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Economia

FORTALEZA

Inadimplência alta freia gastos

Camille Soares
da Redação

A taxa de inadimplência chega este mês ao maior índice do último ano. Enquanto isso, o comprometimento da renda e o endividamento diminuem, segundo pesquisa do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Comércio (IPDC). O resultado é ainda ressaca do Carnaval e das despesas do início do ano


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19/02/2008 00:13

Vendas do comércio registraram um desempenho acima da média nacional em 2007 (Foto: Alex Costa)
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Vendas do comércio registraram um desempenho acima da média nacional em 2007 (Foto: Alex Costa)

Fevereiro é mês de segurar os gastos e (tentar) pagar aquelas continhas típicas de início de ano, como material escolar e impostos. Para organizar essas tais despesas, algumas vezes, é preciso deixar em segundo plano aqueles pagamentos como o cartão de crédito e chegar ao limite do cheque especial. Esse cenário foi traçado na pesquisa "Taxas de endividamento do consumidor de Fortaleza", divulgada ontem pelo Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Comércio (IPDC).

Os dados da pesquisa apontam que a taxa de inadimplência em potencial cresceu, chegando ao maior índice dos últimos 12 meses, com 9,95%. Em contrapartida, as dívidas - ou contas em atraso - e o comprometimento da renda reduziram. O superintendente do IPDC, Alex Araújo, explica: "Com essa concentração de ocorrências em fevereiro, como Carnaval, IPTU (Imposto sobre Propriedade Territorial Urbana), material escolar, a renda disponível ficou muito comprometida e a inadimplência em potencial cresceu".

Para Araújo, a queda do endividamento já era esperada. "O consumo reduz em fevereiro, conseqüentemente, há uma diminuição do endividamento e do comprometimento de renda", avalia. Agora, o que se prevê para o próximo mês é uma redução da taxa de inadimplência. O grande vilão do endividamento foi o cartão de crédito que aumentou entre os fortalezenses de 75% em janeiro, para 77% em fevereiro.

Quando se fala em inadimplência, Araújo observa que há uma relação direta com os consumidores das classes D/E. A explicação, segundo ele, vem da baixa margem de endividamento dos compradores dessas classes. Assim, o comprometimento do orçamento com gastos como o material escolar acarreta em um atraso em outras contas. "A taxa de inadimplência é a mais alta em um ano, mas tem problemas específicos das classes D e E. A despesa escolar tem um peso alto, até porque as famílias mais pobres têm mais filhos", afirma.

De acordo com o superintendente, a pesquisa indica ao empresário que é hora de aquecer as vendas com uma política de promoções, reduções de preços, descontos à vista. "É fundamental para continuar com as vendas mais elevadas", destaca. Para ele, o comércio volta a ganhar força apenas em maio, com a chegada do Dia das Mães, segunda melhor data das vendas do varejo. Enquanto isso, a partir do próximo mês, os empresários se preparam, fazendo pedidos, principalmente de itens de vestuário, calçado e perfumaria.


Emais

Carnês e crediários

Carnês, crediários e afins também tiveram aumento em participação, passando de 31,36% em janeiro para 30,24% em fevereiro de 2008. O percentual de endividados por empréstimos pessoais teve leve alta, passando de 11,73% em janeiro para 12,19% em fevereiro de 2008.

A taxa de comprometimento da renda da população de Fortaleza ficou em 18,88% em fevereiro de 2008. No mesmo período do ano passado, esse índice foi de 20,97%. Entre os mais comprometidos deste mês destacam-se: as mulheres (19,27%), consumidores com idade entre 25 e 34 anos (22,09%), 2º grau de escolaridade (19,12%), renda familiar mensal superior a 10SM (23,31%) e pertencentes à classe D/E (20,42%).

O sexo feminino possui maior taxa de inadimplência em potencial: 9,55%. A idade com maior taxa de inadimplência em potencial está na faixa 25 a 34 anos: 10,31%. A faixa de renda familiar que apresenta maior taxa de inadimplência em potencial é a Até 5 salários mínimos: 10,11%. A classe socioeconômica com maior taxa de inadimplência em potencial é a D/E: 15,06%.

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