Política
POLÍTICA
Lula tem um dilema a resolver em Fortaleza
Fábio Campos
17 Set 2008 - 00h48min
O debate acerca da participação do presidente Lula na disputa eleitoral de Fortaleza merece uma reflexão. Lula já foi a São Paulo Capital e a várias cidades do Interior paulista. O presidente também já gravou para candidatos a prefeito do Rio de Janeiro, menos da Capital. Fora disso, gravou um comercial pedindo votos para o candidato a prefeito de Recife pelo PT, João da Costa. E em Fortaleza? A questão cearense tem um componente a mais. Aqui há Ciro Gomes (PSB) apoiando a candidata Patrícia Saboya (PDT). O deputado federal ocupa um importante nicho no jogo político nacional. Pode ser candidato a presidente da República em 2010. Pode ser candidato a vice-presidente. Em qualquer das situações, é uma peça importante. Então, o presidente certamente leva isso em consideração na hora de decidir se vem ou não vem a Fortaleza pedir votos para Luizianne Lins (PT), a candidata “companheira” que tem o direito de usar a imagem de Lula na campanha municipal. Outro ponto importante e pouco notado: no Senado, a correlação de forças é diferenciada. É lá que a oposição tem maior peso. É lá que a oposição tem conseguido impor uma ou outra derrota política ao petismo. Então, o voto da senadora pode, circunstancialmente, ser decisivo tanto no plenário do Senado quanto em comissões importantes da Casa.
PRESIDENTE VAI AJUDAR PETISTA DE NATAL
A propósito, deu ontem no blog de Josias de Souza (UOL): “Está marcada para a próxima sexta (19) a nova incursão de Lula na campanha municipal de 2008. O presidente participa, em Natal (RN), de comício da candidata petista Fátima Bezerra. O petismo potiguar enxerga na presença de Lula uma espécie de tônico revigorante. Espera-se que a ‘vitamina’ produza uma ultrapassagem de Fátima sobre a rival Micarla de Sousa (PV). Embora venha crescendo nas pesquisas, Fátima ainda amarga um incômodo segundo lugar. Para além do auxílio à Fátima, o que leva Lula a Natal é um desejo indômito. Desejo de retirar azeitona da empada do ‘demo’ José Agripino Maia. Um dos mais vigorosos opositores de Lula no Senado, Agripino apóia Micarla em Natal. Do outro lado, no palanque de Fátima, estão a governadora Vilma Faria e o presidente do Congresso Garibaldi Alves. Em 2010, Vilma e Garibaldi disputarão com Agripino as duas vagas do Rio Grande do Norte no Senado. É nessa briga que Lula está mirando.
O CASO DOS AUDITORES QUE O TCM NÃO CONVOCA
O deputado estadual Heitor Férrer (PDT) usou ontem a tribuna da Assembléia para chamar a atenção para um fato que envolve o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM). É o seguinte: há cerca de dois anos, o TCM promoveu um concurso público para ocupar três vagas de auditor. Era uma imposição legal prevista na Constituição do Ceará. O que chama a atenção é que os aprovados não foram até hoje convocados, mantendo a ilegalidade. Na mesma situação, o TCE fez o concurso e convocou os aprovados. Além de não convocar os auditores, o TCM apresentou uma estranha emenda à Constituição aumentando de três para sete as vagas. Esse fato colocou uma pulga atrás da orelha do deputado. Em paralelo, o TCM encaminhou ofício à Assembléia argumentando que não convocava os três porque não há espaço físico na Casa. Ou seja, não cabem três, mas sete é possível. Em aparte, o deputado João Jaime (PSDB) alegou que o TCM não pode convocar os três porque está na expectativa de julgamento de uma ação civil pública que questiona o concurso. Heitor confirma que há essa ação, mas acha estranho que o TCM não tenha defendido nos autos o concurso que a instituição promoveu.
