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Estudo identifica dificuldades na produção de leite

A cadeia produtiva do leite entra em fase de avaliação hoje, com o lançamento do Estudo da Competitividade da Cadeia do Leite no Estado do Ceará

Camille Soares
da Redação

25 Jun 2007 - 02h22min

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Ao longo de oito anos, o Ceará vem dinamizando a produção de leite. Deixou de importar o leite cru resfriado, produzindo quantidade suficiente para abastecer o mercado interno, além disso, teve maior oferta de crédito para financiar a atividade e, agora, busca formas de aumentar seu mercado consumidor. Apesar de as melhorias obtidas desde 1999, a cadeia leiteira do Estado inicia hoje uma fase de avaliação pela Embrapa Gado de Leite, com o projeto de Estudo da Competitividade da Cadeia do Leite no Estado do Ceará.

Coordenado pela Organização das Cooperativas Brasileiras no Estado do Ceará (OCB-CE), o projeto será lançado hoje, reunindo Governo do Estado, universidades e entidades como Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-CE). Até o fim do ano, o resultado do estudo deve ser apresentado, apontando as potencialidades e, principalmente, os gargalos do setor.

De acordo com Raimundo Reis, consultor do setor produtivo de leite, diversos projetos governamentais já comprovaram que a pecuária é um projeto viável, inclusive no Nordeste. Com isso, segundo ele, o crédito agrícola cearense saiu dos R$ 8 milhões em 2000 para R$ 30 milhões, em 2005. "Hoje o Ceará não importa mais leite cru, o que se processa nas indústrias é produzido no Estado", observa Reis. De 2000 para cá, o processamento de leite saiu de 230 mil litros/dia para 450 mil litros/dia.

Reis aponta que na produção agropecuária, a bovinocultura leiteira é responsável por movimentar R$ 700 milhões/ano, gerando cerca de 22 mil empregos diretos em todo o Estado. "É o maior valor de bruto de todas as atividades (agropecuárias)", destaca. A previsão do consultor é que o estudo trace um cenário até 2020, definindo o que o Ceará precisa para desenvolver a cadeia de forma sustentável, o que deve elevar esses indicadores. "É preciso se organizar para estar preparado neste mercado globalizado", afirma.

No estudo, serão visitadas as oito bacias leiteiras do Estado para que sejam identificadas as principais dificuldades de cada área. Mas o que Reis ressalta é que os trabalhos serão feitos em diversos pontos da cadeia. "Os pesquisadores vão fazer visitas ao setor laticinista e ao varejo", destaca. As oito bacias contabilizam 85 municípios que respondem por 76% do leite produzido no Estado.

Segundo o consultor, o mercado consumidor desses municípios deve ser ampliado. As possibilidades defendidas por ele são aumentar a quantidade de leite nos programas sociais do Governo do Estado e começar a pensar na exportação. Esta seria, para ele, a opção mais "palpável". "O Estado não produz nenhum dos dois principais produtos de exportação (leite em pó e leite condensado). Não tem indústria para produzir esses produtos", alerta.


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