31/10/2007 02:55

A localidade de Boqueirão das Vertentes, em Jaguaribe, não sabe o que é chuva há seis meses. A aridez e o desmatamento indiscriminado acentuaram o processo de desertificação no distrito. Diante disso, a população comemora que o único açude da região ainda tenha água. O problema é que o reservatório precisa ser utilizado também pelos animais. Todo dia, a dona-de-casa Maria Simone Siqueira Alves, 34, vai buscar água com balde. Sempre olhando para o chão, para não pisar nas fezes do gado, que, quando a chuva bate, são arrastadas para o açude. "Eu filtro a água, mas não tenho certeza se isso é suficiente (para retirar as impurezas). De qualquer forma, tô aqui há um ano e não tive dor de barriga".
Simone e o marido, que já tem um filho de 11 anos de outro casamento, deixaram a sede de Jaguaribe por causa do desemprego. O homem trabalha como vaqueiro na fazenda João Cipriano e ganha R$ 300 por mês, usados para a compra de mantimentos no mercadinho de Vertente. "Quero entrar para o Fome Zero, porque nosso dinheiro não está dando", diz a dona-de-casa. Na fazenda, o casal está quase isolado do mundo. A televisão está quebrada. A única fonte de notícias é o radinho de pilha, que sintoniza apenas a rádio São Miguel, de Orós.
Leia mais sobre esse assunto