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Desertos do Sertão

Abelhas, graviolas, soins e raridades


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31/10/2007 02:55


Havia rio sem água e chão rachado sem nenhum mato ao lado. "Era muito seco, degradado". Agora, na mata ciliar da bacia do Cangati, ao lado da BR-020, a menos de 40 km de Canindé, dá sabiá, cancão, juriti, graviola de sete quilos, mel o ano todo, famílias de soins que vem comer na mão. Os bichos, o verde e a prosperidade ao mesmo tempo. Quem vê pela primeira vez se surpreende. Alguns quilômetros adiante pela rodovia, a paisagem é a mesma: cerca de pau, caatinga e sequidão.

Marcos Aurélio Crisóstomo de Souza, 33, tem fama de "ambientalista" no Iguaçu. Os 1.200 quilos de mel que produz por ano nem são a principal fonte de renda em casa. As polpas de graviolas graúdas, goiabas, mangas e o debulhar de milho na safra são mais rentáveis. Fruta tem o ano todo. Marcos tem 50 caixas de colméias com abelhas italianas.Começou só com seis caixas e com a ajuda do Prodham, que deu também as indumentárias, fumegadores e assistência técnica. Dos nove primeiros, subiu para 25 produtores. As abelhas agora aparecem sozinhas. Quatro anos atrás, no início do programa, as abelhas não procurariam galhos sem folhas.

O reflorestamento com sementes da região, com as barragens e com as frutíferas criou um pomar de encher nossos olhos na beira do rio. Enche também o bico dos pássaros. Há muitos deles, de muitos cantos, sob a grande sombra. "Apareceram espécies que eu não via por aqui". Marcos descreve que um deles é um "picapau preto e branco, as costas da cor do azulão, que brilha no sol, a parte de baixo do bico é branca". Diz ter visto a espécie, talvez rara, duas vezes. Coisas inimagináveis do sertão.

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