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Desertos do Sertão

Contra a degradação na Serra


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31/10/2007 02:55

Aratuba é uma cidade na zona de transição entre a caatinga que se estica pelo Sertão Central e o resto de mata atlântica cearense que sobrevive no Maciço de Baturité. Como região serrana, é área de intensa degradação provocada pelo homem. A ciência admite que a seqüência de práticas agrícolas erradas e o mau aproveitamento do solo aliados à condição climática e a fenômenos globais como o aquecimento do planeta, mesmo em um pé-de-serra, também podem desencadear um processo de desertificação.

Era o que se passava, até alguns anos atrás, em comunidades aratubenses. Nas localidades, as plantações seguiam linhas morro abaixo. O agricultor deixava a água escoar em época de chuva, sem contenções que a fizessem se armazenar na própria terra para as épocas mais difíceis. O morador queimava o solo porque não sabia fazer diferente. Muitos ainda fazem errado, mas já se segue o jeito correto.

Há quatro anos, o Programa de Desenvolvimento Hidroambiental do Estado (Prodham) repassa a sete comunidades de Aratuba as técnicas ambientais e de conservação que ajudam a refazer o chão acabado. Pelas enxurradas não contidas ou pelo homem desinformado. Apoio a cerca de 400 famílias. O trabalho chega a uma área de 6.500 hectares na microbacia do rio Pesqueiro.

Nos cordões de pedras (uma das técnicas para reter no solo a água que desce a serra), já há sedimentos acumulados que encobriram até duas barreiras. As plantações são a maioria em curvas de nível. Já há mudança de cultura nas plantações. "Temos uma ou outra comunidade de Aratuba que não estamos trabalhando porque elas mesmas não quiseram", diz o agrônomo Erivan Abraão Maia, coordenador do Prodham no município.

Também há problemas. Desde novembro de 2006, o Prodham de Aratuba não recebe o repasse, que variava de R$ 18 mil a R$ 25 mil até então. "Atrasou por causa da mudança de governo. Houve um erro, o convênio chegou a ser extinto.

Fizeram outro contrato para usar o saldo que tinha. Estamos aguardando a publicação", justifica o coordenador local. Desde o começo, o programa não fez a medição do acúmulo de sedimentos nas barreiras de pedras. Não se sabe ainda o tamanho da área próxima degradada. O verde da serra ainda camufla problemas. Mas, in loco, é possível ver os efeitos. Fruteiras carregadas em pleno estio, a capoeira fina agora é mato alto, o chão que "derretia" já não desmorona onde se controla. "Você vê que as plantas estão diferentes".

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