Política
POLÍTICA
O início do Ronda e uma nova etapa do Governo
Erick Guimarães
26 Nov 2007 - 00h20min
A semana passada foi recheada de simbolismo político para o Governo Cid Gomes, principalmente com o início das operações do programa Ronda do Quarteirão. É significativo que o governador tenha aproveitado o anúncio formal do programa, sua principal promessa de campanha, para fazer um desabafo das cobranças a que vem sendo submetido nos últimos meses. O governo estava refém de seu próprio discurso na campanha: o de que era preciso passar uma nova marcha para acelerar o crescimento do Estado, algo que não havia acontecido até então.
Nesse sentido, o próprio Cid parece ter percebido a necessidade de garantir um peso simbólico a uma área que, até então, os chefes do Executivo não atribuíram às políticas de segurança - exceção feita ao período imediatamente posterior ao do caso França, em 1997, quando o então governador Tasso Jereissati reuniu as polícias Civil e Militar sob uma mesma pasta, no comando do general Cândido Vargas.
O núcleo duro do governo já esperava um primeiro semestre difícil. Foi um momento em que o governo fechou os cofres e praticamente parou a máquina pública, provocando um desgaste além da conta do capital político de Cid. A expectativa do Palácio Iracema era retomar o ritmo do governo com fortes investimentos no segundo semestre. Em maio, o chefe da Casa Civil, Arialdo Pinho, anunciou que o governo contabilizava R$ 500 milhões de recursos do Tesouro para investir em projetos neste segundo semestre.
Pediu que os secretários apresentassem rapidamente seus projetos prioritários, mas o que se viu, a partir dali, foi a vitória da burocracia e das dificuldades gerenciais sobre o plano de governo. Setembro chegou e nada. Virou miragem, como esta Coluna avaliou na época. Naquele mês, o governo havia aplicado menos de 8% do previsto para investimentos. Daí, a sensação de que o governo vivia um estado de letargia.
Por tudo isso, o lançamento dos projetos prioritários - notadamente o da Segurança - marca um novo momento para o governo Cid Gomes. O caminho daqui para frente é longo: em janeiro, a área de atuação do Ronda deve atingir totalmente Fortaleza, Caucaia e Maracanaú. Até o fim de 2008, todos os municípios com mais de 100 mil habitantes deverão estar incluídos no projeto. Em 2009, será a vez dos municípios com mais de 50 mil habitantes.
Ao puxar o Ronda para si, Cid jogou o problema da segurança na ante-sala do governo. Evitou, com isso, a falsa sensação do governante que acha que pode passar ao largo de uma pauta que se impõe a toda a sociedade. Com os carros na rua, é a hora em que sua capacidade gerencial precisa falar alto. Até porque o sucesso ou fracasso de seu governo está, em grande medida, relacionado à capacidade do Ronda de diminuir a sensação de insegurança do cearense.
UMA MARRADA NAS TARIFAS
É bom ficar atento à movimentação que está acontecendo em Tauá. Em abril deste ano, o município, encravado no sertão dos Inhamuns, já havia se notabilizado por ser a terceira cidade digital do País. No último fim de semana, lançou outra novidade que, se der certo, vai dar muita dor de cabeça para as empresas de telefonia. A Prefeitura instalou, em caráter experimental, quatro telefones públicos com Voz sobre IP, a tecnologia que fez o sucesso do Skype e que vem pondo as telefônicas em xeque mundo afora. Os aparelhos são chamados de "bodefones", numa referência ao fato de Tauá ter um dos maiores rebanhos de caprinos do Nordeste.
Dá-se o seguinte: o cidadão quer ligar para um amigo que esteja ligado a Internet por VoIP. Vai ao bodefone, pega o aparelhinho e fala de graça. De graça. Quer falar com outro amigo que não tenha VoIP? Compra um cartão telefônico, pagando tarifas com 60% a 70% de descontos com relação a uma ligação comum. Para operar a idéia, a Prefeitura quer criar sua própria empresa de telefonia - a DigiTauá. A idéia é, num primeiro momento, instalar quatro bodefones para cada um dos quatro quiosques digitais da cidade. Por enquanto, todos estão na sede do município, mas a idéia é estender o programa para todos os prédios públicos da região. Se o plano for totalmente efetivado, estará criada uma rede com mais de 300 pontos de telefonia via VoIP. Com todas as ligações gratuitas entre si.
O projeto ainda depende de parceiros e financiamento para poder se viabilizar (por enquanto, o custo da operação é bancado pela Prefeitura e por uma parceira privada, a Red Mobi). Mas, se conseguir, a tecnologia vai trazer um pouco de século XXI para algumas comunidades cuja vida ainda lembra o século XIX.
A DISPUTA DAS CENTRAIS
Está em andamento um racha no movimento sindical brasileiro. Há alguns dias, o PCdoB e alguns outros núcleos sindicais ligados ao PDT e PSB anunciaram a criação de uma nova central sindical, a "Central Classista e Democrática". Na prática, isso significa que a CUT deve reforçar ainda mais seus laços com as tendências petistas - não por acaso, os partidos que estimularam a criação da nova central são os mesmos que compõem a chamada Frente de Esquerda no Congresso Nacional. A expectativa é de que 25% dos atuais sindicatos ligados à CUT deixem a entidade. No Ceará, o Sindicato dos Trabalhadores no Asseio e Conservação já se desfiliou, mas a expectativa é de que entidades como Sindipetro, Sindetran, Sindsaúde, Sindiágua, anunciem sua entrada na CCD nos próximos meses.
O XIS DA QUESTÃO
O novo presidente estadual tucano, Carlos Matos, reúne a bancada do PSDB amanhã. Depois de duas semanas de muita confusão interna, vai tentar colocar a casa em ordem. Entre outras coisas, vai reforçar que o secretário Marcos Cals é o responsável pela intermediação das relações com o governo e anunciar a criação de um grupo de trabalho para começar a preparar o partido para as eleições de 2008.
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