Política
POLÍTICA
O sucesso, o fracasso e a disputa de 2010
Erivaldo Carvalho
15 Set 2008 - 00h22min
Os ecos da disputa em 2008 terão fortes e diretos impactos na corrida eleitoral de 2010. Ceará afora, não são poucos os personagens que atuam pensando - ou já trabalhando o terreno - para daqui a dois anos. Não é para menos. Apenas no Ceará, estarão em jogo um mandato de governador do Estado e outro de vice, duas cadeiras de senador, 22 de deputados federais e 46 de estaduais. Apenas isso explica o envolvimento diuturno de políticos com suas bases eleitorais pelos quatro cantos do território cearense, inclusive na Capital. Em Fortaleza, as eleições para prefeito mostram que tem muita gente movimentando-se tendo como meta esse horizonte. Vejamos a aliança Luizianne Lins-Cid Gomes. O sucesso ou fracasso da candidatura à reeleição da atual prefeita será determinante para a formação da chapa majoritária da base aliada. (governador, vice e dois senadores). No poder, a petista terá muito mais peso político, tanto para dar algumas cartas, como aconteceu em 2006, quanto para tentar alçar vôos mais altos. Na correlação de forças, isso também vale para Cid. Com pretensões de ficar no Palácio Iracema até 2014, uma coisa será negociar com um PT na Prefeitura de Fortaleza. Outra, bem diferente, com o partido reduzido a colégios eleitorais menores - alguns, inexpressivos - pelo Interior.
TRÊS NOMES, DUAS VAGAS
Tudo indica que o senador Tasso Jereissati (PSDB) - cujo partido está na base de Cid Gomes - será candidato à reeleição. E nada indica que o tucano sofrerá hostilidade do comandante do Palácio Iracema. Muitíssimo pelo contrário. Em todo o caso, o ex-governador está rodando o Interior como poucas vezes se viu. Esse novo Tasso vem desde as eleições presidenciais de 2006. Uma das duas postulações já estaria certa para o deputado federal Eunício Oliveira (PMDB). Faz parte do acordo de 2006, quando o peemedebista abdicou da candidatura, em benefício de Inácio Arruda (PCdoB). Em 2008, ele está no palanque de Luizianne, o que reforça o compromisso. O PT emite claros sinais de que também quer disputar uma das cadeiras. Nos bastidores do partido, isso já é dado como certo. Ou seja: por hora, três nomes para duas candidaturas. Isso é apenas uma amostra de como a equação, apenas para o Senado, no balanço de hoje, tem um desfecho difícil. Certamente, o sucesso ou fracasso de Luizianne em outubro próximo terá peso na solução.
(Foto: Sebastião Bisneto, em 28/2/2008)
É LULA LÁ E LUIZIANNE CÁ
São grandes as chances de nos próximos dias o presidente Lula pedir voto para Luizianne Lins no rádio e televisão na disputa em Fortaleza. A Coluna apurou que houve um acordo entre o comando da campanha no município e a cúpula nacional petista. No início da campanha, um receio de mal-estar na base do Palácio do Planalto foi colocado como fator de distanciamento do presidente, já que o PDT de Patrícia faz parte da coalizão que dá sustentação ao governo no Congresso, onde a senadora chegou a ser vice-líder. Mas aí vieram as pesquisas. Ficou pacificado o seguinte: em um cenário muito favorável a Luizianne e com Patrícia lá atrás, não teria porque Lula não gravar para a prefeita. A lógica seria minar as chances de um segundo turno com o candidato do DEM, Moroni Torgan. Lula já aparece pedindo votos para os vereadores do PT.
TEMPO DE COBRANÇAS
A entrada de Lula na campanha tem o peso da cobrança da própria Luizianne. De acordo com uma alta fonte da coligação, a prefeita vem reivindicando a participação do presidente diretamente a ele. Uma dessas conversas teria acontecido ainda na pré-campanha, durante um evento realizado em Fortaleza, no dia 28 de fevereiro último. Sentados lado a lado, num estádio da periferia da cidade, a prefeita teria feito duas reclamações ao ouvido do presidente (foto). Primeira: disse que não admitia ser rejeitada pela segunda vez. Em seguida, Luizianne reclamou que um cearense ocupante de uma das estruturas do governo federal estaria se mobilizando para viabilizar financiamento para a campanha de Moroni. Último a falar no ato, Lula fez uma contundente defesa da prefeita. No final, houve um caloroso abraço.
