Política
POLÍTICA
As pesquisas de opinião e a dinâmica do processo
Fábio Campos
16 Jul 2008 - 00h37min
No ar, a primeira pesquisa de opinião depois de configurado o quadro de candidatos a prefeito de Fortaleza. A consulta foi feita pelo instituto mineiro Vox Populi, comandado pelo sociólogo Marcos Coimbra, sob encomenda da TV Jangadeiro. Foram 700 entrevistados entre os dias 11 e 12 passados. A margem de erro é de 3,7 pontos percentuais. Os eleitores foram ouvidos em um período anterior à chegada efetiva das candidaturas nas ruas e mais de um mês antes do início do horário eleitoral gratuito no rádio e na TV. Portanto, os números devem ser lidos e analisados com bastante ponderação. E a Coluna vai começar ponderando com a lembrança de recente avaliação feita pela diretora executiva do Ibope Inteligência, Márcia Cavallari: “As pesquisas de intenção de voto nas eleições municipais têm um grau maior de dificuldade para os institutos de pesquisa quando comparadas às realizadas nas eleições presidenciais. O motivo é a velocidade das informações que atingem o eleitor das cidades, interferindo na opinião que eles têm dos candidatos”.
A VELOCIDADE DAS INFORMAÇÕES E O VOTO FLUTUANTE
A disputa municipal é impar. É a mais quente e emocional. Nenhuma contenda política toca tão de perto o cotidiano dos eleitores. Não é à toa o poder de interferir nessa disputa que um simples boato possui. Na eleição municipal, propagam-se notícias falsas com enorme facilidade. As informações, mentirosas ou verdadeiras, atingem os eleitores municipais com imensa velocidade. E os comitês dos candidatos, sem exceção, se armam, se municiam. Montam suas estruturas de informação e contra-informação. E esse cotidiano interfere com velocidade e em proporção significativa no pensamento dos eleitores. E as intenções de voto flutuam. É óbvio que as pesquisas que se sucedem ao longo da campanha vão capturar aquele momento, que pode não ser o definitivo. E geralmente não é. Não é à toa que boa parte das campanhas municipais, como tem sido o caso de Fortaleza, só se define nos últimos três dias, incluindo o dia da eleição, justamente quando a propaganda eleitoral já não é permitida. Há outro detalhe muito importante apontado pela diretora do Ibope. É que os institutos se baseiam em dados demográficos do IBGE na hora de montar as amostras. O problema é que esses dados são do censo 2000. De lá para cá, o índice de escolaridade, por exemplo, subiu vertiginosamente. De lá para cá, a renda das famílias variou para cima.
A PREÇOS DE HOJE, ELEIÇÃO EM DOIS TURNOS
Mas, vamos à pesquisa Vox Populi. Ficou a sensação de que faltava algo muito importante. Um ponto definidor que permite aos analistas maior clareza acerca da situação de hoje. Trata-se da avaliação da gestão da prefeita Luizianne Lins (PT). Segundo a TV Jangadeiro, que encomendou a consulta, os números desse item serão divulgados somente amanhã. A avaliação da gestão é determinante. Em São Paulo, por exemplo, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) tem índice de intenção de voto muito inferior à avaliação de sua gestão. Na campanha, a tendência é que um índice encoste no outro. Aqui, teremos que esperar para que se possa fazer uma avaliação mais completa do cenário. Afinal, o que está em jogo é a continuidade ou não da petista no cargo. Pelos números de ontem, a eleição só seria decidida no segundo turno. A pesquisa estimulada aponta que oposição à prefeita alcança os 51% de intenção de voto. Moroni (30%) começa a disputa com o percentual que alcançou somente na véspera da eleição de 2004, embora as urnas, no fim das contas, tenham lhe dado 26%. Na época, o suficiente para jogá-lo no segundo turno. A tarefa principal de Moroni é não perder as intenções de voto que tem hoje.
O "NÃO" QUE LIDERA COM FOLGA E OUTROS DADOS
Luizianne Lins, com 26% na pesquisa estimulada, tem uma tarefa difícil pela frente. Deve-se levar em conta que a prefeita ultrapassa a metade do último ano de gestão sendo superada pelas intenções de votos dos dois principais opositores. Ou seja, a preços de hoje, se fosse um plebiscito, o “não” a Luizianne seria o vitorioso. Então, a campanha da prefeita deverá atuar em duas frentes. Numa, em busca de diminuir sua rejeição de 33%. Um terço do eleitorado. Na outra, que é complementar, tentando atrair simpatizantes dos concorrentes e dos indecisos. No terceiro lugar, apareceu Patrícia Saboya (PDT) com 21%. O índice de rejeição insignificante de 5%, se mantido, oferece à senadora um horizonte que a permitirá crescer na disputa. A rejeição pequena sugere que a pedetista pode se tornar a opção para os indecisos e a segunda opção dos eleitores que, por um ou outro motivo, quiserem fugir da opção inicial. Outros dados que a surgir vão oferecer melhores condições para uma avaliação mais completa. O Vox Populi também mediu a possível influência do governador Cid Gomes e do presidente Lula na disputa. A esperar.
