Política
POLÍTICA
O bom exemplo que vem de Bogotá
Erick Guimarães
21 Mai 2007 - 02h41min
Vale a pena ouvir o ex-prefeito de Bogotá, Antanas Mockus no Fórum Internacional sobre Violência, que será realizado hoje à tarde no auditório da Fiec. Professor da Universidade Nacional da Colômbia e prefeito por duas vezes (1995/1997 e 2001/2003), ele deu início a um bem sucedido programa de combate à violência urbana que transformou Bogotá em case internacional. Não que a cidade tenha resolvido todos os seus problemas, mas conseguiu reduzir a taxa de homicídio de 70 por 100 mil habitantes em 1994 para 23 nove anos depois. Para efeito de comparação, o Brasil registrava índices na casa dos 28 homicídios por 100 mil habitantes em 2003. A principal diferença é que a Colômbia vive há décadas em guerra civil declarada.
Não há mágica nesses resultados. O que há é um foco bem definido de política pública cujas linhas gerais foram mantidas por três administrações. Por lá, houve uma forte campanha de desarmamento voluntário, aliada à restrição ao porte de armas nos fins de semana. Proibiu-se a venda de bebida alcoólica depois de 1 hora da manhã. Houve várias intervenções urbanas com recuperação de locais deteriorados. Apostou-se fortemente no lazer como forma de revitalizar a cidade e criar relações entre seus habitantes (aos domingos, várias ruas e avenidas são fechadas para os automóveis). Promoveu-se um forte programa de segurança no trânsito. E - nunca é demais destacar - centenas de policiais corruptos foram expulsos da corporação.
Isso não significa que a questão policial tenha sido deixada de lado. Bogotá é uma cidade fortemente vigiada. Há 16 mil policiais federais nas ruas, na maioria das vezes fazendo policiamento à pé e fortemente armado. O contingente chama a atenção. Em todo o Ceará, por exemplo, o efetivo policial mal chega a 15 mil homens. Outro detalhe: lá, os policiais têm dedicação exclusiva - e não essa coisa pouco racional de jornadas de 24 horas com plantão por 48 de folga, que normalmente se pratica no Brasil.
O mais importante do caso Bogotá é perceber que não se vence a luta contra a insegurança sem o engajamento da população. Certa vez, logo após um atentado a uma estação de ônibus, o então prefeito foi ao Centro da cidade incentivar a população a continuar andando de ônibus. De um lado dos ônibus, colocava uma bandeira preta, em sinal de luto. Do outro, uma com as cores da cidade.
De tanto insistir, o medo vem cedendo à cidadania. É uma boa provocação aos seus moradores. E aqui - Quando se irá encarar realmente o problema?
AS VOLTAS DO CASO DA CUECA
O deputado federal José Nobre Guimarães (PT) voltou a ser réu no caso dos "dólares na cueca". Em junho do ano passado, o deputado havia obtido uma liminar, no Tribunal Regional Federal, retirando seu nome da ação. A liminar acabou se transformando em um trunfo importante para o deputado, que estava em plena campanha eleitoral.
Agora, o jogo virou. Na semana passada, os desembargadores federais Petrúcio Ferreira e Luiz Alberto Gurgel cassaram a liminar e colocaram o nome do deputado petista de volta à ação. Como o acórdão não foi publicado ainda, não se sabe se os bens do deputado voltam a ser bloqueados. Os advogados de Guimarães aguardam essa publicação para avaliar se cabe novo recurso.
ALGUMA COISA ESTÁ...
A polêmica sobre o referendo sugerido pela Prefeitura deveria servir, pelo menos, para chamar a atenção para a proposta de Plano Diretor que saiu do Congresso Municipal. Vejam só como são as coisas: atualmente, o limite de altura é de 48 metros. O índice de aproveitamento atual, por sua vez, é 2. Ou seja, para cada metro quadrado de área, pode construir o dobro.
...FORA DA ORDEM
Pela proposta que foi aprovada no Congresso Municipal, a área do Cocó passa a ser considerada uma Zona de Ocupação Moderada. Isso significa, se for aprovada pela Câmara de Vereadores, a altura-limite para os prédios daquela região seria de 72 metros (50% a mais do que é hoje). O índice de ocupação passaria a ser de 2,5. Tudo com a bênção do movimento social e de alguns setores da própria Prefeitura.
MEMÓRIA
O Instituto Queiroz Jereissati está catalogando e arquivando documentos do senador Tasso Jereissati para preservar a memória de época em que foi governador. No acervo, documentos pessoais, recortes de jornais, bilhetes e fotos. O Instituto também está consultando outros ex-governadores que possam ceder seu acervo. Obviamente, essa consulta não deve incluir ex-governadores que mantenham suas próprias fundações. Caso de Lúcio Alcântara, por exemplo.
A BRIGA PELA DRT
O presidente estadual do PDT, André Figueredo, reúne-se amanhã com o também pedetista ministro do Trabalho, Carlos Lupi. Na pauta, a indicação de Papito Oliveira para a DRT cearense. O PT tenta manter o atual delegado, José Nunes Passos, no cargo. Discreto mas eficiente, o trabalho de Passos é bem avaliado tanto no meio sindical como por empresários. Infelizmente, hoje em dia, isso não quer dizer muita coisa.
O ORÁCULO
A oposição cai em campo esta semana e deve realizar pesquisa de opinião em Fortaleza. Será feita pelo pessoal da MCI de Antônio Lavareda, empresa que prestou serviço durantes anos ao Governo do Estado na gestão tucana. Entre outros pontos, irá avaliar a quantas anda a popularidade da prefeita Luizianne Lins (PT).
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