Política
"O PSDB é oposição", mas nem os tucanos acreditam
Fábio Campos
19 Nov 2008 - 00h12min
Atentem bem para as palavras do senador Tasso Jereissati. Ao ser perguntado se estava satisfeito com a participação do PSDB no Governo Cid Gomes, o tucano respondeu o seguinte: "Não é que estamos satisfeitos ou insatisfeitos. Nós somos oposição, no entanto, fazermos uma... Não participamos do governo oficialmente. Tem dois integrantes e devem ter outros filiados ao partido, mas não participamos do Governo". A resposta é confusa. O PSDB é oposição? Claro que não. O PSDB é governista. O partido vota com o governo. Nem requerimento com pedido de informações os tucanos apóiam. "Fazemos uma..."? Em que ponto o senador queria chegar até interromper o raciocínio? Certamente ia dizer que seu partido faz algo como uma oposição, digamos, moderada. Nada a ver com a realidade. O senador disse que o PSDB não participa do governo oficialmente. Ora, para ser oficial precisa convocar um encontro. No mínimo, uma reunião do diretório estadual. Não fez assim porque não tem esse costume. Não fez porque não achou conveniente. Na época em que o PSDB aderiu ao Governo ficou claro o apoio do partido à gestão de Cid Gomes. Os tucanos, em coro, até evocaram o DNA tucano de Cid para justificar a adesão. Chegaram a dizer que o governador é muito mais próximo da trajetória tucana do que a do petismo. Esse conversa de oposição é novíssima.
EM CRISE DE IDENTIDADE, MAS COM PODER DE PRESSÃO
Tasso Jereissati argumentou ainda que o seu partido "não precisa fazer uma oposição sistemática para ser oposição". E o que é preciso fazer para ser oposição? Simples: praticar o ato de ser opositor. Efetivamente, o PSDB não tem feito nada que se pareça com oposição. Pelo contrário. No Jogo Político da noite de segunda-feira (TV O POVO e TV Assembléia), o deputado tucano-tassista João Jaime Marinho explicou o quanto seria difícil fazer oposição sob a ótica de que, no essencial, a gestão de Cid é uma continuidade das gestões tucanas. Por esse ponto de vista, o PSDB não deveria ser oposição a Lula. Afinal, a política econômica mantém o mesmo eixo do passado tucano. Basta lembrar que o homem forte da economia brasileira, o presidente do Banco Central, Henrique Meireles, é um tucano de carteirinha. O PSDB está confuso. Sente-se como um penetra na festa governista e é olhado com desdém por petistas e afins. A crise de identidade do PSDB era esperada. No Ceará, o partido sempre foi poder. O que está acontecendo agora é o rebuliço natural pré-eleição de 2010. A chave da história se relaciona com a candidatura de Tasso Jereissati ao Senado. E o que vai acontecer agora? Provavelmente, nada. No máximo, a bancada do PSDB na Assembléia, vai dar algumas estocadas no Governo. É no Legislativo, e somente lá, que está o peso de pressão do partido.
"OS SERTÕES" E A CULTURA DA MISÉRIA
De Eduardo Diatahy B. de Menezes, professor Emérito da UFC: "Ótimo o tópico da Coluna de sábado reproduzindo um comentário sobre a pobreza como obra de arte no presente dado por Lula ao papa. Todavia, quando faz seu bom comentário sobre Os Sertões de Euclydes da Cunha, há um reparo a fazer: a evocação seria melhor se tivesse lembrado outra obra, porque nesta a gente se defronta com um libelo em tom de epopéia contra o crime das elites da Nação sobre uma comunidade sertaneja, genocídio montado sobre a mentira e a fraude como a de Bush contra o Iraque; além disso, Euclydes não era carioca, mas fluminense de Cantagalo, Estado do Rio. De todo modo, fica o impacto da notícia. E aqui mesmo no Ceará, intelectuais progressistas vivem de cultivar a 'cultura da miséria', que para eles é 'arte popular autêntica' desde que se preserve como tal pelo resto da vida: banda de pífanos, folheto de cordel pífios, xilogravuras indigentes, etc., [nem precisa mencionar nomes, que aí mesmo entre colaboradores do jornal há notáveis do gênero]. Não nego, porém, que haja algumas manifestações de grande valor na criação popular, cuja ascensão deveria ser propiciada e não folclorizada e posta num congelador da cultura. Enquanto isso, as expressões artísticas das elites são exaltadas por suas mutações periódicas e por seus movimentos de vanguarda."
EM CRISE DE IDENTIDADE, MAS COM PODER DE PRESSÃO
Tasso Jereissati argumentou ainda que o seu partido "não precisa fazer uma oposição sistemática para ser oposição". E o que é preciso fazer para ser oposição? Simples: praticar o ato de ser opositor. Efetivamente, o PSDB não tem feito nada que se pareça com oposição. Pelo contrário. No Jogo Político da noite de segunda-feira (TV O POVO e TV Assembléia), o deputado tucano-tassista João Jaime Marinho explicou o quanto seria difícil fazer oposição sob a ótica de que, no essencial, a gestão de Cid é uma continuidade das gestões tucanas. Por esse ponto de vista, o PSDB não deveria ser oposição a Lula. Afinal, a política econômica mantém o mesmo eixo do passado tucano. Basta lembrar que o homem forte da economia brasileira, o presidente do Banco Central, Henrique Meireles, é um tucano de carteirinha. O PSDB está confuso. Sente-se como um penetra na festa governista e é olhado com desdém por petistas e afins. A crise de identidade do PSDB era esperada. No Ceará, o partido sempre foi poder. O que está acontecendo agora é o rebuliço natural pré-eleição de 2010. A chave da história se relaciona com a candidatura de Tasso Jereissati ao Senado. E o que vai acontecer agora? Provavelmente, nada. No máximo, a bancada do PSDB na Assembléia, vai dar algumas estocadas no Governo. É no Legislativo, e somente lá, que está o peso de pressão do partido.
"OS SERTÕES" E A CULTURA DA MISÉRIA
De Eduardo Diatahy B. de Menezes, professor Emérito da UFC: "Ótimo o tópico da Coluna de sábado reproduzindo um comentário sobre a pobreza como obra de arte no presente dado por Lula ao papa. Todavia, quando faz seu bom comentário sobre Os Sertões de Euclydes da Cunha, há um reparo a fazer: a evocação seria melhor se tivesse lembrado outra obra, porque nesta a gente se defronta com um libelo em tom de epopéia contra o crime das elites da Nação sobre uma comunidade sertaneja, genocídio montado sobre a mentira e a fraude como a de Bush contra o Iraque; além disso, Euclydes não era carioca, mas fluminense de Cantagalo, Estado do Rio. De todo modo, fica o impacto da notícia. E aqui mesmo no Ceará, intelectuais progressistas vivem de cultivar a 'cultura da miséria', que para eles é 'arte popular autêntica' desde que se preserve como tal pelo resto da vida: banda de pífanos, folheto de cordel pífios, xilogravuras indigentes, etc., [nem precisa mencionar nomes, que aí mesmo entre colaboradores do jornal há notáveis do gênero]. Não nego, porém, que haja algumas manifestações de grande valor na criação popular, cuja ascensão deveria ser propiciada e não folclorizada e posta num congelador da cultura. Enquanto isso, as expressões artísticas das elites são exaltadas por suas mutações periódicas e por seus movimentos de vanguarda."
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