SALMITO DEFENDE APROVAÇÃO
Há duas semanas, aqui foi sugerida a retirada de pauta do novo Plano Diretor de Fortaleza que tramita na Câmara Municipal. Em resumo, foi argumentado que o processo eleitoral em curso pode causar prejuízos à cidade, dadas as pressões e interesses envolvidos na questão. O relator do projeto, vereador Salmito Filho (PT), enviou a seguinte nota à Coluna: 1) "O Plano Diretor não pode ser mais 'brecado' como você sugere. A mensagem original enviada pela Prefeita Luizianne já foi votada, por unanimidade, em 1ª discussão, na sessão do último dia 28 (quinta-feira); 2) Não existe nenhum 'perigo pairando no ar' e nem 'ambiente propício para toda sorte de desapego às causas mais nobres', como você escreveu. Desde o final de maio de 2008 estamos, toda quinta-feira, em audiências públicas, discutindo a matéria, artigo por artigo, com a sociedade civil organizada, movimentos populares, entidades empresariais, advogados, professores e estudantes universitários e demais interessados. 3) Nunca afirmei e nem defendi que 'a votação (do Plano) aconteça o mais rápido possível'. O que eu defendo é que, ficando a votação para 2009, é adiar mais ainda a execução do plano que é fundamental para o presente e para futuro da nossa cidade".
TRÊS NOMES, DUAS VAGAS
Tudo indica que o senador Tasso Jereissati (PSDB) - cujo partido está na base de Cid Gomes - será candidato à reeleição. E nada indica que o tucano sofrerá hostilidade do comandante do Palácio Iracema. Muitíssimo pelo contrário. Em todo o caso, o ex-governador está rodando o Interior como poucas vezes se viu. Esse novo Tasso vem desde as eleições presidenciais de 2006. Uma das duas postulações já estaria certa para o deputado federal Eunício Oliveira (PMDB). Faz parte do acordo de 2006, quando o peemedebista abdicou da candidatura, em benefício de Inácio Arruda (PCdoB). Em 2008, ele está no palanque de Luizianne, o que reforça o compromisso. O PT emite claros sinais de que também quer disputar uma das cadeiras. Nos bastidores do partido, isso já é dado como certo. Ou seja: por hora, três nomes para duas candidaturas. Isso é apenas uma amostra de como a equação, apenas para o Senado, no balanço de hoje, tem um desfecho difícil. Certamente, o sucesso ou fracasso de Luizianne em outubro próximo terá peso na solução.
(Foto: Sebastião Bisneto, em 28/2/2008)
É LULA LÁ E LUIZIANNE CÁ
São grandes as chances de nos próximos dias o presidente Lula pedir voto para Luizianne Lins no rádio e televisão na disputa em Fortaleza. A Coluna apurou que houve um acordo entre o comando da campanha no município e a cúpula nacional petista. No início da campanha, um receio de mal-estar na base do Palácio do Planalto foi colocado como fator de distanciamento do presidente, já que o PDT de Patrícia faz parte da coalizão que dá sustentação ao governo no Congresso, onde a senadora chegou a ser vice-líder. Mas aí vieram as pesquisas. Ficou pacificado o seguinte: em um cenário muito favorável a Luizianne e com Patrícia lá atrás, não teria porque Lula não gravar para a prefeita. A lógica seria minar as chances de um segundo turno com o candidato do DEM, Moroni Torgan. Lula já aparece pedindo votos para os vereadores do PT.
TEMPO DE COBRANÇAS
A entrada de Lula na campanha tem o peso da cobrança da própria Luizianne. De acordo com uma alta fonte da coligação, a prefeita vem reivindicando a participação do presidente diretamente a ele. Uma dessas conversas teria acontecido ainda na pré-campanha, durante um evento realizado em Fortaleza, no dia 28 de fevereiro último. Sentados lado a lado, num estádio da periferia da cidade, a prefeita teria feito duas reclamações ao ouvido do presidente (foto). Primeira: disse que não admitia ser rejeitada pela segunda vez. Em seguida, Luizianne reclamou que um cearense ocupante de uma das estruturas do governo federal estaria se mobilizando para viabilizar financiamento para a campanha de Moroni. Último a falar no ato, Lula fez uma contundente defesa da prefeita. No final, houve um caloroso abraço.
SALMITO DEFENDE APROVAÇÃO
Há duas semanas, aqui foi sugerida a retirada de pauta do novo Plano Diretor de Fortaleza que tramita na Câmara Municipal. Em resumo, foi argumentado que o processo eleitoral em curso pode causar prejuízos à cidade, dadas as pressões e interesses envolvidos na questão. O relator do projeto, vereador Salmito Filho (PT), enviou a seguinte nota à Coluna: 1) "O Plano Diretor não pode ser mais 'brecado' como você sugere. A mensagem original enviada pela Prefeita Luizianne já foi votada, por unanimidade, em 1ª discussão, na sessão do último dia 28 (quinta-feira); 2) Não existe nenhum 'perigo pairando no ar' e nem 'ambiente propício para toda sorte de desapego às causas mais nobres', como você escreveu. Desde o final de maio de 2008 estamos, toda quinta-feira, em audiências públicas, discutindo a matéria, artigo por artigo, com a sociedade civil organizada, movimentos populares, entidades empresariais, advogados, professores e estudantes universitários e demais interessados. 3) Nunca afirmei e nem defendi que 'a votação (do Plano) aconteça o mais rápido possível'. O que eu defendo é que, ficando a votação para 2009, é adiar mais ainda a execução do plano que é fundamental para o presente e para futuro da nossa cidade".
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