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SOS Biblioteca

Felipe Araújo
12 Abr 2008 - 19h43min

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A estrutura da Biblioteca Pública Menezes Pimentel pede socorro. Abaixo, trechos do relato sobre as condições do prédio enviado à coluna por um pesquisador. "(Na última terça-feira), ao entrar no Setor de Periódicos, no 2º andar, fui surpreendido por um som de gotejamento. Goteiras em dois pontos do forro, uma delas a poucos centímetros das estantes que guardam encadernações de jornais, haviam surgido após a chuva da manhã. Sem outro recurso, as bibliotecárias improvisaram dois baldes para impedir que o chão fosse alagado. Até as 18h30, horário em que deixei a Biblioteca, o problema não havia sido solucionado e no lugar de uma das goteiras, felizmente a mais distante das estantes, o forro ameaçava desabar". O pesquisador continua: "Já não é de hoje que o Setor de Periódicos sofre com problemas de manutenção. Boa parte das encadernações dos jornais está em péssimo estado de conservação, pondo em risco a sua preservação. No Sub-Setor de Micro-Filmes, das quatro máquinas leitoras existentes apenas duas funcionam adequadamente, dificultando o trabalho dos que pesquisam jornais do século XIX e início do século XX".

LETRAS E NÚMEROS
As interseções entre literatura e matemática costumam ser raras. No Brasil, o professor Júlio César de Mello e Souza se celebrizou como Malba Tahan, autor de dezenas de livros de contos que venderam mais de dois milhões de exemplares. O homem que calculava, por exemplo, o mais famoso de seus livros, está na 38a. edição e já conquistou o imaginário de algumas gerações de leitores. Para além de Mello e Souza, no entanto, lembrar de outros escritores que tenham feito sucesso ao escolher a matemática como fonte de inspiração não é tarefa das mais simples. "Em uma festa, sempre que alguém exibe seus talentos recitando estrofes de um poema desconhecido é considerado erudito e cheio de charme. Entretanto, se recitar uma fórmula matemática, ninguém vai achar graça. No máximo, receberá olhares debochados e o título de ´convidado mais chato´", reclama o matemático e jornalista George Z. Szpiro, autor do ótimo A vida secreta dos números, que acaba de sair por aqui pela editora Bertrand Brasil.

LETRAS E NÚMEROS II
O livro é formado por artigos e crônicas sobre matemática, que, para surpresa do autor, tinham uma grande audiência entre os leitores dos jornais suíços onde eram publicadas. "Meu desejo é dar aos leitores um entendimento não apenas da importância, mas também da beleza e da elegância do tema", explica Szpiro. No livro, o peixe da matemática não é vendido de maneira rasa ou leviana. Pelo contrário, um dos méritos do volume é não nivelar por baixo o debate sobre matemática - ao contrário do que acontece, por exemplo, com certas publicações da área cultural, que teimam em fazer das complexidades da cultura uma "acessível" perfumaria de lugares-comuns e didatismos estéreis. "Anedotas e dados biográficos dos freqüentemente excêntricos atores não são desprezados, mas, sempre que possível, dou uma idéia das teorias e provas. A complexidade da matemática não deve ser escondida nem superestimada", escreve.

LETRAS E NÚMEROS III
O livro percorre temas como a complicada organização do calendário de anos bissextos; o fundamentalismo religioso de Isaac Newton, que teria calculado, a partir da análise de "mensagens cifradas na Bíblia", o ano em que o mundo chegaria ao fim; conjecturas nunca comprovadas pelos matemáticos; os riscos e mitos em torno de certos jogos de azar e testes de persoanlidade; e a relação da matemática com outras áreas da ciência e da vida moderna. Em 2005, A vida secreta dos números rendeu a Szpiro uma vaga na final do Prêmio Descartes para Pesquisa e Divulgação Científica.

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