Responsabilidade Social
RESPONSABILIDADE SOCIAL E ÉTICA
Não leio livros. Converso com eles
Engel Paschoal*
21 Abr 2008 - 01h22min
O Brasil tem cinco dias do livro: 18 de abril, Dia do Livro Infantil (em homenagem ao nascimento, em 1882, de Monteiro Lobato); 23 de abril, Dia Mundial do Livro; 25 de julho, Dia do Escritor; 29 de outubro, Dia Nacional do Livro; e 22 de novembro, Dia Internacional do Livro. Apesar disso, lemos pouco e muito mal. Eis algumas provas:
* em 2000, o PISA - Programa Internacional de Avaliação de Alunos pôs o Brasil em último lugar entre 32 países: jovens de 15 e 16 anos não passaram em leitura, interpretação e assimilação de textos. Em 2003, ficamos em 37o. lugar. Mas o número de países tinha aumentado para 41. Atrás de nós, só Macedônia, Indonésia, Albânia e Peru;
* dados de 2002: 44% dos livros didáticos tinham erros, segundo o MEC - Ministério da Educação e Cultura; 68% dos jovens entre 18 e 24 anos não estudavam, de acordo com o IBGE; e conforme informações da OCDE - Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico e a Unesco, entre 16 países em desenvolvimento, o Brasil era o primeiro em repetência escolar, com 26%. O segundo, Paraguai, tinha 8,4%. No Brasil, só 32,6% chegavam à faculdade; nos demais, eram 80%;
* em 2002, a pesquisa "Retrato da Leitura", da CBL - Câmara Brasileira do Livro, Snel - Sindicato Nacional dos Editores de Livros, Abrelivros - Associação Brasileira de Editores de Livros e Bracelpa - Associação Brasileira dos Fabricantes de Celulose e Papel, dizia: 16% compraram 73% de todos os livros; a maioria desses 16% tinha mais de 30 anos; só 30% leram um livro nos três meses anteriores à pesquisa; 14% não liam; 11% não tinham dinheiro para comprar e 39%, tempo para ler;
* em 2003, pesquisa da ABDR - Associação Brasileira de Direitos Reprográficos, realizada com 1.430 estudantes de 13 universidades em São Paulo, SP, revelou que 32% dos alunos não compravam livros e que 99% deles tiravam cópias, imprimiam ou recebiam cópias do professor. USP, PUC e FGV lideravam o ranking das cópias. Com a falsificação, a ABDR estimou um prejuízo de R$ 350 milhões por ano, cerca de 33% do faturamento do setor. Com as cópias, a indústria deixava de produzir cerca de 10 milhões de livros por ano;
* em outubro de 2004, uma pesquisa do Instituto Ipsos feita em 10 países, entre eles Inglaterra, China, EUA, Brasil, França e Itália, revelou que 57% das crianças e jovens brasileiros de 2 a 17 anos passavam no mínimo três horas por dia diante da televisão, enquanto que 43% não gastavam nem um minuto por dia lendo livro. Até onde se sabia, os dois números eram recordes mundiais.
Campeão na Internet
Apesar disso, há boas notícias:
* em janeiro de 2008, a BBC, o jornal inglês "The Guardian" e outros veículos internacionais informaram que, segundo pesquisa Nielsen, os livros são o produto mais comprado via internet no mundo todo. Os sul-coreanos são os que compram mais, proporcionalmente, e os brasileiros estão em quinto lugar;
* no Rio de Janeiro, a Estação das Letras realiza todo último sábado de cada mês o "Livros na Mesa", na Fundação Casa de Rui Barbosa. A proposta é simples: basta levar seus livros e colocá-los numa enorme mesa, o que permite a troca entre os interessados de forma rápida e sem nenhuma burocracia. Há ainda palestras com escritores convidados;
* ainda no Rio, o Grupo Hombu de Teatro - que na língua dos índios Kraó quer dizer "olhe para nós" e é referência no teatro infanto-juvenil brasileiro - faz leituras dramatizadas e musicadas de autores nacionais. O Hombu foi criado em 1977 por atores, músicos e educadores.
Bom, como a minha relação com o livro é intensa, posso dizer que não leio livro, mas converso com ele. Não gosto de pedir livro emprestado, nem de emprestar. Sempre leio, mesmo os livros de ficção, com um marcador de texto e caneta à mão. E uso uma folha de papel na qual vou anotando os assuntos e as páginas que me interessam. Ao final, tenho um verdadeiro resumo do que li. E no livro, vou assinalando tudo que desperta a minha atenção: algo de que nunca ouvi falar; uma coisa que já lera em outro livro e era igual ou diferente; uma informação na página X contraditória a outra da página Y; uma situação com a qual convivi; um personagem ou pessoa que teve o mesmo tipo de atitude etc.
Mas atenção: faço isso apenas com os meus livros. Jamais em livro dos outros, em especial de bibliotecas.
* Com Lucila Cano.
Engel Paschoal (engelpaschoal@uol.com.br) é jornalista e dá cursos e palestras sobre RS.
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02/04/2008
02:03
Hum, então o Brasil está em 5 lugar na compra de livros via internet? Por que isso não se reflete na leitura em geral!? Por que o brasileiro lê mal e porcamente, sendo incapaz de interpretar um simples texto!? Pergunta pro especialista em Black Label quanto o des-governo dele investe em Educação. Menos de 4%, menos de 4%!!!! Isso responde um pouco, não!?
pcsampaio
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