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Recado da pesquisa: Quadro aberto e segundo turno

Fábio Campos
11 Dez 2007 - 00h11min


A primeira pesquisa Datafolha de Fortaleza ofereceu a comprovação científica de uma tendência que já se desconfiava muito provável: a eleição deverá ser decidida em dois turnos. A preço de hoje, não há candidato com força suficiente para ganhar a disputa em um só turno. Significa que será uma eleição com resultados muito parecidos com a disputa passada. Quem obtiver um pouco mais de 20% dos votos, tem chance de chegar ao segundo turno. Foi assim que Moroni (26,59%) e Luizianne (22,29%) passaram para a segunda etapa em 2004. Inácio Arruda, o terceiro colocado terminou com 19,22%. Portanto, fortes emoções à vista. As circunstâncias apontam situação típica de campanha a ser decidida na reta final, com o quadro se definindo na última semana, como foi a eleição anterior. O recado da pesquisa para os candidatos foi o seguinte: as alianças são fundamentais e vão determinar os vencedores do primeiro turno. Quem conseguiu juntar o maior número de apoios, dando substância ao palanque, ao caixa de campanha e ao tempo dos candidatos na TV, terá mais e melhores chances na disputa.

QUADRO SÓ SE DEFINIRÁ EM JUNHO DE 2008
No primeiro cenário, seguindo a colocação de cada um, os nomes de Moroni (DEM), Luizianne (PT), Lúcio Alcântara (PR), Patrícia Saboya (PDT), Cambraia (PMDB), Marcos Cals (PSDB) e Renato Roseno (PSOL). Talvez seja esse o cenário mais próximo da realidade que só vai se configurar em junho do próximo ano. Entre os sete, quatro são candidaturas com mais chances de se concretizar. Há muitas dúvidas se Lúcio, Cambraia e Roseno serão candidatos. Juntos, os três somam 26% das intenções de voto. O PR de Lúcio se mantém aberto. Tanto pode ter candidato próprio quanto pode se engajar em uma aliança. De uma forma ou de outra, está claro o peso que o ex-governador pode ter no processo. O PMDB de Cambraia também está aberto. O deputado federal Eunício Oliveira é a peça chave e vai negociar o apoio de seu partido tendo como base sua desejada candidatura a senador em 2010. Não dando certo, o PMDB vai de candidatura própria. O PSOL deve ter candidato próprio, mas há dúvidas se será Roseno em função de sua relação pessoal com a prefeita Luzianne Lins.

PESQUISA É PRELIMINAR E DEVE SER VISTA COM CUIDADO
O atual Datafolha destoou de pesquisas feitas em Fortaleza no calor da última campanha ao entrevistar apenas 415 eleitores. É um número que impõe elevada margem de erro (5%). Com exceção de Moroni, essa margem deixa boa parte dos candidatos em situação de empate técnico. Mas esse é o método que o Datafolha usa para a pesquisa realizada no último mês do ano anterior ao ano da eleição. Em 2003, o Datafolha também foi às ruas e usou a mesma metodologia. Nessa fase, trata-se de uma pesquisa preliminar, sem que as candidaturas estejam definidas após as convenções partidárias. Portanto, é uma consulta cujos resultados devem ser lidos com o cuidado e a ponderação devida. Para termos uma idéia, naquela época (dezembro de 2003), o quadro era o seguinte: Inácio 34%, Moroni 24%, Patrícia 10% e Cambraia 7%. Outros 15 pontos percentuais foram divididos por nomes que, assim como Patrícia, não concretizaram as candidaturas. A então deputada estadual Luizianne Lins, vencedora daquela disputa, nem sequer entrou na lista submetida aos eleitores, já que a tendência da época era o PT apoiar Inácio. A rejeição é um detalhe importante não medido pela pesquisa feita agora. Também não foram feitas projeções de segundo turno.

O IMPONDERÁVEL E AS VARIÁVEIS
Mesmo sendo muito cedo, os potenciais candidatos que saem na frente usam os resultados para se capitalizar politicamente. É próprio da política. O fato é que ninguém está fora do jogo e ninguém tem situação tranqüila. Há muitas variáveis que ainda nem sequer se evidenciaram e que influem decisivamente no desenrolar do processo. A rede de apoios é uma delas. As alianças, o tempo na TV, o formato do discurso, são outros. O imponderável sempre atua. O caso de Luizianne em 2004 é singular. Não fosse a atitude do PT do Ceará, que traiu uma decisão legítima do partido e apoiou Inácio, teria sido improvável a vitória de Luizianne. Foi a traição do partido, transformando-a em uma vítima, que deu fôlego à sua candidatura que havia iniciado a disputa com meros 2% de intenções de voto. Agora, para ela, a conversa é completamente diferente. A condição de prefeita e o resultado da pesquisa dizem que a petista precisará fazer um imenso esforço para reverter o quadro de hoje.

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