Política
POLÍTICA
Perfil de Geddel Vieira diz: Quanto mais obras melhor
Fábio Campos
31 Mar 2007 - 14h24min
Um grupo de cearenses, entre eles o deputado federal Ariosto Holanda (PSB) e o consultor do BNB, Cláudio Ferreira Lima, esteve na quinta-feira com o novo ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima. Saíram da conversa convencidos que o baiano vai tocar a obra que integrará as águas do Rio São Francisco com bacias hidrográficas do semi-árido. Geddel falou abertamente sobre a questão, afirmou que a obra é um projeto de Governo e que sua tarefa é levá-la adiante. Que assim seja. O tempo e os acontecimentos vão dizer se é conversa da boca para fora. Hoje, a única certeza possível é a seguinte: a trajetória de Geddel Vieira indica que o ministro não tem o perfil de quem se nega a tocar obras. Pelo contrário. A ele e ao PMDB não interessa um ministério sem obras. Como se sabe, a integração de bacias é a principal obra do Ministério. Projeto feito, parte dos recursos definidos, liberação do Ibama. É só começar, mas nossos olhos devem permanecer mais vivos do que nunca.
FIDELIDADE DESENGAVETA REFORMA PÓLÍTICA, MAS HÁ RISCOS
A interpretação do Tribunal Superior Eleitoral favorável à fidelidade partidária já causou um importante efeito colateral. Pressionado pelos acontecimentos, o Congresso tende a apressar a votação dos itens da reforma política. Não duvidem se a fidelidade for votada em breve. Não duvidem se a validade dela for empurrada para os eleitos na disputa de 2010. É a forma de livrar a turma que hoje está ameaçada de perder seus mandatos por terem trocado de partido. Não é à toa que o PR, a sigla que mais abrigou infiéis, está agora defendendo a reforma. O projeto já está sendo desengavetado na Câmara dos Deputados. O risco é a panacéia. O risco é a esperteza atuar para que seja votado somente o item da reforma que anula a fidelidade imposta pela interpretação do TSE. O ideal é que a reforma seja votada em conjunto. Um todo que não seja esfarelado. Sem remendos.
O ESPÍRITO DE ACOMODAÇÃO E DEPENDÊNCIA DO ESTADO
Vale a leitura do livro "Raízes do atraso - as dez vacas sagradas que acorrentam o País", do economista Fábio Giambiagi, do Ipea. O livro se sustenta em dois conceitos básicos que, para o autor, romperiam com as correntes que impedem o desenvolvimento sócio-econômico do Brasil. A primeira: o Brasil precisa caminhar para uma economia em que o bem-estar dependa do esforço, da criatividade e do êxito dos indivíduos, e não do apoio do governo. A segunda: o papel do Estado deve ser o ajudar as pessoas a buscar esse êxito, e não apenas o de transferir renda. São duas idéias que vão no sentido oposto do que ocorre hoje. Se levadas em conta, políticas como as bolsas qualquer coisa sumiriam do mapa ou estariam vinculadas a políticas de desenvolvimento. No fim das contas, o que o economista sugere é a instalação do capitalismo no Brasil. "O Brasil não cresce porque não merece. E se converte em uma economia com mentalidade de funcionário público, com espírito de acomodação e dependência do Estado", disse Giambiagi ao comentar o livro.
O FAMOSO LIVRO DE DIRCEU JAMAIS LANÇADO
Com o lançamento do livro do ex-ministro da Fazenda, Antônio Palocci, o seu companheiro petista, José Dirceu, disse em seu blog ter se sentido estimulado a lançar a história do tempo em que passou como o todo-poderoso da República. Trata-se de um conjunto de depoimentos já concedidos ao escritor Fernando Morais. O livro havia sido finalizado, mas, misteriosamente, os originais desapareceram com o roubo do computador de Morais, numa casa de praia no litoral paulista. Nada que não possa ser recuperado. Em recente viagem ao Ceará, quando veio lançar aqui a biografia do marechal cearense Casimiro Montenegro, Fernando Morais contou para a Coluna que havia passado a Dirceu os originais do livro antes de sua versão final, a que desapareceu. Nos bastidores, conta-se que o maior interesse de Dirceu já teria sido alcançado com a simples divulgação de que o livro estava no forno. O Palácio do Planalto que o diga.
EM BOA HORA
A Associação dos Parentes e Amigos de Vítimas da Violência (Apavv) criou a comenda Maria da Penha destinada às pessoas que se destacaram com ações contra a impunidade. A comenda será entregue em julho aos três primeiros indicados.
AGORA VAI
Mais uma do imperialismo cultural norte-americano: o nosso tradicional álcool combustível passou a ser chamado de etanol com a visita de George Bush ao Brasil. Nos EUA, é chamado de "ethanol", que é um entre diversos tipos de álcoois.
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