ONDE NÃO CABEM TRÊS, CABEM SETE
O deputado Heitor Férrer não citou nomes, mas desconfia que o TCM tenta promover um jeitinho para beneficiar o nono colocado no concurso. Seria ele filho de um conselheiro do Tribunal. Segundo o pedetista, o filho já subiu para o sexto lugar. Como é possível? Simples: os primeiros colocados continuaram fazendo concursos. Uns foram aprovados e assumiram seus empregos. A fila anda. Se o TCM passar mais uns dois anos sem convocar os três, o negócio vai acabar dando certo. Segundo Heitor, a emenda para aumentar o número de vagas não caminhou porque “a manobra” iria cheirar mal. Há mais coisa nessa história. Alegar falta de espaço e depois pedir para aumentar o número de vagas é questionável. Fazer concurso e depois alegar que não há espaço físico para abrigar os três aprovados depõe contra a competência do TCM para fiscalizar as contas das prefeituras e câmaras municipais. O TCM alega que a idéia de elevar a sete as vagas de auditores é para que exista um profissional para cada conselheiro. Se é assim, por que o concurso não teve sete vagas? Entre ficar na ilegalidade e arranjar uma sala para o trio, o TCM parece ter optado pela primeira possibilidade.
PRESIDENTE VAI AJUDAR PETISTA DE NATAL
A propósito, deu ontem no blog de Josias de Souza (UOL): “Está marcada para a próxima sexta (19) a nova incursão de Lula na campanha municipal de 2008. O presidente participa, em Natal (RN), de comício da candidata petista Fátima Bezerra. O petismo potiguar enxerga na presença de Lula uma espécie de tônico revigorante. Espera-se que a ‘vitamina’ produza uma ultrapassagem de Fátima sobre a rival Micarla de Sousa (PV). Embora venha crescendo nas pesquisas, Fátima ainda amarga um incômodo segundo lugar. Para além do auxílio à Fátima, o que leva Lula a Natal é um desejo indômito. Desejo de retirar azeitona da empada do ‘demo’ José Agripino Maia. Um dos mais vigorosos opositores de Lula no Senado, Agripino apóia Micarla em Natal. Do outro lado, no palanque de Fátima, estão a governadora Vilma Faria e o presidente do Congresso Garibaldi Alves. Em 2010, Vilma e Garibaldi disputarão com Agripino as duas vagas do Rio Grande do Norte no Senado. É nessa briga que Lula está mirando.
O CASO DOS AUDITORES QUE O TCM NÃO CONVOCA
O deputado estadual Heitor Férrer (PDT) usou ontem a tribuna da Assembléia para chamar a atenção para um fato que envolve o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM). É o seguinte: há cerca de dois anos, o TCM promoveu um concurso público para ocupar três vagas de auditor. Era uma imposição legal prevista na Constituição do Ceará. O que chama a atenção é que os aprovados não foram até hoje convocados, mantendo a ilegalidade. Na mesma situação, o TCE fez o concurso e convocou os aprovados. Além de não convocar os auditores, o TCM apresentou uma estranha emenda à Constituição aumentando de três para sete as vagas. Esse fato colocou uma pulga atrás da orelha do deputado. Em paralelo, o TCM encaminhou ofício à Assembléia argumentando que não convocava os três porque não há espaço físico na Casa. Ou seja, não cabem três, mas sete é possível. Em aparte, o deputado João Jaime (PSDB) alegou que o TCM não pode convocar os três porque está na expectativa de julgamento de uma ação civil pública que questiona o concurso. Heitor confirma que há essa ação, mas acha estranho que o TCM não tenha defendido nos autos o concurso que a instituição promoveu.
ONDE NÃO CABEM TRÊS, CABEM SETE
O deputado Heitor Férrer não citou nomes, mas desconfia que o TCM tenta promover um jeitinho para beneficiar o nono colocado no concurso. Seria ele filho de um conselheiro do Tribunal. Segundo o pedetista, o filho já subiu para o sexto lugar. Como é possível? Simples: os primeiros colocados continuaram fazendo concursos. Uns foram aprovados e assumiram seus empregos. A fila anda. Se o TCM passar mais uns dois anos sem convocar os três, o negócio vai acabar dando certo. Segundo Heitor, a emenda para aumentar o número de vagas não caminhou porque “a manobra” iria cheirar mal. Há mais coisa nessa história. Alegar falta de espaço e depois pedir para aumentar o número de vagas é questionável. Fazer concurso e depois alegar que não há espaço físico para abrigar os três aprovados depõe contra a competência do TCM para fiscalizar as contas das prefeituras e câmaras municipais. O TCM alega que a idéia de elevar a sete as vagas de auditores é para que exista um profissional para cada conselheiro. Se é assim, por que o concurso não teve sete vagas? Entre ficar na ilegalidade e arranjar uma sala para o trio, o TCM parece ter optado pela primeira possibilidade.
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