31/10/2007 02:55
Estação Ecológica de Aiuaba, região do Inhamuns, 9 horas do dia 7 de outubro de 2007. Anotações de campo. Duas horas e meia de caminhada não foram suficientes para percorrer 11.525 hectares da maior floresta de caatinga do mundo. Não havia mais tênis e o fotógrafo passava mal com o calor, a falta de um cantil e o sol de ferver. Mas, atrás do passo incansável do mateiro Antonio Martins da Silva, 49, funcionário do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (antigo Ibama), conseguiu-se percorrer 14 quilômetros. Foram 2h30min para constatar que a mata cinza, quase intocada, é um cinturão natural de prevenção contra a desertificação.
Criada por decreto em 6 de fevereiro 2001, a Estação é uma reserva natural de mais de 100 espécies de plantas como a braúna, angico, aroeira, pereiro, cumaru e diversas cactáceas. "Temos também um banco de mudas para incentivar o plantio de árvores. No que se refere à fauna, já foram catalogadas onças vermelhas, veados, macacos de pequeno porte, papagaios e outros animais", revela Manuel Alencar, chefe da Estação de Aiuaba. A reserva possui também 16 açudes e algumas lagoas intactas.
Mas, para 11.525 hectares de estação, o governo federal disponibiliza apenas sete funcionários. Com dois agravantes: alguns deles são empregados temporários e nenhum é fiscal de formação. O que torna a área vulnerável à invasão de caçadores e pequenos roceiros. "A fiscalização e o repasse de verba são precários. O universo de degradares é muito grande. Quando temos alguma denúncia de roça, queimada ou tráfico, solicitamos gente do escritório regional de Iguatu ou Crato", diz Manuel Alencar.
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