Camille Soares
da Redação
A taxa de inadimplência chega este mês ao maior índice do último ano. Enquanto isso, o comprometimento da renda e o endividamento diminuem, segundo pesquisa do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Comércio (IPDC). O resultado é ainda ressaca do Carnaval e das despesas do início do ano
19/02/2008 00:13

Fevereiro é mês de segurar os gastos e (tentar) pagar aquelas continhas típicas de início de ano, como material escolar e impostos. Para organizar essas tais despesas, algumas vezes, é preciso deixar em segundo plano aqueles pagamentos como o cartão de crédito e chegar ao limite do cheque especial. Esse cenário foi traçado na pesquisa "Taxas de endividamento do consumidor de Fortaleza", divulgada ontem pelo Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Comércio (IPDC).
Os dados da pesquisa apontam que a taxa de inadimplência em potencial cresceu, chegando ao maior índice dos últimos 12 meses, com 9,95%. Em contrapartida, as dívidas - ou contas em atraso - e o comprometimento da renda reduziram. O superintendente do IPDC, Alex Araújo, explica: "Com essa concentração de ocorrências em fevereiro, como Carnaval, IPTU (Imposto sobre Propriedade Territorial Urbana), material escolar, a renda disponível ficou muito comprometida e a inadimplência em potencial cresceu".
Para Araújo, a queda do endividamento já era esperada. "O consumo reduz em fevereiro, conseqüentemente, há uma diminuição do endividamento e do comprometimento de renda", avalia. Agora, o que se prevê para o próximo mês é uma redução da taxa de inadimplência. O grande vilão do endividamento foi o cartão de crédito que aumentou entre os fortalezenses de 75% em janeiro, para 77% em fevereiro.
Quando se fala em inadimplência, Araújo observa que há uma relação direta com os consumidores das classes D/E. A explicação, segundo ele, vem da baixa margem de endividamento dos compradores dessas classes. Assim, o comprometimento do orçamento com gastos como o material escolar acarreta em um atraso em outras contas. "A taxa de inadimplência é a mais alta em um ano, mas tem problemas específicos das classes D e E. A despesa escolar tem um peso alto, até porque as famílias mais pobres têm mais filhos", afirma.
De acordo com o superintendente, a pesquisa indica ao empresário que é hora de aquecer as vendas com uma política de promoções, reduções de preços, descontos à vista. "É fundamental para continuar com as vendas mais elevadas", destaca. Para ele, o comércio volta a ganhar força apenas em maio, com a chegada do Dia das Mães, segunda melhor data das vendas do varejo. Enquanto isso, a partir do próximo mês, os empresários se preparam, fazendo pedidos, principalmente de itens de vestuário, calçado e perfumaria.
Emais
Carnês e crediários
Carnês, crediários e afins também tiveram aumento em participação, passando de 31,36% em janeiro para 30,24% em fevereiro de 2008. O percentual de endividados por empréstimos pessoais teve leve alta, passando de 11,73% em janeiro para 12,19% em fevereiro de 2008.
A taxa de comprometimento da renda da população de Fortaleza ficou em 18,88% em fevereiro de 2008. No mesmo período do ano passado, esse índice foi de 20,97%. Entre os mais comprometidos deste mês destacam-se: as mulheres (19,27%), consumidores com idade entre 25 e 34 anos (22,09%), 2º grau de escolaridade (19,12%), renda familiar mensal superior a 10SM (23,31%) e pertencentes à classe D/E (20,42%).
O sexo feminino possui maior taxa de inadimplência em potencial: 9,55%. A idade com maior taxa de inadimplência em potencial está na faixa 25 a 34 anos: 10,31%. A faixa de renda familiar que apresenta maior taxa de inadimplência em potencial é a Até 5 salários mínimos: 10,11%. A classe socioeconômica com maior taxa de inadimplência em potencial é a D/E: 15,06%.
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