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Sextante

SEXTANTE

O templo de Hermeto

Felipe Araújo


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10/05/2008 16:57


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Hermeto Pascoal lançou em seu site (www.hermetopascoal.com.br) a campanha "Adote uma música e contribua para o templo do som!". A idéia é compor uma música para cada uma das pessoas que colaborarem com a idéia. Ao lado da esposa Aline Morena, o músico quer construir um amplo espaço cultural para abrigar oficinas musicais e shows do que ele chama de "música universal": "um termo criado para definir a música cujo ritmo é o pai, a harmonia é a mãe e os filhos são o tema e a melodia". Segundo o site, a tal "música universal" começou com o próprio Hermeto e hoje é realizada pelos melhores músicos do mundo inteiro. "É uma música completa, sem preconceitos, feita com bom gosto, como uma comida bem temperada e saudável. É a música que alimenta a alma!", define o texto de apresentação do templo de Hermeto.

O templo de Hermeto II
Os interessados - pessoas físicas ou jurídicas - em contribuir para a construção do templo do som podem fazer doações que variam de R$ 550,00 (o que dá direito a uma partitura inédita de Hermeto para uso pessoal e caseiro do doador) até R$ 4.100,00 (que permite ao doador receber uma música exclusiva de Hermeto e utilizá-la comercialmente por um período de três anos). "Além de receber a partitura original e inédita composta por Hermeto Pascoal, o participante terá seu nome registrado e exposto como colaborador no próprio Templo do Som", explica o site. "Quero criar a união de todos os que aparecerem por lá. Vim de uma grande mistura de nacionalidades. Na música é assim também. Faço música universal porque o Brasil é um universo, colonizado por vários países. E não gosto de rótulos. Música para mim é como o vento. E quem segura o vento?", Hermeto explicou em entrevista recente ao Jornal do Brasil.


Disco da Semana

CAMERATA PRA TOCAR
No famigerado ano de 1983, quando a economia brasileira foi à lona, um lançamento de música instrumental tornou-se um divisor de águas no Brasil. Tanto por reafirmar a riqueza de uma tradição que parecia se esfumaçar ante o avanço dos teclados, baterias eletrônicas e sintetizadores; quanto por retrabalhar os códigos do nosso processo musical de maneira absolutamente original até então. Capitaneada pela virtuose de Joel Nascimento, a turma da Camerata Carioca lançava o disco Tocar, um libelo a favor da música brasileira que reuniu alguns dos principais nomes do choro e da música erudita no País: além de Joel (bandolim), Joaquim Santos e Maurício Carrilho (violões), Luiz Otávio Braga (violão de 7), Henrique Cazes (cavaquinho), Beto Cazes (percussão) e Dazinho (sax e flauta). "É difícil destacar detalhes valorosos do disco, pois são muitos, mesmo assim valem citação especial: a balançadíssima participação de Radamés Gnatalli no 'Remexendo', os belíssimo arranjos de Maurício Carrilho - 'Fugata' e 'Choro de mãe' -, Luiz Otávio Braga - 'Terna saudade' e 'Lenda do caboclo' - e o timbre especial do sax-alto de Dazinho no solo de 'Valsa Triste'", lembra Henrique Cazes, no encarte da edição do disco em CD.


CONTEÚDO EXTRA
Ouça trechos do disco Tocar, da Camerata Carioca, no www.opovo.com.br/conteudoextra

Fim de viagem?
A Coluna encerra - quem sabe temporariamente - sua navegação e agradece a todos que colaboraram conosco ao longo desses anos. Aos leitores e interlocutores que fizeram valer a pena esse exercício semanal de reflexão sobre a contemporaneidade e de revisão do passado, meu abraço fraterno. Assumo um importante desafio no âmbito do poder público e, para uma maior lisura na condução dessa tarefa, me afasto da Sextante, deixando uma das atribuições mais prazerosas quando de minha passagem pela redação do O POVO. Em especial, segue o meu agradecimento a Sônia Pinheiro, pelo convite e pela total liberdade a mim concedida na formulação da coluna; e a meus editores Luciano Almeida Filho, Emerson Maranhão e Cida Parente. Até breve.


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Olá, Felipe! Hermeto pode tudo! Ele é um dos maiores músicos ainda vivos - e brasileiríssimo! Fosse ele americano, seria cantado em prosa-e-verso e paparicado por todos ad infinitum. Morreu Sivuca (outro monstro!), mas ainda temos Hermeto!

Paulo César Sampaio

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