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Ainda o caso da Escola de Saúde Pública do Ceará

Fábio Campos
22 Fev 2007 - 00h45min


Para uma quarta-feira de cinzas, foi muito forte a repercussão da Coluna (edição de ontem) que tratou da indicação do ex-deputado Mário Mamede para a Escola de Saúde Pública (ESP). A indicação se concretizou após o governador Cid Gomes (PSB) baixar um decreto que mudou os critérios de ocupação do cargo. Antes, era preciso possuir mestrado ou doutorado. Além disso, havia uma lista tríplice, formada pelo Conselho da ESP, que era submetida ao governador. O decreto baixado por Cid para encaixar Mamede determina que é necessário apenas uma especialização. O decreto também extinguiu a lista tríplice. A maioria dos leitores concorda com o ponto de vista aqui exposto. Ou seja, o processo resultou em um casuísmo feito ao sabor das necessidades políticas do governador. Um retrocesso partindo de um político que encarnou o novo na campanha e prometeu "um salto" político, econômico e social no Ceará. Nesse caso, um salto para trás. Não pelo nome indicado, mas sim pelas circunstâncias em que se deu a indicação.


UM PONTO DE VISTA FAVORÁVEL AO DECRETO
Curiosamente, a maioria dos leitores que comenta o caso não se identifica ou pede para não ser identificada. Vamos a um caso a favor da nomeação (texto não assinado): "A capacidade técnica não está necessariamente vinculada a títulos, que, às vezes, até são convenientemente 'conseguidos', mais do que obtidos mediante grande esforço pessoal na realização de relevante pesquisa científica. Além disso, pontualmente falando, se olharmos com cuidado, veremos que o rigor técnico não era a marca registrada da administração anterior da ESP. Só para exemplificar, tínhamos cursos de especialização coordenados por profissionais sem título de mestrado (é o caso, por exemplo, do Curso de Especialização em Nutrição Materno Infantil e Adolescente). Isso me parece mais grave do que administrar a Escola sem o referido título, visto que o coordenador do curso está diretamente em contato com o sujeito que demanda orientação técnica".


UM PONTO DE VISTA CONTRA O DECRETO
Outro leitor, que pediu para não ser identificado, mas é um interlocutor da Coluna, criticou o ocorrido na ESP e trouxe à tona novos fatos: "No início de janeiro, acompanhei a tentativa de mudança dos titulares do Instituto Centec e da Funcap. Ambos têm mandato assegurado até outubro/07, se não me engano. No caso do Instituto Centec o mandato foi estabelecido no Estatuto da entidade. Quanto à Funcap a definição do mandato é estabelecida em Lei. Se não fossem as articulações políticas trabalhadas por ambas as entidades, sobretudo por seus presidentes, que contaram com o apoio e peso da comunidade científica local e de deputados, o novo governo teria passado por cima destes dispositivos legais. É como você diz na Coluna: os tempos são outros. Não se respeita mais princípios e premissas que ancoram as instituições, quando se trata de atender conveniências políticas. Isto é, verdadeiramente, um atraso, um absurdo, uma brutal agressão à democracia. Ainda bem que a Coluna tem sido uma das poucas vozes a alertar para a gravidade dessas situações".


OS HERÓIS DA ESCOLA PÚBLICA DIRETO PARA A UFC
Alunos dos melhores colégios particulares de Fortaleza merecem nome e foto no jornal quando passam no vestibular da UFC. Em vez de gastar dinheiro com promoção do governante de plantão (ainda não é o caso em relação a Cid Gomes) o Estado deveria fazer o mesmo com os estudantes de escolas públicas que entram na nossa mais importante universidade. É com imenso prazer que a Coluna cita o caso de cinco estudantes oriundos do ensino público. Quatro vêm da Escola Tancredo Nunes de Meneses, em Tianguá. Dois foram aprovados para cursar Odontologia e outros dois para Engenharia Elétrica. Os nossos heróis de hoje são José Aglailson Silva de Olivindo e Ivys Pereira Santiago (Engenharia Elétrica) e Mário Sérgio Mançoeto Tabosa e Patrícia Lara Queiroz (Odontologia). O quinto vem de Trairí. Bruno de Brito Damasceno sai do Centro Educacional Pio Rodrigues para cursar História na UFC. Podem apostar: para conseguir o que conseguiram os cinco precisam ser duas vezes melhores que os outros aprovados oriundos da escola privada.

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