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No programa de Lula, o gás é preto no branco

Fábio Campos
07 Jun 2007 - 01h50min


Como vivemos tempos em que boa parte dos nossos políticos não tem compromisso com a palavra dada, vale cobrar o que está escrito. No caso do Ceará, é a boa hora para essa atitude diante do impasse da siderúrgica. É fato que o presidente Lula citou como fato consumado o apoio do Governo Federal à instalação da siderúrgica do Pecém. Isso ocorreu na campanha da reeleição e ocorreu depois de empossado para um novo mandato. Nas duas situações, as declarações foram muitas. Em público e privadamente. Agora, diante do impasse estabelecido pela Petrobras, que havia assinado um contrato, um ou outro discurso oriundo de nossa esquerda age para tirar a responsabilidade do Governo Federal nos acontecimentos. Como se nada tivesse sido dito e prometido pelo presidente. Como se nada tivesse sido assinado pela Petrobras. Lamentável. Para acabar com essa conversa, vamos textualmente ao que diz o "Programa de Governo 2007-2010: Lula presidente". Está lá, na página 17, no item "Política Industrial", o seguinte texto: "Garantir o fornecimento do gás que viabilize a construção e a operação da Siderúrgica do Ceará". Assim, simples e direto.

O QUE ESTÁ ESCRITO JÁ FOI DESRESPEITADO
Não fica bem para parlamentares e dirigentes do PT um comportamento que não seja a veemente defesa do compromisso que foi assinado embaixo pelo presidente e pelo partido. Quem quiser conferir é só acessar pela internet o site do PT (www.pt.org.br). A página oferece acesso ao documento. O Programa de Lula possui apenas 34 páginas. Começa com o lengalenga ideológico para, na seqüência, listar uma série de compromissos. O Nordeste é citado apenas uma vez: "Dar continuidade ao fomento do grande potencial brasileiro de fontes alternativas. No Nordeste, a energia eólica dará complemento à hidráulica". Notem que pode se tratar de outro estelionato político. Há cerca de 15 dias, Lula em pessoa disse que a energia eólica estava em plano longínquo entre as prioridades do Governo para gerar energia. Há ainda uma citação da Sudene. Vejam: "Aprovar projeto de lei em tramitação no Congresso de recriação da Sudene, restaurando a capacidade de planejamento e articulação regional". Sim, o projeto foi aprovado, mas o presidente vetou o que havia de mais substancioso. Essa simulação de Sudene que está aí não tem nenhuma capacidade de restaurar "a capacidade de planejamento e articulação regional".

O FUTEBOL E A DELIQÜÊNCIA ORGANIZADA
Há tempos que o Ceará assiste ao abuso e crimes praticados por membros das torcidas organizadas de futebol. E o pior, isso ocorre com a proteção de boa parte da mídia que cobre o futebol. Essas torcidas funcionam como um negócio. Elas dominam o comércio de mercadorias vendidas aos torcedores. Tudo, evidentemente, pirata. Sem impostos. O clube praticamente não ganha nada com isso. Nos jogos, um imenso prejuízo. Ônibus e estádios depredados. Fuga dos torcedores de bom senso diante do terrível clima de violência. Na última segunda-feira, outra mostra da tragédia em curso. Oito policiais do Batalhão de Polícia de Choque ficaram feridos após intervenção da PM em um confronto entre as torcidas organizadas do Ceará e do Fortaleza (futebol de salão). Um deles, o sargento PM Aureliano César, foi atingido com uma pedrada no rosto. Resultado: afundamento de face, dentes quebrados e duas delicadas cirurgias.

HOOLIGAS CEARENSES: QUE TAL FORA DA LEI?
O problema dos meliantes organizados chegou ontem ao plenário da Assembléia Legislativa. É uma boa notícia. Os deputados dão relevância à questão e apontam soluções. Uns falam em monitoramento, outros em melhorar a atuação da Polícia. Houve até a boa sugestão de identificar os nossos "hooligans" para que sejam banidos dos estádios. Uma atitude comum aos países mais desenvolvidos. Tudo isso é de fato necessário, mas talvez não seja suficiente. Diante da seqüência de acontecimentos numa sociedade já tão acossada pela violência o caminho é colocar essas organizações fora da lei. Declarar legalmente a sua extinção. Proibir esse tipo de organização. Não seria uma decisão inédita. A torcida "Mancha Verde", do Palmeiras, foi declarada fora da lei após uma seqüência de crimes. Lá em São Paulo, isso ocorreu a partir de uma atitude do Ministério Público.

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