Isa Magalhães
12/01/2008 14:22
No livro do filosofo francês André Comte-Sponville, "A Felicidade, Desesperadamente", encontramos um conceito que os budistas falam há séculos: a ilusão de que a felicidade vem da realização de nossos desejos. Segundo o filosofo, ôse só desejamos o que não temos, nunca temos o que desejamos, logo, nunca somos felizes". Apesar de Sponville ser ateu e materialista, e ter como referencial o existencialista Jean Paul Sartre, ele se aproxima muito da filosofia espiritual dos budistas ao mostrar o perigo da crença da busca desesperada pela felicidade atraves da realização dos nossos desejos.
Essa crença é perigosa porque nossos desejos são espertos, nos deixam ansiosos, totalmente voltados para o um futuro, que possivelmente, nunca chegará. E se chegar, acontece algo previsível, novos desejos brotaram como ervas daninha. Pois é assim que a mente funciona diante dos desejos, logo que um é satisfeito, outro toma seu lugar rapidinho! E como num ciclo eterno ficamos presos na Roda de Samsara, a roda budista das ilusões que movem os desejos - a raiz do nosso sofrimento.
O professor Sponville vai mais longe no conceito felicidade ao afirmar que o nó da civilização moderna está na tentativa de viver de esperança. Segundo ele, vivemos a espera de algo que não depende de nós. Ou seja, esperamos sempre o inesperado, o imponderável: a riqueza que virá magicamente através do jogo de loteria, o homem ou mulher que acabará com nossa solidão, a juventude eterna, a saúde perfeita. Acho que é por isso que livros como ôO Segredo® fazem tanto sucesso: adoramos uma ilusão!
André Comte-Sponville afirma também que o inicio da felicidade é aprendermos a lidar com aá esperança - os desejos que não dependem de nós, e com a vontade, o desejo da aquilo que depende de nós. Dessa forma, o filosofo diz que a esperança nos conduz ao futuro, reino dos impossíveis e das frustrações, enquanto à vontade nos leva para o presente e as muitas possibilidades da alegria real. Dessa forma, o segredo da felicidade não é imaginarmos constantemente algo que queremos, mas é antes de tudoá áaprendermos a querer apenas aquilo que está ao nosso alcance. Isso parece passividade? Pois fique sabendo que focarmos na realidade e lutarmos para expandir os limites que nos aprisionam aumenta nossa capacidade de agir. E isso fortalece nossa vontade, a força mágica que nos impulsiona para a luta de realização dos nossos desejos. Ah, e não se esqueça de fazer um planejamento palpável dos desejos, escrevendo claramente as ações que fará para a obtenção das suas metas. Esse é o caminho saudável para uma vida mais saudável e feliz.
Olá, Isa! Bom texto, claro como água! Você também bebe da fonte do budismo tibetano (Dalai Lama) e de Osho - tá claro isso! Ou não!? Leia também Eclesiastes (velha Bíblia). Você vai adorar! A felicidade tem idade: feliz (benedictus) + idade = um tempo, geralmente curto, de alegria, paz, amor, etc. Abraços.
Paulo César Sampaio