31/10/2007 02:55
Chapéu ou boné são peças obrigatórias entre os homens no deserto de Irauçuba. Chico Neo não tira a cobertura nem pra enxugar a testa. O sol não perdoa. Sombra! Só se for de algum pé de algaroba. Plantaram em alguns currais por lá e nas cidades onde a caatinga foi devastada para dar lugar ao pasto ou as roças de subsistência. Descobriram que a vagem da algaroba servia de complemento na alimentação do gado em tempos de seca.
Chico Neo, caboclo indicado pela pesquisadora da UFC, Marta Celina, é cicerone de quem quer conhecer as experiências da UFC no descampado desertificado em Fazenda Aroeira, Vila Mimosa e serra Manoel Dias. Na sabedoria dele, vai nos explicando o que são as oito áreas de exclusões estudadas pela Universidade. São porções de 50 m de terra, cercadas de mourão e arame farpado. "Aqui, o gado não lambe (come) a palha (capim seco). Né diferente? Dentro tem mato e pé de pau, fora é tudo pelado", descreve.
O cercado, que possui uma placa avisando ser aquilo um "laboratório" da Universidade e portanto proibido o uso para pastagem, queimada ou desmatamento, tem oito anos de existência. Idade da pesquisa e tempo que deu para nascer capim e algumas espécies de árvores que desapareceram ao longo de 33 anos de degradação. "Isso aqui é uma Jurema, nasceu também peão brabo e xiquexique. Eles nasceram por causa do vento ou do passarinho que trouxe a semente", mostra Chico Neo.
De acordo com a professora Marta Celina, no interior e no entorno desses "laboratórios" foram realizados "levantamentos ecológicos e pedológicos objetivando se conhecer os mecanismos naturais de recuperação e degradação da vegetação e do solo". Também, no lado de fora, coletar informações sobre o impacto do sobrepastoreio em Irauçuba. A idéia é subsidiar a instalação de um programa de monitoramento ambiental de desertificação de Irauçuba.
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