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Desertos do Sertão

DESERTOS DO SERTÃO

Processo avança no Ceará

Luiz Henrique Campos, Rafael Luís - Textos e Dário Gabriel (Fotos)
da Redação

Estudo feito em 1994 pela Funceme apontou que 10,2% do território cearense estava em avançado processo de desertificação


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31/10/2007 02:55


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A discussão em torno do tema desertificação ganhou força no mundo na década de 70, com a ocorrência de uma grande seca, no período de 1967 a 1973 no continente africano, mais precisamente na região do Sahel. Durante os seis anos de seca, cerca de 200 mil pessoas e milhões de animais morreram de fome e de sede. O fato chamou a atenção da comunidade internacional ligada às questões ambientais e na conferência Eco-92, realizada no Rio de Janeiro, as Nações Unidas se comprometeram a elaborar uma Convenção Internacional de Combate à Desertificação.

A Convenção foi concluída em junho de 1994, tendo o Brasil como um dos signatários. Na ocasião, o documento base do encontro definiu a desertificação como sendo a degradação da terra nas zonas áridas, semi-áridas e subúmidas secas, ocasionadas por diversos fatores, desde variações climáticas as atividades humanas. Por zonas áridas, semi-áridas e subúmidas secas, a Convenção entende todas as áreas com exceção das polares e das subpolares, nas quais a razão entre a precipitação pluviométrica anual e a evapotranspiração esteja compreendida entre 0,05 e 0,65 de índice de aridez.

O Ceará possui 90% de seu território no semi-árido, o que levou a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) a realizar, em 1994, estudo visando a detectar quais as áreas do Estado que apresentavam sinais evidentes de degradação ambiental. O trabalho, conduzido pelos técnicos Francisco Roberto Bezerra Leite, Sonia Barreto Perdigão de Oliveira e Manoel Messias Saraiva Barreto, indicaram a ocorrência de três áreas que apresentavam-se comprometidas quanto à preservação dos recursos naturais, que são Inhamuns/Sertões do Crateús, Irauçuba e regiões circunvizinhas, e o Médio Jaguaribe.

De acordo com o estudo, que utilizou a análise de imagens de satélite e observações de campo, considerando-se todo o Ceará, pode-se estimar que em torno de 15.130 km, equivalentes a 10,2% de sua superfície total estão em avançado processo de desertificação. Dentre as causas detectadas, está o fato de ter a maior parte de seu território enquadrado no semi-árido, predominância tanto de solos susceptíveis à erosão, como de um embasamento constituído por rochas cristalinas que dificultam o acúmulo de água subterrânea.

Todos esses aspectos, segundo Roberto Leite, aliado à ação do homem impulsionado pela densidade demográfica dessas regiões, vem contribuindo para uma maior aridez do solo. A ação direta do homem vem se dando através do uso intensivo do solo na agricultura, sobrepastoreio, desmatamento desordenado, queimadas, extrativismo de madeira, manejo e utilização incorreta do solo, irrigação mal conduzida e mineração.

Após 13 anos do estudo realizado pela Funceme, algumas ações pontuais têm sido desenvolvidas para tentar barrar esse processo. Os resultados, porém, ainda são pequenos se levada em conta a dimensão do problema no Estado. Para Roberto Leite, esse fato leva a crer que o processo de desertificação no Ceará tenha avançado nesse período, principalmente se tomarmos como base dados do Ministério do Meio Ambiente revelados no Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (Pan-Brasil), publicados em 2004, que 146 municípios cearenses estão dentro da área sujeita à desertificação.


GLOSSÁRIO

Afloramento de rocha
Quando a rocha se encontra na superfície do terreno, em contato direto com a atmosfera. Pode ocorrer que o processo erosivo, quando muito intenso, provoque o carreamento do solo, desnudando as rochas que estavam submersas.

Área de manejo
Terra em que o proprietário se compromete a desmatar no máximo uma quantidade de hectares por ano, num contrato estabelecido num prazo de uma década. Determinadas árvores não podem ser derrubadas e, dependendo do caso, é necessário que seja feito o reflorestamento da área.

Exclusão
Áreas isoladas da utilização dos sistemas de produção em uso, por meio de cerca de arame farpado, selecionadas em pastagens nativas degradadas. São formas de laboratório a céu aberto.

Sobrepastoreio
Uso da terra com população animal acima da capacidade de suporte, o que favorece o pisoteio do solo e sua conseqüente degradação.

Solo erodido
Solo que sofreu desgaste e/ou arrastamento de suas partículas (areia, silte ou argila) pela água da chuva, ventos ou outro agente geológico, incluindo processos como o arraste gravitacional.

Vegetação herbácea
Extrato constituído por plantas rasteiras.

Vegetação arbustiva
Extrato constituído por plantas de pequeno porte disperso sobre a vegetação herbácea.

Vegetação arbórea
Extrato constituído por árvores de maior porte em vegetação superior à arbustiva.

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