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XV FNT: palco da pesquisa e da formação em artes

Rej Rey


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23/09/2008 00:52

O grupo Clowns de Shakespeare foi um dos destaques do FNT (Foto:  divulgação)
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O grupo Clowns de Shakespeare foi um dos destaques do FNT (Foto: divulgação)

"É no ínfimo que eu vejo a exuberância".
Manoel de Barros. Ta dito!

O Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga – FNT tem se destacado na cena nacional dos festivais de teatro do Brasil como o lugar da pesquisa e da formação em artes. Desde a sua criação, em 1993, o ciclo de debates sobre os espetáculos constitui o ponto alto do FNT. Participam como debatedores criadores, pesquisadores, professores das artes e da cultura, do diretor, do ator, ao filósofo. Pela "Sala de Debates do Mosteiro" já passaram as principais escolas de artes do país: UFBA, Uece, UFC, UFPB, Unirio, Usp, Unicamp, UFRN, UFPE, além de profissionais de cursos livres, como Kil Abreu, por exemplo. Laços foram estreitados e intercâmbios valiosos, posteriores, foram vivenciados. Mesmo quando o FNT era competitivo - portanto, complicado, quando se trata de arte - os debates aconteceram de forma profissional, responsável e participativa. Na edição de 2008, destaque para a mesa redonda "Teatro nordestino nos últimos 15 anos: dos bastidores à cena". Falaram: Maninha Morais, presidente do Centro Dragão do Mar com o tema "O Colégio de Direção Teatral do Ceará"; Fernando Yamamoto, do grupo Clowns de Shakespeare (RN), com "Movimentos teatrais no nordeste – Movimento Lapada"; Oswald Barroso com " Teatro tradicional na cena contemporânea" e Magela Lima com "A imprensa e o teatro nordestino – o que virou notícia".

A partir da fala de Maninha foram rememorados momentos importantes para a formação e qualificação em cultura e artes no Ceará, até a criação do Colégio de Direção Teatral. Ressaltado o caráter original da proposta financiada pelo FAT, e sua valiosa contribuição para a arte e a cultura cearense, uma real mudança de paradigma, comparações inevitáveis foram traçadas, entre o Colégio de Direção Teatral e o Colégio de Dança. O de Direção teria trazido em seu cerne, equívocos profundos quando se pautou na ação teatral fora do grupo, na tentativa de construção de um modelo pedagógico falido, tanto na sua origem americana quanto na filial brasileira, eixo Rio-São Paulo, que é a formação voltada exclusivamente para o mercado - basta pensar que o grande espetáculo desse processo cearense foi "Os Iks", montagem de Celso Nunes, 30 anos após sua estréia em São Paulo – àquela época já uma versão tosca do grandioso trabalho do inglês Peter Brook na França com seu grupo multi e transcultural de atores e técnicos. Enquanto isso, o Colégio de Dança lançava mão de conceitos estéticos, pedagógicos, organizacionais e filosóficos partindo dos vínculos dos profissionais com seus grupos, lugar por excelência do acontecer da sua arte. Daí a longevidade da proposta, da sobrevivência, até mesmo com a extinção do Instituto Dragão do Mar.

Bons exemplos
Hoje, junto a Bienal Internacional da Dança, surgida no bojo do Colégio de Dança, o movimento da dança cearense e sua proposta de formação é referência nacional. E se esticamos o olhar até o Audiovisual, vamos perceber inúmeros profissionais participantes do então Núcleo de Audiovisual do Instituto, inseridos na criação e produção até hoje. Semelhança pode ser percebida sobre o Núcleo de Design. Chegando à atualidade foi discutida a Formação em Rede, projeto que logra reunir propostas de formação e qualificação profissional em cultura e artes no Ceará, com ações e pensamentos comuns, e cuja coordenação inicial é: Vila das Artes, UFC, Uece, Ecoa, Instituto Dragão do Mar, Cefet, Theatro José de Alencar e Secultfor, sua proponente. O desafio posto é partilhar e construir algo conjunto, parceiro, unindo esforços financeiros e humanos. E me parece que o Instituto Dragão do Mar traz em sua essência o papel de catalizador, de líder desse processo, por motivos óbvios. Sou levada a crer , ainda, que a presença do educador B.C. Neto na Ação Cultural da Secultfor vai alavancar e incrementar esse projeto-processo.

FNT: Palco dos grupos
Quando veio ao FNT, em 1999, o teatrólogo Amir Haddad (RJ) já apontava a produção cênica nordestina como a mais vigorosa do Brasil. Tânia Brandão, crítica de teatro, professora da UFRJ, debatedora no XV FNT, repete esse pensamento e ressalta a vitalidade e a atualidade da cena nordestina, destacadamente a partir dos grupos, apontando a promissora capacidade de novidade artística à cena teatral brasileira. O XV FNT convidou para suas mostras grupos com seus repertórios de espetáculos, oficinas, seminários. Destaquemos aqui os Clowns de Shakespeare (RN) e o Bagaceira (CE). Em comum os grupos do FNT trazem uma rigorosa pesquisa estética e apurada vida coletiva no grupo teatral. Movimentos como A Lapada, organizada pelos Clowns de Shakespeare é uma luz à discussão sobre criação, gestão e produção teatral no Brasil. Evoé!


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