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Tostão

TOSTÃO

Encantar e iludir


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14/06/2008 15:51

Uma deficiência da Seleção Brasileira é a falta de grandes talentos no meio-campo. Há bons jogadores. Falta um organizador que joga com a cabeça em pé, sem olhar para a bola, que possui ótimo passe e que raramente perde a bola.

Mesmo com Kaká, continua essa deficiência. Ele é um meia-atacante, mais atacante que armador. Diego é mais armador, mas atua também perto dos dois atacantes.

Melhor que Diego é Alex. Ele não se firmou na Seleção porque não teve a chance de jogar muitas partidas seguidas e durante todo o jogo, já que atua nas posições de Kaká e Ronaldinho. O mesmo aconteceu com Ademir da Guia e Dirceu Lopes, na época de Gérson e Rivellino, e com o então jovem Dodô, quando jogava no mesmo período de Ronaldo e Romário.

Na tentativa de preencher essa falta, seria bem-vinda a escalação de Anderson. Ele é uma esperança. Com ele e Diego, não seriam dois meias ofensivos, como Kaká e Ronaldinho. Anderson jogaria de volante, como faz no Manchester, marcando no próprio campo para depois avançar. Ele tem velocidade e habilidade para isso.

Melhor ainda é ter uma equipe com três volantes, mas com dois que marcam e que chegam bem ao ataque. Hernanes é outra esperança. Ele, Anderson, Lucas, Ramires e Charles podem evoluir bastante até a Copa de 2010.

As pessoas mais pragmáticas e utilitárias dirão que o Brasil não tem tantos craques e que só vai ganhar do Paraguai, em Assunção, da Argentina, como fez nos dois últimos jogos, e das melhores seleções da Europa, se marcar mais atrás e com mais jogadores para depois contra-atacar, como tem ocorrido na Eurocopa.

Mesmo se essa fosse a maneira mais eficiente de vencer a maioria das partidas, haveria uma descaracterização do futebol brasileiro, na perda da identidade, da fantasia, do encanto e da capacidade de iludir, de deixar após um jogo a sensação de mistério, de algo que não se explica.O futebol está cada dia mais previsível e parecido em todo o mundo e cada vez mais pessoas se contentam com qualquer jogo mediano ou medíocre.

Passes e dribles
O estilo predominante na Eurocopa é privilegiar o passe tecnicamente correto, linear, sem riscos, com a parte interna do pé (de chapa), na tentativa de manter a posse de bola. Raramente se vê o passe de curva, de rosca, de trivela, com a bola contornando o corpo do adversário para chegar ao companheiro logo atrás. É um recurso técnico, bonito e eficiente; ou o passe, surpreendente, vertical, com a bola passando em pequeníssimos espaços entre os defensores, para chegar ao colega na cara do gol.

O drible lúdico e desconcertante é também cada dia mais raro. Não falo do drible tradicional, quando um jogador toca na bola para pegá-la na frente. Refiro-me ao drible de corpo, às vezes sem tocar na bola (finta), em pequenos espaços e com a bola colada nos pés, como faz Robinho. O marcador pensa que a bola é dele, e não é. Esse é um dos maiores encantos do futebol.


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Comentários

craque Tostão, o que vc acha de uma seleção brasileira no 4-3-3 com somente um atacante fixo, com Robinho e Ronaldinho Gaúcho mais atrás, atuando como "wingers", tabelando com os outros jogadores-(Kaká chuta bem de fora da área),-ou driblando e caindo pela linha de fundo? Tosta, se Zico for técnico da seleção vc acha que ele põe o Alex pra jogar? Só que vc não acha muito perigoso, depender de somente um jogador com características de camisa 10 clássico e ainda o craque e irregular Alex?

Augusto Isaac

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