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RESPONSABILIDADE SOCIAL E ÉTICA

Sem elefantes no banco de trás

Engel Paschoal*
14 Abr 2008 - 00h57min

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Na década de 80, uma campanha de propaganda nos EUA tinha como assinatura a frase "No elephants back" (literalmente, "sem elefantes atrás"). Na verdade, ela chamava a atenção para o perigo das pessoas não usarem cinto de segurança no banco de trás dos veículos.

Com o impacto de uma freada ou, pior, de um acidente, as pessoas são projetadas para frente, podendo provocar as piores conseqüências: acertar uma cabeçada em quem está na frente, que, no caso, fica entre dois fortíssimos impactos (o do obstáculo à frente e as pessoas de trás); ou ir direto contra o pára-brisa do carro, podendo inclusive serem arremessadas para fora do veículo, atravessando o vidro (aí são dois perigos a mais: rasgarem a carne ao passar entre as farpas do pára-brisa e irem contra um obstáculo ? em estrada, pode ser até despencar num buraco ou precipício).

Não me lembro de uma campanha feita no Brasil para chamar a atenção sobre a importância de se usar o cinto no banco de trás. No entanto, no início de março foi publicada na revista médica brasileira "Clinics" uma pesquisa feita a partir dos relatórios médicos com 56 pessoas que sofreram acidentes entre 2001 e 2006 e que foram atendidas no setor de emergências do Hospital das Clínicas (HC) de São Paulo. O número de pessoas pesquisadas é pequeno, porque o HC atende apenas casos mais complicados.

De acordo com a pesquisa, enquanto os motoristas acidentados sem cinto tinham, em média, 5,54 fraturas na face, os passageiros de trás apresentavam 7,23 pontos de fratura. É importante observar um dado alarmante do estudo: nenhum dos passageiros do banco de trás usava cinto de segurança.

Mais de 90% na frente e só 10% atrás
Mesmo não me lembrando de campanha específica para o uso do cinto no banco de trás, tenho de reconhecer que, quando usar cinto de segurança tornou-se obrigatório, a cidade de São Paulo fez um trabalho intenso de comunicação.

Prova disso é que, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) de São Paulo, números de 2006 mostram que, apesar de apenas 10,2% dos passageiros de trás usarem o cinto, no banco da frente eram 92,7% os motoristas e 90,5% os passageiros que o usavam.

Em março, o Código de Trânsito Brasileiro completou dez anos. Ele estabelece que seja multado em R$ 127,69 e perca mais cinco pontos na carteira todo motorista flagrado com passageiros sem cinto no banco de trás.

Camisa do Vasco
Apesar da multa, dos pontos na carteira e, principalmente, dos riscos à própria vida, há motoristas que não usam o cinto. Eles lançam mão de muitos estratagemas para "enganar" os guardas de trânsito e evitar a multa e os pontos perdidos.

Um dos mais comuns é deixar o cinto transversalmente sobre o peito, mas solto. Li em algum lugar (infelizmente não lembro a fonte) que os portugueses inventaram um jeito bastante criativo: a camisa do Vasco da Gama. Um brasileiro, ao ver o grande número de motoristas com a camisa vascaína, comentou que o time tinha muita torcida em Portugal. Imediatamente um patrício lhe esclareceu a verdade.

No entanto, há muita gente trabalhando para evitar acidentes por falta de segurança no banco de trás. A Safe Kids, por exemplo, criada em 1987, nos EUA, pelo médico brasileiro Martin Eichelberger, e presente aqui desde 2001 como Criança Segura, é uma ONG que atua em todo o mundo para prevenir acidentes com crianças, com medidas como o uso de cadeirinhas de segurança, especialmente desenvolvidas e aprovadas para o transporte de crianças em veículos.

Pesquisa do IIHS - Insurance Institute for Highway Safety (Instituto Segurador para Segurança na Estrada) mostra que só 38% dos pais sabem acomodar os filhos no automóvel.

E tem mais: "de acordo com o Ministério da Saúde, por ano mais de 2.400 crianças perdem a vida em conseqüência de acidentes de trânsito no Brasil, isso considerando-se apenas as vítimas fatais no local do acidente" (Portal do Trânsito, http://www.portaldotransito.com.br/seguranca/texto2.asp). * Com Lucila Cano.

(*) Engel Paschoal (engelpaschoal@uol.com.br) é jornalista e dá cursos e palestras sobre responsabilidade social. Este artigo somente poderá ser reproduzido ou publicado com autorização prévia do autor.

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