A VELOCIDADE DAS INFORMAÇÕES E O VOTO FLUTUANTE
A disputa municipal é impar. É a mais quente e emocional. Nenhuma contenda política toca tão de perto o cotidiano dos eleitores. Não é à toa o poder de interferir nessa disputa que um simples boato possui. Na eleição municipal, propagam-se notícias falsas com enorme facilidade. As informações, mentirosas ou verdadeiras, atingem os eleitores municipais com imensa velocidade. E os comitês dos candidatos, sem exceção, se armam, se municiam. Montam suas estruturas de informação e contra-informação. E esse cotidiano interfere com velocidade e em proporção significativa no pensamento dos eleitores. E as intenções de voto flutuam. É óbvio que as pesquisas que se sucedem ao longo da campanha vão capturar aquele momento, que pode não ser o definitivo. E geralmente não é. Não é à toa que boa parte das campanhas municipais, como tem sido o caso de Fortaleza, só se define nos últimos três dias, incluindo o dia da eleição, justamente quando a propaganda eleitoral já não é permitida. Há outro detalhe muito importante apontado pela diretora do Ibope. É que os institutos se baseiam em dados demográficos do IBGE na hora de montar as amostras. O problema é que esses dados são do censo 2000. De lá para cá, o índice de escolaridade, por exemplo, subiu vertiginosamente. De lá para cá, a renda das famílias variou para cima.
A PREÇOS DE HOJE, ELEIÇÃO EM DOIS TURNOS
Mas, vamos à pesquisa Vox Populi. Ficou a sensação de que faltava algo muito importante. Um ponto definidor que permite aos analistas maior clareza acerca da situação de hoje. Trata-se da avaliação da gestão da prefeita Luizianne Lins (PT). Segundo a TV Jangadeiro, que encomendou a consulta, os números desse item serão divulgados somente amanhã. A avaliação da gestão é determinante. Em São Paulo, por exemplo, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) tem índice de intenção de voto muito inferior à avaliação de sua gestão. Na campanha, a tendência é que um índice encoste no outro. Aqui, teremos que esperar para que se possa fazer uma avaliação mais completa do cenário. Afinal, o que está em jogo é a continuidade ou não da petista no cargo. Pelos números de ontem, a eleição só seria decidida no segundo turno. A pesquisa estimulada aponta que oposição à prefeita alcança os 51% de intenção de voto. Moroni (30%) começa a disputa com o percentual que alcançou somente na véspera da eleição de 2004, embora as urnas, no fim das contas, tenham lhe dado 26%. Na época, o suficiente para jogá-lo no segundo turno. A tarefa principal de Moroni é não perder as intenções de voto que tem hoje.
O "NÃO" QUE LIDERA COM FOLGA E OUTROS DADOS
Luizianne Lins, com 26% na pesquisa estimulada, tem uma tarefa difícil pela frente. Deve-se levar em conta que a prefeita ultrapassa a metade do último ano de gestão sendo superada pelas intenções de votos dos dois principais opositores. Ou seja, a preços de hoje, se fosse um plebiscito, o “não” a Luizianne seria o vitorioso. Então, a campanha da prefeita deverá atuar em duas frentes. Numa, em busca de diminuir sua rejeição de 33%. Um terço do eleitorado. Na outra, que é complementar, tentando atrair simpatizantes dos concorrentes e dos indecisos. No terceiro lugar, apareceu Patrícia Saboya (PDT) com 21%. O índice de rejeição insignificante de 5%, se mantido, oferece à senadora um horizonte que a permitirá crescer na disputa. A rejeição pequena sugere que a pedetista pode se tornar a opção para os indecisos e a segunda opção dos eleitores que, por um ou outro motivo, quiserem fugir da opção inicial. Outros dados que a surgir vão oferecer melhores condições para uma avaliação mais completa. O Vox Populi também mediu a possível influência do governador Cid Gomes e do presidente Lula na disputa. A esperar.
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