Sérgio Redes
19/06/2008 01:07
Envio minha coluna para o jornal sempre as quarta feiras, portanto escrevo sem saber o resultado do jogo de ontem à noite. Nem Brasil nem Argentina atravessam um bom momento, mas o que se especula de verdade é se uma derrota brasileira causará a demissão do Dunga. Mesmo que ganhe Dunga vai continuar na berlinda. Até porque seu jeitão matuto, arrogante e aborrecido é um prato feito para a mídia esportiva. Aliás, berlinda em que está desde que foi improvisado como técnico da seleção brasileira de futebol sem nunca ter comandado uma equipe de primeira, segunda ou terceira divisão.
Embora não tivesse sido um craque o respeito que o Dunga conquistou foi como jogador. Suas limitações técnicas eram visíveis. Não sabia driblar e tinha dificuldades no controle da bola, todavia superava estas deficiências com um bom passe, uma boa finalização e ocupando os espaços defensivos no campo.
O que aos meus olhos o tornava desengonçado era a maneira estranha de passar a bola de curva com a parte externa do pé. Primeiro ele entortava o pé para dentro e depois tocava na bola. Algo assim com um pescador caminhar alguns metros com a vara e a isca na ponta do anzol e depois lança-la ao mar. Parece que o sujeito não é do ramo.
Independente destas limitações técnicas sua força de vontade e determinação o fizeram um jogador vitorioso. Sua fotografia de capitão está imortalizada na seleta galeria de jogadores que levantaram a Copa do Mundo. Para levantá-la Dunga superou o estigma de símbolo do futebol defensivo que marcou sua presença na seleção de 90.
A eliminação prematura do Brasil na Copa de 2006 devido à falta de comando e liderança de Parreira e Zagalo deu margem a que houvesse mudanças. Foi aí que o presidente da CBF Ricardo Teixeira tirou Dunga da cartola e promoveu-o a técnico da seleção brasileira.
Pareceu a todos que era um mandato tampão. Dunga foi contratado para fazer uma limpeza geral, afastar os membros da comissão técnica, os jogadores que haviam fracassado e dar uma satisfação pública mostrando para todos que a seleção voltaria, a ter a sua cara feita de vontade, garra e determinação.
Foi com a promessa de recuperar estes valores que Dunga assumiu a seleção. Começou inseguro devido a sua inexperiência, mas a conquista da Copa América sem Ronaldinho Gaúcho e Kaká conquistou a confiança dos novos jogadores dos torcedores e da imprensa em geral.
Navegava na calmaria e já se sentia tranqüilo no cargo quando vieram as derrotas para Venezuela e Paraguai. No Brasil o técnico é sempre o responsável pelas derrotas. Outros motivos não interessam. Parece à piada do marido que encontrou a mulher deitada com outro no sofá. Não teve dúvidas: vendeu o sofá