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Contando Histórias de Futebol

Sérgio Redes


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02/10/2008 00:59


O Dimas me convidou e dei um pulo num destes restaurantes da cidade para conversar com Paulo César Caju, o Sócrates, o Nelinho e o Raul. Viajam pelo Brasil com um programa chamado "Contando Histórias de Futebol". A idéia é do Paulo César e segundo ele funciona com sucesso na Europa. O cenário improvisado tinha uma bancada formada por quatro mesas de bar e atrás dela, de costas para uma parede, os nossos quatro palestrantes. Em volta da bancada uma turma de gente nova espalhada nas mesas restantes não parava de questionar a atual seleção brasileira.

Para quem não conheceu ou já se esqueceu, estes quatro ex-jogadores foram ídolos nos seus clubes e defenderam a seleção brasileira. Caju foi campeão do mundo em 1970 e o Sócrates pertenceu à seleção de 1982 que embora tenha perdido a Copa é lembrada com saudade.

Nelinho disputou a Copa de 86 e tinha um chute muito forte. Tão forte que certa feita uma rede de televisão filmou-o chutando uma bola de dentro do Mineirão para fora do estádio. Duas câmeras acompanharam a trajetória da bola que saiu por cima e quase foi parar na Lagoa da Pampulha que ladeia o estádio

Raul Plassmann foi goleiro do Cruzeiro e campeão mundial de clubes pelo Flamengo. Além de ser um excelente goleiro, ficou famoso por ter sido o primeiro a usar uma camisa amarela. Naquele tempo os goleiros, como os árbitros, vestiam-se de preto. Não havia ainda o tal do marketing pessoal e quanto mais discreto melhor.

Com o bom humor sempre presente, criticou-se a valorização que se dá aos técnicos de futebol. Achei normal, até porque, como se trata de individualidades consagradas no futebol brasileiro, fica muito claro o desprezo que eles têm por essas organizações táticas de hoje em dia.

Vindo de um tempo romântico em que o futebol não era ainda este grande negócio financeiro, Sócrates fala muito da arte no futebol e lamenta que os técnicos insistam em colocar em campo jogadores que marquem o tempo todo e por conta disso relegam os jogadores habilidosos a um segundo plano. É verdade! A mídia concentra as suas atenções no técnico que, através das frases de efeito, constroem toda uma maneira de pensar para explicar uma vitória ou uma derrota. As palavras de ordem variam de acordo com o momento. O grupo está fechado. Está faltando atitude. Precisamos focar melhor o nosso objetivo, etc.

Agora é força mental. Segundo os técnicos e comentaristas sem força mental não se consegue nada. Evidente que superação, disciplina e garra são fatores importantes nas construções da vitória, mas o cuidado com o espetáculo importa porque a beleza e a plasticidade respondem pelo encanto do jogo. E aí precisa de um bom jogador.


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