Sérgio Redes
24/07/2008 01:02
Mesmo não tendo vencido o jogo de terça-feira passada, o Ceará tem motivos para comemorar. Encontra-se a um passo do G-4, bateu o recorde de arrecadação de público da série B, tem o artilheiro com 10 gols e seu ataque com uma média de dois gols por partida só perde para o do Coríntians.
Se levarmos em consideração que quinze dias antes do início da competição o Ceará não tinha um time para colocar em campo o resultado é surpreendente. Penso que muito importante foi o equilíbrio e a ponderação do seu atual presidente em superar as crises que sempre acompanham o clube.
Se fora do campo às coisas se acalmaram dentro dele o departamento de futebol tratou de manter, recuperar e motivar jogadores importantes como Adilson, Chicão, Cleisson, Marcel, Luís Carlos e Vavá. Incluam-se as contratações de Marcos Paraná, Dedé e Fábio Vidal e a base ficou quase pronta.
O sonho de todo técnico em formar um time compacto capaz de criar espaços para atacar e não dando espaços para que o adversário se articule foi aos poucos se tornando realidade. Seu meio campo é o ponto alto da equipe e tem sincronia com o ataque com os laterais e com a defesa.
Por outro lado, como o leitor deve ter percebido, estão faltando os dois zagueiros que ficam responsáveis pelo miolo de área. É neste setor que o Lula tem tido dores de cabeça. Não importa quem seja escalado. O problema é a bola alta levantada sobre a área.
Bola esta, diga-se de passagem, que não representa mais um lance ocasional e sim uma jogada eficiente.
Segundo a Folha de São Paulo 41% dos gols do São Paulo no Campeonato Brasileiro do ano passado saíram de bolas paradas levantadas sobre a área. Existe até tese de mestrado sobre o assunto. Aliás, não só a bola alta como também a bola rasteira complica os zagueiros do Ceará. Na partida de terça passada teve situações em que um zagueiro acertou a canela do outro. O Pedro Bila que já foi zagueiro do juvenil do Ceará queria entrar em campo. Um outro torcedor pediu para botar o Lula e o Dimas. Virou piada!
O Ceará tem que resolver urgentemente este problema. E não pode mais ficar fazendo testes para saber se o jogador que chega vai dar certo ou não. Tem que fazer um esforço financeiro e escolher uns quatro zagueiros a dedo e mais uns três jogadores para reforçar o elenco.
Com um aproveitamento de 48.8% após treze rodadas o Ceará precisa melhorar.
Se quiser brigar por uma das quatro vagas da série A terá que atingir pelo menos 58%. Foi esta a porcentagem alcançada pelo Vitória da Bahia que subiu o ano passado com a quarta colocação, ou seja, o último dos quatro.