Eduardo Sávio Martins Rodrigues
31/10/2007 02:55
As mudanças climáticas podem ser vistas em um sentido mais amplo como mudanças ambientais globais, sendo o clima uma das componentes. Entre estas mudanças podemos citar a desertificação e degradação ambiental, as quais têm como forçantes tanto o clima como as ações antropogênicas, provocando perdas na produção agrícola, na segurança alimentar e na disponibilidade de recursos hídricos.
Relacionada a estas está, assim, a disponibilidade de recursos hídricos, e consequentemente espera-se um futuro com mais conflitos de qualidade e quantidade de águas, uma ameaça sobre o abastecimento humano que, junto com o problema de degradação da terra, provoca a migração populacional para os centros urbanos já conhecida do povo nordestino. Não se pode esquecer também os impactos decorrentes sobre a biodiversidade e a qualidade dos serviços ambientais fornecidos pela natureza. Ou seja, é um sistema complexo que afeta não só aspectos físicos, mas também sócio-econômicos, e o ser humano está no centro da questão.
A agenda do momento é a redução das emissões de gases estufa e, entre as estratégias para o alcance deste objetivo, tem-se o uso mais difundido de energias limpas, a melhoria da eficiência do uso do combustível fóssil e, mais uma vez, elaboração de estratégias de adaptação. E o que significa essa adaptação? É exatamente o ajuste desses sistemas ambientais, sistemas sociais, econômicos para essas mudanças que estão sendo sinalizadas, visando reduzir a vulnerabilidade, amenizar danos e captar oportunidades.
Entre as oportunidades tem-se, por exemplo, o mercado de energias limpas (eólica/solar) e de bio-combustíveis. O Nordeste tem um potencial enorme nestas áreas e, já observa-se em algumas regiões do País, uma verdadeira corrida de substituição de áreas antes dedicadas à produção de grãos para áreas de cana-de-açucar, mamona, entre outras culturas. No caso do Nordeste é uma oportunidade, uma vez que simplesmente estaremos, na grande maioria dos casos, trabalhando em áreas, antes não utilizadas, para geração de bio-combustível, como é o caso da mamona.
Eduardo Sávio Martins Rodrigues - Presidente da Funceme