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Em cartaz, o negócio da Copa do Mundo no Ceará

Fábio Campos
13 Mar 2007 - 03h35min


Pelo rodízio que a Fifa estabeleceu para definir os países sedes da Copa do Mundo, há boas chances de o Brasil ganhar o evento de 2014. O Brasil está em plena campanha para que assim seja e a visita do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, ao Ceará tem muito a ver com isso. A Confederação Brasileira de Futebol está fazendo uma pré-seleção das cidades que podem ser sedes de jogos da Copa 2014. Hoje, no Palácio do Governo, Ricardo Teixeira e Cid Gomes vão falar sobre o que pode ser uma grande notícia para o Ceará. É imensa a repercussão econômica que um evento desse porte pode trazer ao Estado. Para começar, os critérios estabelecidos pela Fifa impõem a necessidade de uma infra-estrutura adequada na cidade que vai receber jogos. Não se resolve o problema apenas com um estádio de futebol moderno, coisa que ainda não temos se levarmos em conta critérios internacionais. A cidade-sede tem que possuir um sistema de transportes, de acomodações, de segurança e de comunicação condizentes com a dimensão de um dos maiores eventos do planeta.

BILHÕES DE PESSOAS DE OLHO EM UM DESTINO
A visita de hoje é o primeiro passo na, digamos, candidatura do Ceará para a Copa 2014. Além do governador e do presidente da CBF, foram convidados dirigentes da Prefeitura de Fortaleza e um importante grupo de empresários do Estado representando vários setores de nossa economia. A idéia é realizar um esforço conjunto na busca de viabilizar o projeto. Não é algo de fácil execução. Na Alemanha, este colunista viu de perto o imenso esforço financeiro e social de um País que compõe o G-7 para viabilizar a Copa passada. Mesmo possuindo uma das melhores infra-estruturas do mundo, em todos os setores, a Alemanha ainda foi obrigada a atender a uma série de demandas estabelecidas pela Fifa. A Copa do Mundo é um grande negócio. Mobiliza muito dinheiro, gera empregos, renda e faz com que sua sede se torne um destino turístico, para além do evento, de todos os povos do mundo. Em tempo: estima-se que a audiência acumulada da Copa de 2006 chegou a 32 bilhões de pessoas. O primeiro passo para que o Ceará esteja dentro desse negócio será dado hoje.

OS LUTADORES NO RINGUE DAS ELEIÇÕES DE 2008
A polêmica do reveillon de Fortaleza fez precipitar o debate da sucessão municipal. Em torno do tema, alguns cacos de oposição à Luizianne Lins (PT) se organizaram. A própria prefeita tratou de dar nome e rosto aos personagens. De cara, citou o senador Tasso Jereissati (PSDB) como o líder principal dessa articulação. A petista tratou de puxar o tucano para o ringue ligando-o ao deputado estadual João Jaime Marinho (PSDB) e ao grupo de vereadores que não compõe sua base de sustentação na Câmara de Fortaleza. Um grupo que era ligado ao ex-prefeito Juraci Magalhães e que ainda carrega um déficit de credibilidade. Certamente, a prefeita fez isso de caso pensado. É provável que Luizianne veja nisso uma vantagem política e, futuramente, eleitoral. Deve ter pesado em sua decisão o desempenho ruim dos tucanos numa já longa série de eleições em Fortaleza.

AS EVIDÊNCIAS DE UMA ARTICULAÇÃO
Num primeiro momento, Tasso Jereissati negou qualquer articulação para atacar a gestão municipal. Porém, dois fatos acabaram por colocar o senador no epicentro da disputa política local. Primeiro, a forma como João Jaime Marinho e, de quebra, a bancada tucana na Assembléia resolveu colocar combustível na fogueira do reveillon. Não há um tostão furado do Estado envolvido na pendenga, mas os tucanos acham que é preciso uma CPI para investigar a festa. Em paralelo, ocorreu a filiação do vereador Alri Nogueira ao PSDB. Poderia ser um fato corriqueiro não fosse a presença do senador Tasso no ato. Há uma novidade aí. O senador nunca moveu-se para fazer uma bancada de vereadores em Fortaleza, mas agora achou ser politicamente conveniente valorizar a filiação de uma só andorinha. No mesmo ato, a presença do antecessor de Luizianne, a quem Tasso chamou carinhosamente de "Jura". São mais que evidências de que germina uma articulação para 2008.

OPOSIÇÃO À PREFEITA GANHA CONTORNOS
O que acontece é próprio da política. Nada mais natural que os atores que estão fora da Prefeitura se movimentem para entrar. Imobilizada e desarticulada durante praticamente os dois primeiros anos de gestão de Luizianne Lins, a oposição agora encontrou brechas. Nesse ponto, a própria gestão deu uma inestimável contribuição. Os ecos estão aí. Os lados se armam. A tendência é que, daqui por diante, esses lados se definam com mais clareza. Pelo visto, a coalizão estadual que se formou em torno de Cid Gomes (PSB) não vai se manter na disputa de Fortaleza. Não duvidem se o PMDB avaliar que deve lançar candidatura própria na Capital. PSDB e PFL vão caminhar nesse sentido. A oposição certamente vai trabalhar a idéia de provocar o segundo turno. Estaria nesse contexto a melhor chance de impor uma derrota à prefeita. Em seu terceiro ano à frente dos destinos da cidade, Luizianne Lins sente a pressão.

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