasileira MPX e outras duas de 600 e 700 MW reservadas pela empresa multinacional Genpower.

De acordo com o presidente da Adece, a idéia é que o Pecém tenha além da infra-estrutura essencial, energia que vai capacitar o Estado para receber novos investimentos. Lembra que o planta de regaseificação que vai ser implantada no Pecém vai fornecer seis milhões de metros cúbicos de gás natural. Ressalta que o cenário futuro aponta para que o Estado mais apto a receber empreendimentos industriais não será aquele que ofereça apenas incentivos fiscais como atrativo, mas também infra-estrutura de energia e logística com rodovias, porto, aeroporto e ferrovia.

Sobre a siderúrgica que deve produzir 2,5 milhões de toneladas de aço/ano (primeira fase), ele minimiza o impacto ambiental. "É uma alternativa extremamente atualizada, moderna sob a ótica dos impactos de emissão de partículas", afirma, considerando que as emissões serão pelo menos quatro vezes abaixas do que o exigido pela legislação brasileira. Na avaliação de Balhman, o Ceará poderá até passar da condição de importador de energia para exportador. Lembra ainda que o planta de regaseificação que vai ser implantada no Pecém vai fornecer seis milhões de metros cúbicos de gás.


E- Mais

- O livro "Carvão: O combustível de Ontem" alerta a sociedade brasileira sobre o tema energia e, mais particularmente, a participação do carvão em nossa matriz energética. Ele destaca que não podemos desconsiderar que temos compromisso com o que chamamos "Cidadania Planetária", direitos e deveres com as futuras gerações. "Se no passado estivéssemos diante dos mesmos questionamentos, haveria sempre circunstâncias atenuantes, a ignorância dos impactos globais de sua queima e pouco conhecimento dos impactos locais e regionais de seu uso e de todo o ciclo de produção".

- De todos os combustíveis fósseis, o carvão é o que lança na atmosfera a maior quantidade de CO2, além dióxidos de Nitrogênio e Enxofre, por unidade de energia gerada. Em segundo lugar, vem o petróleo e, por último, o gás natural. Segundo dados do WorldWatch Institute, o petróleo corresponde a 43% das emissões globais relacionadas à energia e contém 23% a menos de Carbono por unidade de energia gerada do que o carvão.

- De acordo com o IPCC - Intergovernamental Panel on Climate Change, as conseqüências do aquecimento global são extremamente graves: aumento da temperatura média do Planeta de 3,5 a 5,8 °C, elevação do nível do mar sem precedentes conhecidos, aumento de doenças como a malária e a dengue, enfim, cenários de gravidade reconhecida pela comunidade científica.

- No Brasil, verificou-se recentemente o fenômeno "Catarina", que atingiu o litoral de Santa Catarina e norte do Rio Grande do Sul, quando uma pequena área de instabilidade atmosférica formou-se começando a configurar-se com uma circulação ciclônica, o que demonstra que teremos conseqüências graves em função das mudanças climáticas globais, sem que tenhamos estudos a respeito das nossas vulnerabilidades em relação às mudanças climáticas globais

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