Publicidade

Jornal O POVO Leia o Jornal de Hoje


Política

POLÍTICA

A UFC está viva, mas a professora chama o debate

Fábio Campos


Diminuir a fonte do texto Aumentar a fonte do texto

24/03/2007 15:48


Nas páginas do jornal O POVO, a cobertura da campanha e da eleição que indicará o próximo reitor da UFC. A eleição ocorre no dia 28. As aulas começaram no dia 5 passado. Uns 20 dias de campanha com somente dois candidatos em disputa. A UFC é muito importante para o Ceará. Daí a atenção que desperta. A Coluna recebeu um artigo assinado pela professora Helena Lutéscia. Ela é graduada em Farmácia e Bioquímica pela UFBA (1970), tem mestrado e doutorado em Farmacologia pela USP. Professora Titular da UFC, tem as credenciais necessárias para comentar a eleição. Para começar, Helena chama a atenção para recente artigo assinado por Mourão Cavalcante, professor aquela instituição, sugerindo que a UFC está morta. "A provocação feita pelo professor atinge o seu auge quando diz que no campus do Porangabuçu... 'os docentes fazem de conta que cumprem suas tarefas e os estudantes brincam de profissionais'. Em seu afã de levantar Lázaro da tumba, o professor comete injustiça e desrespeita os colegas que, como ele sabe muito bem, mantém a universidade viva, apesar de administrações medíocres e centralizadoras que se sucedem há tempos".


"NÃO EXISTE DISCUSSÃO INTELECTUAL NA UFC"
Morta não, "mas seriamente doente". Para Helena Lutéscia, a UFC tem "um sistema imunológico atuante que a mantém viva". Ela explica seu diagnóstico: "O pragmatismo dominou esta Universidade, a lógica quantitativa, o cientificismo vazio, a concentração de poderes em pessoas e grupos, falta de transparência na aplicação de recursos, favorecimentos, injustiças. Há um desconforto geral quando alguém fala sobre isso, quando não obedece a hierarquia, quando diverge do estabelecido. Não existe discussão intelectual na UFC, isso é visto como perda de tempo ou politicagem. Ninguém é incentivado a pensar, a ousar, a romper com velhos paradigmas, principalmente os alunos. Os professores se acomodam na sua luta diária para manter o barco andando; é uma luta individual, na qual quem estiver mais perto do poder tem mais acesso a coisas banais tais como reforma de uma sala. Isso estimula a bajulação e a subserviência". Atentem para a frase: "Não existe discussão intelectual na UFC, isso é visto como perda de tempo ou politicagem".


HORA DE REVISAR O REGIMENTO DA DITADURA
Continua Helena Lutéscia: "Não há definição das políticas da Universidade; qual é a política de pesquisa atual da UFC? Qual a política de extensão? Políticas que deveriam ser construídas coletivamente, para que espelhassem o pensamento, o desejo e o compromisso de todos. Os servidores queixam-se da pouca participação nas eleições, mas, na realidade, os professores só participam no momento da consulta eleitoral, pois têm representação mínima nos conselhos superiores da Universidade. Uma prescrição racional para a UFC deveria conter uma assembléia estatuinte, para revisar o regimento interno da época da ditadura, e o envolvimento da comunidade universitária em uma ampla discussão de como deve ser a UFC, que políticas deve desenvolver, e quais seriam as prioridades. O processo eleitoral que estamos vivendo é realmente capenga, devido ao pouco tempo disponível para a campanha e ao fato da segunda candidatura ter surgido apenas no final do processo".


O DEBATE CONTRA O VÍRUS DA MEDIOCRIDADE
O arremate da professora: "A eleição parecem favas contadas, dado que, por incrível que pareça, muitos professores afirmam que 'já haviam se comprometido anteriormente com outra candidatura', como se não importassem as idéias e propostas de cada um. Apesar disso, as diferenças entre as visões de universidade e os compromissos de cada candidatura são bastante claras e foram evidenciadas nos debates, mostrando que ainda há vida pensante na UFC. É fundamental que, independentemente do resultado das eleições, o debate dessas idéias dentro da UFC cresça e frutifique sob pena do vírus da mediocridade destruir o que resta de saudável nesse precioso organismo".


Nota da Coluna: que venha a balela que isso é conversa dos inimigos da UFC que querem destruir a universidade pública. É exatamente o contrário. Quem, com qualidade de argumentação, quiser se contrapor ao artigo de Helena Lutéscia, o espaço está garantido.


Comente esta Notícia

Clique aqui para comentar



Adicionar O POVO como Página Inicial · Adicionar O POVO aos Favoritos · Política de privacidade · Assine · Publicidade · Contato