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Tem remédio para isso?

Jocélio Leal


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24/03/2008 02:04

A relação médico-paciente nunca foi tão influenciada pelos laboratórios farmacêuticos como hoje. Nos consultórios, o entra e sai de representantes destas empresas - aquelas pessoas engomadas que esperam horas para serem recebidas e falar alguns minutos - significa a ponta de uma teia que envolve um esquema sofisticado de persuasão e também de cobrança sobre os médicos. Você não vê, mas além de amostras grátis eles levam às clínicas relatórios apontando em que medida os profissionais estão receitando os medicamentos da empresa. O serviço recebe o sugestivo nome de auditagem. E como eles conseguem aferir a fidelidade dos médicos? Isto você também não vê. Toda vez que um cliente vai a uma farmácia - sim, obviamente, elas compõem o sistema - a receita é passada numa máquina de escaneamento (espécie de fotografia). Tais receitas fotografadas são enviadas para a matriz dos laboratórios. Lá, são emitidos rankings demonstrando se um médico está mesmo sendo fiel. Assustador, não?

Nas tais visitas dos representantes - mas pode chamar de auditores - os médicos são apresentados ao ranqueamento. "Mas doutor, o senhor não está nos prescrevendo!" é a cobrança mais sutil. A natureza do sistema explica por qual razão é mais provável encontrar um representante com formação em marketing, e não mais um farmacêutico.

O NOME É MARKETING DE RELACIONAMENTO
Significa dizer que os médicos prescrevem algo que não seja o melhor para o paciente? Necessariamente não. Quem monta um "Big Brother laboratorial" como este tem também tecnologia para produzir bons medicamentos. Não há um crime configurado nisso. Na verdade os marqueteiros até já criaram um belo nome para a prática - marketing de relacionamento. Uma relação vitaminada pelo pagamento de inscrições em congressos, passagens aéreas e brindes valiosos em efemérides como Dia do Médico. Ou ainda felpudos patrocínios em eventos da área. Todavia, melhor saber que o seu médico indicou aquele remédio por realmente acreditar na eficácia do produto, e não porque prefere cuidar da relação. A Coluna conhece casos de médicos que dão de ombros. E o fazem sabendo dos efeitos colaterais.

Amanhã saiba como funciona esta receita na sugestiva área das farmácias de manipulação.

CID AO VIVO
Hoje tem Cid Gomes no Jogo Político, apresentado pelo jornalista Fábio Campos na TV O POVO, ao vivo, às 21 horas. O editor da Vertical S/A participa da conversa. Mande uma sugestão de pergunta para o endereço eletrônico da Coluna.

HORIZONTAIS
Romário - Atenção corretores! Romário está à procura de apartamento em Fortaleza. Amigos lhe venderam a idéia e ele comprou.
Audiência - A audiência pública pra discutir a crise da Agabê Calçados, proposta pelo deputado estadual Dedé Teixeira (PT), ficou marcada para a hoje, às 9 horas, em Aracati. É a sede da empresa no Ceará e base eleitoral do parlamentar.


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Não dá para perder tempo com essa entrevista pois,todas as cartas estão marcadas logo com o Fábio Campos que em sua coluna não aceita as críticas sobre suas postagens divulgando apenas o que lhe agrada e censurando o que não lhe convém, como se pode dar crédito a uma entrevista dessa. É mais um engodo para nos enrolar.

Ana Maria Cordeiro Teixeira

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Em se falando de medicina o governo deveria fazer uma campanha para que os motoqueiros do interior utilizassem o capacete como segurança. Bastaria mostrar na TV o sofrimento que os acidentados passam na emergencia do IJF, que perece mais um ambiente de atendimento durante uma guerra. Choca a ponto do ser humano sair pensando nos vacilos que cometeu e escapou de dar entrada naquele hospital em um feriadão. De positivo só a dedicação dos que estão alí para salvar vidas que vão do servente ao médico cirurgião. A reforma do hospital deveriar estar em ritimo acelerado mas só se vê placas.

Claudio Carneiro

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