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Ora Bolas

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O filão é inesgotável

Sérgio Redes


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12/06/2008 01:15

Domingo passado fui ao Ginásio Paulo Sarasate assistir a final entre Brasil e Argentina pelo Grand Prix de Futsal. Antes do jogo teve uma festa bonita com os organizadores homenageando os jogadores que moram por aqui e foram campeões ou vice-campeões do mundo.

Leonel, Cacá, Djaci e Gera são cearenses e, portanto, prata da casa. O Branquinho é gaúcho, o Manoel Tobias é pernambucano e o Maurinho é de Brasília. Gente de lugares diferentes que fizeram história no futebol de salão cearense, brasileiro e mundial.

Gosto destas situações em que são premiados antigos esportistas que foram destaques na sua modalidade. Este tipo de atitude estabelece uma ponte entre o passado e o presente. Nosso povo tem memória curta e como dizia o poeta do samba Elton Medeiros "Povo que não tem memória vira fantasma de si mesmo"

Outro dia passei por uma situação semelhante numa palestra. Contei a primeira vez que vi o Sumov jogar e me impressionei vendo o goleiro Beto Santana defender todas as bolas. Um aluno comentou: "Isto não é do meu tempo". É Verdade! Respondi. Tem gente que acha que a vida começa quando ele nasce.

Muitos jogadores iniciam sua carreira no futebol de salão e depois passam para o futebol de campo, pois as perspectivas financeiras são maiores. Com a especulação imobiliária destruindo centenas de campos na várzea, o futebol de salão passou a ser o celeiro de craques de futebol.

Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho e Kaká na atualidade e Tostão e Rivelino na década de 60 são exemplos de jogadores geniais que começaram jogando futebol de salão. Comum a eles, a enorme habilidade, a capacidade de solucionar as jogadas num espaço pequeno e a dificuldade em finalizar de cabeça.

Evidente que a adaptação das quadras para o campo é lenta. O próprio Falcão que é o melhor do mundo no salão tentou jogar futebol no São Paulo e encontrou dificuldades, mas por outro lado é importante ressaltar que se a mudança se der na formação do jogador a influência será benéfica.

Aqui sempre tivemos extraordinários jogadores. Segundo dados não oficiais do Amorim da CBFS mais de quinhentos jogadores cearenses de futebol de salão já foram para outros estados ou para o exterior. Não é por acaso que os tipos característicos cearenses sejam o vaqueiro, o jangadeiro, o garçom e o jogador de futebol de salão.

Saem porque por aqui não tem chance. Os grandes do futebol cearense raramente aproveitam os jogadores da terra. O Ceará, por exemplo, detesta. Estamos em maio e o Vovô contratou na ultima terça feira o seu trigésimo sexto jogador este ano. O preconceito continua: bom é quem vem de fora.


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