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Uma antiga tese sempre presente no noticiário

Fábio Campos
07 Fev 2008 - 00h15min

Ressurgiu a conversa de uma possível aliança entre PT e PSDB. Talvez seja apenas uma flor do recesso (temas que surgem no noticiário político no vácuo das férias parlamentares), mas a possibilidade vem se mantendo presente no noticiário há muitos anos. Na semana passada, a Coluna abordou o caso de Belo Horizonte, onde o prefeito Fernando Pimentel (PT) e o governador Aécio Neves (PSDB) anunciaram que estão tratando de um possível acordo para as eleições desse ano. Ontem, na mesma linha, o jornalista Elio Gaspari iniciou assim seu comentário: “Renasceu em Belo Horizonte a plantinha de um entendimento do PT com o PSDB. O governador Aécio Neves e o prefeito petista Fernando Pimentel discutem a possibilidade de lançar uma candidatura comum à Prefeitura de Belo Horizonte. A viabilidade desse projeto é pequena, mas a grandeza da idéia é excepcional”. E terminou assim: “Por mais que uma aliança do PT com o PSDB seja condenada pelos comissários do aparelho petista e pelos demófobos do tucanato, essa possibilidade jamais sairá do ar”. Ao longo das dos últimos 15 anos a conjuntura aproximou as duas siglas em situações especiais de nossa história.

A CONJUNTURA QUE JUNTOU TAMBÉM DESUNIU
O momento em que as circunstâncias políticas criaram as melhores condições para uma aliança entre o PT e PSDB foi após a queda de Fernando Collor. Era a hora de formar um governo de coalizão em torno do presidente Itamar Franco. O PSDB foi para o Governo. O PT preferiu ficar de fora. O Partido tinha em mente a eleição presidencial de 1994. Considerava favas contadas a vitória de Lula naquela disputa. Não esperava a virada na conjuntura. E a virada veio pela mão do PSDB, que emplacou Fernando Henrique Cardoso no Ministério da Fazenda. Cercado pelo talento de economistas tucanos, FHC cuidou da implantação do Plano Real. O fim da inflação e a estabilidade financeira foram os cabos eleitorais que elegeram FHC (1994) e o reelegeram (1998). O PT na oposição estava, na oposição permaneceu sempre apostando na vitória de Lula. Vitórias que vieram em 2002 e em 2006 tendo sempre os tucanos como principais adversários. No espaço de tempo em que duraram os governos tucanos e em que dura o governo petista, um ponto os equipara na política: a necessidade de se aliar ao atraso e ao fisiologismo para garantir o que a crônica política se acostumou a chamar de governabilidade. Para romper com isso, só se um puder
contar com o outro.

ALIANÇA TUCANO-PETISTA TEVE ATO CONCRETO NO CEARÁ
A controversa idéia da aproximação tucano-petista possui um capítulo importante no Ceará. Foi aqui a primeira tentativa de aliança. E o acerto não foi adiante por muito pouco. Em 1994, Ciro Gomes era o governador. Antes, em 1992, Ciro já havia imposto ao PSDB a candidatura do petista Ilário Marques em Quixadá. Era o primeiro ato concreto do que se montava para o futuro. Dois anos depois, Ciro e as tendências que tinham a maioria do comando petista, articularam uma aliança estadual. Tasso Jereissati seria o candidato ao Governo. O PT entraria com o nome do vice (Mário Mamede). Os tucanos, incluindo Tasso, aceitaram de pronto. Faltava a idéia passar no congresso estadual do PT. Com o aval secreto de Lula, que mantinha conversas tanto com Tasso quanto com Ciro, a aliança PSDB-PT foi aprovada no congresso petista de 1994. Só havia um detalhe: Lula deu seu aval pessoal, mas não controlava o PT. Na hora em que o caso foi ser discutido pela direção nacional, Lula agiu à sua maneira. Ou seja, fez de conta que não tinha nada a ver com isso e não brigou para o partido manter o acordo do Ceará. O PT nacional acabou por intervir na decisão local e a tese do acordo foi enterrada.

TUDO COMEÇOU EM SOBRAL
O grupo político de Ciro Gomes nunca tirou de seu receituário a aliança com o PT. E ela se deu dois anos depois daquela tentativa de 1994. Foi nas eleições de 1996 em Sobral. Então no PSDB, o candidato Cid Gomes atraiu os petistas. Vencedor, Cid deu a PT uma parte significativa das secretarias municipais.
Cid saiu do PSDB dois anos depois, foi para o PPS e manteve a aliança com os petistas. Depois foi para o PSB, fato que só fortaleceu as condições para a manutenção da mesma aliança.

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