31/10/2007 02:55

O forno em frente à casa entrega o jogo: ali é produzido carvão a partir de madeira retirada da caatinga. A agricultora Maria Ocineide dos Santos, 38, que divide a casa com o marido e três filhos, garante que deixou o negócio. As cinzas espalhadas por toda parte, porém, suscitam dúvidas. Na base do jeitinho, Ocineide vai detalhando os números da atividade que movimenta a economia de Jaguaretama. "Uma carrada de caminhão de madeira vira uns 70 sacos de carvão de oito quilos, cada um vendido a R$ 4,00", explica ela. Quem vende a madeira na forma bruta ganha menos, com o valor cotado de acordo com a boa vontade de quem vai comprar.
A propriedade de Ocineide, de 40 hectares, situada na estrada carroçável que liga a sede de Jaguaretama à localidade do Cumbi, é um exemplo de má utilização da terra. A família planta apenas para subsistência e possui apenas quatro cabeças de gado. Fora os dividendos do negócio carvoeiro, o orçamento é completado com os R$ 112 mensais do Bolsa Família e as seis parcelas do Seguro Safra que serão pagas este ano, de R$ 110 cada. "Como as terras não são produtivas por causa da seca, essa ajuda é muito importante".
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