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Desertos do Sertão

DESERTOS DO SERTÃO

Entre a pobreza e a abundância

Luiz Henrique Campos, Rafael Luís - textos e Dário Gabriel (Fotos)
Enviados a Jaguaribe

Com quase 25% do seu território em processo de desertificação, Jaguaribe tem na necessidade e na abundância os principais fatores...


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31/10/2007 02:55

No Boqueirão das Vetentes(Jaguaribe), o gado se alimenta do pouco que restou de vegetação)
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No Boqueirão das Vetentes(Jaguaribe), o gado se alimenta do pouco que restou de vegetação)

Da estrada em Jaguaribe que dá acesso ao município de Pereiro, é possível ter a dimensão do problema. O impacto é forte. Na localidade Boqueirão das Vertentes, a 10 quilômetros da sede, região onde menos chove no Médio Jaguaribe - média de 320 milímetros ano -, a terra avermelhada, a ausência da mata nativa, e, ao longe, até aonde a vista alcança, os claros de vegetação nos barrancos e morros, denunciam o solo doente, parecendo um corpo em que a pele não mais protege.

Não é difícil encontrar áreas em processo de desertificação em Jaguaribe iguais a Boqueirão das Vertentes. Segundo estudo da Fundação Cearense de Meteorologia (Funceme) realizado em 1994, cerca de 23% do solo do município. Como já vão 13 anos, o técnico Roberto Leite, um dos responsáveis pelo levantemento, aponta a possibilidade de 1/4 da região estar em processo de desertificação.

Basta percorrer as brenhas do município e o cenário confirma o prognóstico do técnico da Funceme. Solo apresentando erosão, pedras nascendo - como diz o matuto - e a presença de plantas resistentes à pouca água, tornam-se comuns para quem se aventura a percorrer algumas localidades. As causas quase sempre são as mesmas: queimadas, desmatamento, utilização inadequada do solo, degradação ambiental.

O que ainda muda são os motivos que promovem essas causas. Para uns, a necessidade. Para outros, a abundância. Sim, a abundância. Em Boqueirão predomina o latifúndio. Os claros na imensidão de terra revelam a utilização do pasto pela pecuária, expondo o terreno aos raios solares. A retirada da vegetação desprotege o solo e abre espaço para a erosão. Da estrada, ainda à mostra, é possível ver, após o desmatamento, monturos de madeira a serem queimados.

A limpa do terreno visa a fazer com que a chuva traga pasto para alimentar o gado. Paradoxalmente, será essa tão aguardada chuva que irá abrir o solo e facilitará a erosão. A região, por ser próxima a linha do Equador, diz o engenheiro agrônomo, Sérgio Ribeiro, do Agropolos e da Ematerce, em Jaguaribe, recebe raios solares mais fortes atingindo a fertilidade do solo por ser raso.

Mas em Jaguaribe a necessidade também é responsável pela degradação. Se no Boqueirão das Vertentes predomina a grande propriedade, em Feiticeiro, a 15 quilômetros da sede, o maior mal está no minifúndio. Ali, como a terra vem passando de geração a geração, o adensamento populacional aumentou indiscriminadamente e o solo perdeu a sustentabilidade. Deu-se a superexploração da área. De acordo com Sérgio Ribeiro, nas pequenas propriedades o problema é mais grave porque é cultural. ''Todo mundo fazia, então todos podem continuar fazendo. Isso é um álibi para a questão das queimadas, do desmatamento e do má utilização do solo".


JAGUARIBE

Área: 1.876,79 km

População (2006): 37.032 habitantes
IDH (2000): 0,672 (25º no Ceará e 3.433º no Brasil)
Localização: Médio Jaguaribe
Distância de Fortaleza: 291 km
Índice pluviométrico (média histórica): 676,9 mm
Toponímia: Palavra originária do tupi, significa "Rio das Onças"

Jaguaribe foi mais uma aglomeração urbana formada ao longo do rio que lhe emprestou o nome, no século XIX. Com o passar do tempo, a cidade adquiriu vocação econômica na bovinocultura e caprinocultura de corte e de leite, além da agricultura irrigada.

Fonte: Anuário do Ceará 2007


JAGUARIBARA

Área: 668,29 km2
População (2006): 9.478 habitantes
IDH (2000): 0,653 (45º no Ceará e 3.733º no Brasil)
Localização: Médio Jaguaribe
Distância de Fortaleza: 225 km
Índice pluviométrico (média histórica): 810,7 mm
Toponímia: Denominação de tripo indígena que habitava a região, significa "moradores do rio das Onças"

Fonte: Anuário do Ceará 2007

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